Tones of Home

Postado por Enrique em 13 de janeiro de 2012

Voltei pra São Paulo, mas minha alma ainda está chegando – deve ter pego uma curva errada em Albuquerque, ou ido tirar umas férias em Águas de São Pedro. Ainda estou estranhando o ritmo da cidade, das pessoas, da correria estabanada pra se pegar um trem, pra se chegar em algum lugar. É só um trem, gente, não se matem assim, daqui a pouco tem outro. Eu acho. Se o Kassab lembrar de paga a conta. Enfim, ainda estou a vinte por hora, mas logo eu acostumo de novo. Só não me acostumo com os babacas correndo na estação de trem.

Em outras notícias, relacionadas: São Paulo me oprime. É sério. Pergunte pra qualquer pessoa que estudou comigo em Ilha Solteira, e dá pra contar nos dedos as vezes que meus amigos me viram usando calça comprida. Nada contra calça comprida, muito pelo contrário, mas eu tenho cá pra mim que no frio você usa calça comprida e no calor você usa bermudas. Porque tá calor, porra, e você não é obrigado a usar calças compridas no calor. Mas São Paulo me oprime. Me sinto um pária quando saio na rua de bermudas, um excluído, um jeca sem modos. Não vejo pessoas de bermuda por aqui! E na faculdade é pior ainda: os poucos que usam bermudas são os maconheirinhos-filhinhos-de-papai. E aí, oprimido pela sociedade paulistana, eu ando sempre de calça jeans mesmo quando tá calor pra cacete.

Mas isso mudou! Hoje eu fui de BERMUDAS pra faculdade – não pra aula, porque ainda não começou, mas pra trabalhar na empresa júnior. Bermudas e tênis – ainda não estou preparado psicologicamente pra sair de chinelo em Sumpaulo.

…Ainda!

Prenda Minha Epifania

Postado por Enrique em 6 de janeiro de 2012

E aí hoje eu estava aqui ouvindo Engenheiros do Hawaii (eu sei, eu sei) e tive uma epifania. Uma revelação. Uma ficha que demorou anos e anos para cair.

Quando o Humberto Gessinger diz “Prenda minha parabólica” ele não quer dizer “Prenda a minha parabólica”, com o verbo prender e o substantivo antena parabólica. Tipo, “Filha, instale a minha antena parabólica, mesmo você sendo uma bebezinha”.

Não! Ele quer dizer “Prenda minha parabólica”. “Prenda minha”, de “minha prenda”, “minha querida”, etc e tal! Meu mundo mudou! Durante anos esta hábil construção gramatical passou desapercebida pelos meus ouvidos. Me sinto mais inteligente, mais esperto, mais capaz.

*Lágrimas másculas de orgulho próprio*

O resto da letra continua indecifrável como sempre, claro. E NOTEM QUE o Gessinger estava a cara do Belchior nesse show. Medo medo medo…

O Fim do Mundo

Postado por Enrique em 4 de janeiro de 2012

2012.

Ah, 2012. O último ano de nossas vidas. Game over, planeta Terra, é isso aí, civilização humana, foi bom enquanto durou e a gente se vê por aí nessa longa estrada da vida, gata, porque já dizia o Jimzinho Morrison: “Nossa…nossa…assim você mi mata!” “The future is uncertain and the end is always near”. C’est finito, como dizem os espanhóis. Acabou-se o que era douce, diz o seu tio chato.

Mas claro, pode ser tudo um erro de cálculo, uma grande confusão. Afinal, quem pode culpar os Astecas/Maias/Incas Venusianos se eles cansaram de calcular o calendário:

Pedro Juan Quetzacoatl diz: “Cábron, cansei de calcular essa porra de calendário!”
Juan Carlos Cábron diz: “Madre que ló parió, em que ano você parou?”
Pedro Juan Quetzacoatl diz: “Xô contar…2012!”
Juan Carlos Cábron diz: “Pffff, a civilização humana não dura mais nem dois séculos! Ninguém nunca vai usar esse calendário! Bora lá dar uma volta no Eldorado!”

Por via das dúvidas, aqui estamos esperando o apocalipse. Alguns apostam no fim do planeta em escala Jerry Bruckheimer: um grande meteoro, uma grande catástrofe sísmica, quem sabe até a prometida inversão dos pólos magnéticos. Tem a galera fã do John Romero, rezando e guardando armas e suprimentos para o apocalipse zumbi. Invasão alienígena não anda tão em moda, mas é sempre uma boa pedida. Claro, tem a opção bíblica-judaico-épico-cristã, com direito a Arrebatamentos e Julgamentos Finais, Sete Selos, Cavaleiros do Apocalipse e aquela coisa toda. Pessoalmente, eu gosto da versão nórdica, com Deuses em guerra, legiões de vikings voltando a vida para brigar, lobos gigantes eclipsando o Sol e tudo mais. Acho difícil acontecer, mas nunca se sabe né. Mas eu nem ligo.

Contanto que parem com essa porra de “Ai, se eu te pego”, já está valendo.

(E claro, a melhor trilha sonora para o apocalipse. Pode falar mal do Bruckheimer, mas “Armageddon” é mó legal, fala aí)

Monocultura

Postado por Enrique em 29 de dezembro de 2011

Graças a outra dica do Brain Pickings (sim, eu sei, ando viciado nesse site), eu peguei pra ler o “MonoCulture: How One Story Is Changing Everything“. Livrinho curto, que acabei lendo ainda mais rapidamente que o “Magos de Caprona”, mas que levanta umas questões bem interessantes. Eu achei, inicialmente, que o livro fosse algo na linha dos livros do Joseph Campbell, tratando sobre mitologias e histórias que determinam e/ou espelham o comportamento da sociedade, e coisas e tal. E…bom, o livro é sobre isso, mas o foco é totalmente voltado para a nossa era. Segundo o autor, a história que dá forma para o mundo atual é uma história econômica, de lucros e eficiência e performance. Em seis capítulos e alguma coisa, vários aspectos da vida humana são analizados – educação, ciência, relacionamentos, arte, etc – do ponto de vista de como eles eram décadas atrás e como eles são encarados atualmente.

Como eu disse, o livro é beeem curto, o que quer dizer que a discussão não atinge uma profundidade profundamente profunda, mas acredito que não é esta a proposta do livro (afinal, tem vários livros do Zygmunt Bauman que se dedicam justamente a esta análise profundamente profunda). Mas fundamentalmente eu concordo com o que é dito no livro: que o grande problema da sociedade atual é encarar TUDO de um ponto de vista econômico. Como se a lógica dos mercados pudesse ser aplicada para tudo e para todos, como se todos os aspectos da vida humana se encaixassem numa ótica de “o que é mais eficiente”, “o que é mais vantajoso”. Como se a livre competição fosse a solução para tudo, como se o criatura mitológica conhecida como Mercado fosse capaz de indicar o melhor caminho para tudo. Alguém um dia nos contou que o mundo competitivo era mais eficiente do que as outras opções de mundo, e fomos forçados a acreditar…mas existem outros mundos que ainda nem foram imaginados, outras formas de pensar e de se viver, que com certeza serão melhores do que as formas que utilizamos hoje.

Utópico, totalmente. Eu admito, eu sou daqueles românticos incorrijíveis…eu acredito de verdade que os movimentos de “Occupy Everything” sejam o começo da solução, o início de um mal estar que pode nos conduzir para novas formas de ver o mundo. E antes que alguém venha com o papo de “ah, você é socialista, seu retrógrado!”: eu não sou socialista, juro por Deus. Eu não tenho uma “filosofia política”, eu só tenho certeza de que as coisas estão erradas do jeito que estão, e precisam mudar: ficar esperando que o Mercado assente tudo e dê conta de todas as mazelas do mundo é insanidade. Agora, como fazer isso, eu não sei.

Woody diz: “Wash Teeth, If Any”

Postado por Enrique em 27 de dezembro de 2011

Aí lá no Brain Pickings (um dos blogs internacionais que mais vale a pena ler diariamente) postaram uma lista de resoluções de ano novo do Woody Guthrie, o lendááário cantor folk norte-americano, pai do Bob Dylan, do Bruce Springsteen e de toda forma de música de protesto que preste. Anotada num caderninho, com direito a desenhos e tudo, a lista é foda demais:

Destaques:

  • “Wash teeth if any (Escove os dentes, se tiver algum)”
  • “Take bath (Tome banho)”
  • “Learn people better (Aprenda/Entenda melhor as pessoas)”
  • “Don’t get lonesome (Não se sinta solitário)”
  • “Keep hoping machine running (Mantenha a máquina de sonhos rodando)”
  • “Help win war – beat fascism (Ajude a ganhar a guerra – vencer o fascimo)”
  • “Make up your mind (Decida-se)”
  • “Wake up and fight (Levante-se e lute)”

E deu vontade de fazer uma lista assim, simples, de coisas essenciais e possíveis e que só dependem de mim, mas que fazem toda a diferença. Porque são essas coisinhas, essas atitudes que a gente decide tomar todo santo dia, que acabam mudando tudo. Explosões de vontade acabam sendo meio que fogos de artifício – momentos bonitos, mas que não servem pra nada. Mudança de verdade tem que ser por erosão, cavucando lentamente, até conseguir alguma coisa. (Não que seja mais fácil – nunca é. Mas é melhor admitir pra si mesmo que mudanças acontecem lentamente do que ficar esperando o BIG BANG, ora bolas).

Farei uma lista, e depois se der vontade eu publico aqui. Acho que eu ainda volto ainda este ano pra contar sobre 2011 e o que esperar pra 2012 =)

Diggin’ The Blues

Postado por Enrique em 27 de dezembro de 2011

Eu não sei o que foi que minha mãe fez com o computador dela, mas o fato é que todas os sons de erro padrão do windows foram trocados por “dedilhadas de violão”, sabe? Sabe quando você puxa a corda e o som faz “tuóóóóin!”, ou então bate o dedo na corda e faz “Tééééunnn”.

É absolutamente genial. Eu fico procurando maneiras de forçar o Windows a fazer sons de erro, só pra “dedilhar” no violão virtual misterioso. Uma das maneiras: abrir um documento de texto vazio e ficar apertando pra baixo. Outra: tentar abrir uma pasta sem acesso. Se eu for idiota o bastante, dá pra compor uma música. Um blues. “The Blue Screen of Death Blues” será o nome da minha primeira composição, e vai ser algo tipo assim:

Os Magos de Caprona

Postado por Enrique em 25 de dezembro de 2011

Comecei a ler “The City & The City”, livro do China Mieville, que aparentemente trata sobre um assassinato misterioso em uma cidade que é sobreposta por outra cidade. As duas cidades dividem o mesmo espaço físico- literalmente, uma cidade por cima da outra, como se uma fosse o fantasma da outra. Apesar disso, as cidades “não se enxergam”, em vários níveis de entendimento. Seus habitantes são treinados desde crianças a não enxergarem o que se passa na outra cidade, e a não invadirem o espaço da outra cidade – mesmo que este espaço seja o mesmo deles. É um conceiro complicado, e o livro parece ser beeeem interessante – assim como todos os livros do China Miéville. Mãããããs….

…Acontece que eu não estava afim de mergulhar em mais de 500 páginas de ficção pesada, cheia de conceitos fantásticos e metáforas elaboradas, com panoramas políticos de sociedades imaginárias e o diabo a quatro. É férias, pensei. E eu só tenho três semanas de férias. Não quero um companheiro de férias sombrio e soturno, contando histórias de cidades dentro de cidades dentro de cidades. Me dá algo mais simples, por favor! E aí eu guardei o The City & The City na prateleira (ou quase, por que era ebook =P) e fui ler “The Magicians of Caprona”, da mestra Diana Wynne Jones.

Li o livro em duas sentadas. Fazia tempo que não era sugado pra dentro de um mundo fantástico, que não ficava amigo dos personagens e me importava com eles, que não ficava pensando como seria morar naquele lugar – uma versão da Itália do século XV onde duas famílias rivais são as maiores fabricantes de magias da região de Caprona. E fazia tempo que não lia as aventuras do Chrestomanci, o lendário Christopher Chant, o mago mais poderoso e mais mala de todo o multiverso. Foi bom, foi ótimo, foi essencial alimentar a alma de fantasia, de coisas incríveis e de finais felizes. Tava precisando disso.

E é isso. Esse post não tem nenhuma moral ou sentido, exceto que ler livros de fantasia faz bem pra alma. E não basta?