A Era de Ouro dos Videogames

É uma época e tanto para se jogar videogames, né? Olha só: de um lado, jogos independentes a dar com pau, de todos os gêneros e estilos possíveis, mostrando que não é preciso uma estrutura milionária pra fazer jogos fantásticos. Braid, Fez, Swords of the Shogun, Trine, Sword and Sworcery, Kentucky Route Zero, Trine, FTL, só pra falar os que vieram na cabeça.

De outro lado, a possibilidade aberta pelos Kickstarters da vida, do próprio público financiar os jogos que quer jogar. E aí temos o Broken Age, adventure da Double Fine; Star Citizen, simulador espacial do Chris Roberts (Wing Commander!); ShadowRun Returns; The Banner Saga; Planetary Annihilation, um remake do clássico Total Annihilation; e por último, mas com certeza o mais divertido, Carmageddon Reincarnation!

Por um lado, é uma merda porque eu não tenho todo o tempo do mundo pra jogar todas essas coisas. Por outro lado, pelo menos agora eu trabalho e posso ter uma parte desses jogos. Enfim, as coisas se equilibram, etc e tal.
(Mas se de uma hora pra outra eu desaparecer do mapa, provavelmente me refugiei em Araçatuba pra jogar Carmageddon até cansar)

Queria Saber Cálculo

Um dos meus maiores arrependimentos nessa vida é, apesar de ter feito cinco anos de engenharia, eu nunca aprendi cálculo de verdade. Limites, derivadas, integrais, aquela operação cujo símbolo é um triângulo invertido…divergente? Sei lá. Por aí já dá pra ter uma BOA idéia de como eu valorizava as aulas de cálculo.

(Não só as de cálculo, mas enfim).

Mas sempre senti inveja de quem sabia resolver derivadas, integrais de terceiro grau, etc e tal. Sabe aquelas equações grandonas, cheias de variáveis, letras gregas, símbolos que você nem sabia que existiam?

Mó inveja desse molequinho.

Mó inveja desse molequinho.

Infelizmente, a habilidade de resolvê-las não está no meu currículo nerd, no meu arsenal de McGyver, no meu bat-cinto de utilidades. Hunf.

Ainda bem que existe a Academia de Khan para que eu possa aprender essas porras todas! Lá tem o curso de cálculo completo, incluindo mais de CINQUENTA E QUATRO vídeos explicando integrais definidas e indefinidas. E o mais legal é que você ganha badges e achievements pra cada curso que completa! Vou fazer o curso completo e mandar fazer um bottom: “Eu sei integrais”. Mamãe vai ficar mó orgulhosa!

(E depois tem cursos de matemática aplicada, equações diferenciais, álgebra linear E o mais legal de todos: matemática recreativa! FO-DA!)

Idéia Rápida número 42

É a história de um cara que se torna solto no tempo, mas seus saltos temporais são causados pelas músicas que ele ouve. Como as músicas são sempre compostas em algum lugar do passado, ele só pode viajar nesta direção. Por exemplo, ele ouve “Mr. Brightside”, do Killers, e volta pra 2003. Ouve uma música boa dos Strokes e volta pra 2001. Lembrem-se que ele não pode voltar pro futuro, e sempre que ouve qualquer música, é imediatamente puxado pelo fluxo temporal. Ouve “Smells Like Teen Spirit” e volta pra 1991. Ouve Beatles e volta pra 1964. Ouve, sei lá, Sinatra, e volta pra 1940. E assim vai indo, Wagner, Beethoven, canções de trovadores medievais, batuques tribais, etc…até que um dia um trovão cai do lado dele e ele é transportado pro momento exato do Big Bang, o riff perturbador que botou a porra toda pra funcionar.

(Ou então ele poderia voltar pra algum lugar da década de 1970, ouvir uma música do David Bowie e ser jogado pra trocentos séculos no futuro.)

I Like It Small

“Minimal production, low yields
Intimate settings, limited appeal
Dingy basements, short runs,
No expectations – wait, I’m not done!”

A Vala da Cunha Gago

Um dia a rua Cunha Gago já foi um lugar pacífico, relativamente quieto, no coração de Pinheiros. Mas aí chegaram as escavadeiras, as retro-escavadeiras, os caminhões de pedras, as britadeiras, as marretas, e tudo mais que fizer barulho pra caralho nesse mundo.

Eu ACHO que a rua irá ficar legal depois que acabar essa putaria toda: fiação enterrada, calçadas reformadas, etc e tal. Mas me dá um certo medo pensar que essas reformas todas não são para a população, mas sim para os malditos “investimentos imobiliários”. Tem dois prédios novos sendo construídos só no meu quarteirão; em volta, mal dá pra contar. Eu gosto do meu pedaço de Pinheiros, bem no meio termo entre a barra pesada do Largo do Batata e a frescura da Vila Madalena, no ponto exato onde os prédiões da Faria Lima acabam. Não quero que derrubem tudo pra fazer mais prediões de escritórios, salas comerciais e o escambal. Deixem meu bairro em paz, seus putos!

Da Babaquice das Listas

Em minha defesa, eu tenho que dizer que foi uma época estranha da minha vida. Um período conturbado, onde eu tinha mil coisas pra fazer, menos tempo do que necessário, e a mais absoluta vontade de jogar tudo pro alto e ir jogar Minecraft. Eu não sabia o que fazer, estava perdendo o controle, e acabei apelando. Apelei. Apelei feio. Apelei ruuuude…

…e acabei lendo livros de auto-ajuda organizacionais.

(Se alguém ainda lesse esse blog, esse é o momento em que todos fechariam as janelas em protesto e horror).

A verdade é que eu sempre fui, e sempre serei, uma pessoa desorganizada. E nessa época eu acreditava que uma grande parte dos meus apuros eram causados pela minha desorganização. A solução, ora pois, era procurar jeitos de me organizar, uma maneira de me educar a ser uma pessoa mais organizada, menos procrastinadora, etc, etc. E lá fui eu, procurar métodos de organização…rapidinho, meu Kindle estava cheio de livros sobre essas coisas!

Comecei acho que pelo mais famoso de todos, o tal do “GTD – Getting Things Done”. Depois tentei outro, com o sugestivo título de “Eat That Frog!”. Também encarei o “7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficientes”. E outros tantos, tipo “The Power of Less”, “Un-procrastination”, “Zen to Done”, etc, etc. Confesso que gostei de alguns deles, e que até aprendi uma coisa ou duas.

Todos eles confirmam que a idéia de fazer listas de “coisas pra fazer” é uma cagada desestimulante e traumatizante, mas todos propõem métodos de organização diferenciados, supostamente calcados em pesquisas científicas e o escambal, que no fim das contas te deixam com uma…surpresa! Uma lista de “coisas pra fazer!”. Ora, vão todos à merda! E lá ia eu, sempre pulando de método em método, sem nunca conseguir aderir a nenhum. No final das contas, eu comecei a pegar uma raiva tremenda de métodos de organização e listas de “coisas pra fazer”. Minha vida continuava uma zona, os problemas continuavam se acumulando, e eu já não sabia que diabos mais fazer…

(Até que fizeram por mim. Tem uma frase do Sandman em que um personagem diz pro outro “Talvez o inferno seja um lugar real. Mas você não precisa ficar em nenhum lugar pra sempre.” Eu queria muito dizer que a mudança foi do dia pra noite, mas não foi: demorou um tempo até que tudo se resolvesse, mas se resolveu e foi ótimo.)

O tipo de organização que eu imaginava que iria obter, nunca consegui. Acho que o que eu procurava era uma tábua da salvação, ou uma bóia pra não me afogar, alguma coisa que me tirasse do inferno onde eu estava. Eu acredito que você pode sim se transformar em uma pessoa organizada. Mas acho que isso envolve transformações muito mais profundas do que um jeito novo de fazer sua listinha de coisas pra fazer. Pelo menos para mim, a solução não foi se tornar uma pessoa organizada, produtiva, eficiente, etc. A solução que eu encontrei foi aprender a respeitar meus limites. Dizer não pra outras pessoas e pra mim mesmo, impor os meus prazos e os meus limites, me recusar a entrar no ritmo insano que a “sociedade” atual cultua tanto, enfim, respeitar a minha natureza procrastinadora vagabunda sem vergonha na cara.

“Essa Banda Poderia Ser a Sua Vida”

“Uns Dias”, do Paralamas, me lembra de acordar as 6 da manhã no fim de semana pra jogar Super Mario Bros (versão All Stars, no Super Nintendo), com o fiel Walkman sempre ao meu lado. Um mundo totalmente diferente, mais simples, mais divertido, com mais cartuchos de Super Nintendo.

Sinceramente meus pais deviam me odiar: aquele walkman devia acordar o prédio todo.

“Sete Cidades”, da Legião, me lembra de um dia qualquer em que eu fui a pé até a locadora de cartuchos (Flash Games!) pra alugar Chrono Trigger, um dos jogos mais fantásticos do mundo todo. Também me lembra de uma vez (talvez nesse mesmo fim de semana) em que eu fiquei doente, com febre, e me enrolei em uma pilha de cobertas pra enganar o frio que eu sentia e continuar jogando Chrono. Foi um dia de altas alucinações, embaladas a Chrono Trigger e Legião Urbana.

Talvez por isso eu ache que quem não gosta de Legião Urbana não teve uma infância ou adolescência saudáveis.

“Way Back”, do Buffalo Tom, me lembra da Copa de 2002. Ah, que seleção foi aquela, meus amig…ok, eu não lembro lhufas da Copa. Lembro sim de Ilha Solteira em junho, de estar fazendo quase frio, de virar a noite na casa do Paulo e do Hipogloz pra assistir os jogos e falar besteira, de voltar pra casa de manhãzinha pra ir dormir, ouvindo essa música.

Se eu pudesse escolher um momento pra viver de novo, um período de tempo, eu saberia exatamente qual escolher. Só preciso ver o horário do próximo Itamaraty.

“Quase um Segundo”, na versão do Herbert Vianna, me lembra uma madrugada virada lá pelo final da faculdade, jogando World of Warcraft. Eu lembro exatamente do cenário do jogo, do silêncio da noite, de como as notas no piano faziam tudo pesar. Sempre preferi esta versão do que a do Cazuza: Herbert sempre me pareceu meio nerd, desses tontos que gostam de verdade de alguém, a ponto de perguntar, com toda a sinceridade e dor do mundo, “será que você ainda pensa em mim?”.

Certas coisas ainda doem. Talvez seja melhor assim, pra gente saber que está vivo.

“Stuck Between Stations”, do Hold Steady,  me lembra de uma madrugada numas férias em Araçatuba, no primeiro ano em que estive em Salvador, quando eu percebi que podia mudar tudo, e escapar da situação estranha onde eu me encontrava, e que só dependia de mim.

E aqui estamos! Quem disse que o rock’n'roll não salva vidas?