Domingos

Os domingos eram dedicados a tentar encontrar o sentido da vida. Não o domingo inteiro, é claro, porque ninguém aguenta passar um dia inteiro buscando o sentido da vida.

A vontade aparecia lá pelas sete horas da noite. Quando grande parte do dia já havia ido embora, quando a semana-que-vem já ensaiava para se transformar em essa-semana-agora, é justamente quando começava a contar as horas para o fim do domingo. Cinco horas pra encontrar um sentido, seis horas se eu for dormir à uma da manhã. Uma resolução que mudasse a vida inteira sem muito esforço, uma revelação profunda em um compartilhamento de status numa rede social – como uma criança procurando a tarefa que ela não fez dentro da mochila, e a professora chegando cada vez mais perto, e mais perto, e mais perto até que…! Cinco horas se transformam em quatro, três, duas, e a inquietação se transforma em um leve desespero que aumenta ao se perceber que essa situação já aconteceu outras vezes, tantas vezes.

Pra quê esse desespero, meu Deus, pra que se incomodar tanto? Mas a incomodação é condição humana, a coceira eterna que vai nos levar ao paraíso debaixo de nossos pés (ou ao inferno numa explosão astral, vai saber). E eu perco meu tempo fazendo resoluções que eu sei que vou cumprir de forma tosca e bagunçada, e encontro verdades em lugares absurdos que vou guardar pra sempre – porque a coceira precisa coçada. Nunca encontro o sentido, nem consigo me explicar, mas não deixo de continuar procurando. E as coisas que encontro acidentalmente, as verdades universais, as bobeiras colossais, recortes do passado e do futuro, relances de mim mesmo – são as coisas que vou usando pra construir o sentido que preciso.

To All Those Constructive Summers

i went to your schools, i did my detention
but the walls were so gray i couldn’t pay attention
i read your gospel and it moved me to tears,
but I couldn’t find the hate and I couldn’t find the fear

I met your savior I knelt at his feet,
and he took my ten bucks and went down the street
tried to believe all the things you said - 
but my friends that aren’t dying are already dead

Raise a toast to saint Joe Strummer!
I think he might have been our only decent teacher
Getting older only makes it harder to remember
We are our only saviors - we’re gonna build something this summer!

 

Vai em paz, boiadeiro!

Aprendi a dizer não, ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo…
A morte e o destino, tudo
Estava fora do lugar…
Eu vivo pra consertar!

Mas o mundo foi rodando nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei, agora sou cavaleiro!
Laço firme e braço forte, num reino que não tem rei!

Na boiada já fui boi, noiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse, por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe que eu!

Formado, de novo!

E aí eu me formei. De novo. Acho que definitivamente.

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Quatro anos se passaram bem rápido, mais rápido do que eu esperava quando comecei. Parece que foi anteontem, e parece que já faz tempo. Foi ótimo, foi punk, foi estranho, foi natural, foi enlouquecedor e foi esclarecedor, muitas vezes no espaço entre um segundo e outro. Valeu a pena, assim como tudo na vida, valeu muitíssimo a pena!

Umas três pessoas que eu uso como “referencial” de pessoas legais/completas/bacanudas me disseram que eu fui corajoso em fazer isso – abandonar a engenharia, vir fazer design em São Paulo, começar tudo praticamente do zero. E eu fico honrado por elas acharem isso de mim, mas não sei se corajoso é a palavra correta. Eu, corajoso? Ha! Foi uma decisão maluca, um tanto irresponsável, que eu não tomaria se não tivesse o apoio da minha família, de meus amigos. E ao mesmo tempo…eu sabia que daria certo. A engenharia não era o meu caminho…não como é a internet, a programação, o design, essa bagunça toda. Eu realmente gosto dessa porra toda, cara, é a minha vida. E confesso que cada trabalho elogiado, cada projeto funcionando, cada elogio de professor, cada cliente satisfeito é um alívio pras minhas inseguranças, é uma prova de que eu não estava errado em fazer o que fiz.

Valeu a pena, sim senhor. Por todos os amigos que fiz nesses quatro anos, por todas as pessoas que eu conheci, por todas as experiências que eu vivi e por cada maluquice em que me meti. Por ter achado meu talento e meu caminho, por ter encontrado pessoas que pensam como eu, por ter visto um mundo diferente do que eu estava acostumado, por tudo isso e muito mais. Foi foda. Foi massa.

Mas agora chega de vida acadêmica, puta que pariu! I DID IT, ADRIAAAAAAAN!!!

Outfit, do Jason Isbell

And I learned not to say much of nothing
And I figured you already know
But in case you don’t or maybe forgot
I’ll lay it out real nice and slow

Don’t call what your wearing an outfit
Don’t ever say your car is broke
Don’t worry about losing your accent
A Southern Man tells better jokes

From now on

Forget safety.
Live where you fear to live.
Destroy your reputation.
Be notorious.
I have tried prudent planning 
long enough.
From now on, I’ll be mad.

— Rumi

Kurt Vonnegut: “To make your soul grow”

What I had to say to you, moreover, would not take long, to wit: Practice any art, music, singing, dancing, acting, drawing, painting, sculpting, poetry, fiction, essays, reportage, no matter how well or badly, not to get money and fame, but to experience becoming, to find out what’s inside you, to make your soul grow.

Seriously! I mean starting right now, do art and do it for the rest of your lives. Draw a funny or nice picture of Ms. Lockwood, and give it to her. Dance home after school, and sing in the shower and on and on. Make a face in your mashed potatoes. Pretend you’re Count Dracula.

Here’s an assignment for tonight, and I hope Ms. Lockwood will flunk you if you don’t do it: Write a six line poem, about anything, but rhymed. No fair tennis without a net. Make it as good as you possibly can. But don’t tell anybody what you’re doing. Don’t show it or recite it to anybody, not even your girlfriend or parents or whatever, or Ms. Lockwood. OK?

Tear it up into teeny-weeny pieces, and discard them into widely separated trash recepticals [sic]. You will find that you have already been gloriously rewarded for your poem. You have experienced becoming, learned a lot more about what’s inside you, and you have made your soul grow.

(Peguei lá no tumblr do Austin Kleon)