Esquadrão Anti-Macumba Postado por Enrique em 22 de janeiro de 2004
(post inspirado em um programa de tevê que mostrava o trabalho do Esquadrão Anti-Bombas. E para lembrar meus tempos de Agência Noroeste…)
Dona Maria não sabia o que fazer quando se deparou com aquilo na porta de sua casa. “Meu Deus, que horroooor…”, ela repetia, perdida. A galinha preta morta, o pratinho com farofa e feijão, a vela roxa, a cueca suja de batom e a foto do Wando não podiam ser outra coisa: alguém havia colocado uma macumba na sua porta. Quem poderia ter sido? “Aposto que foi aquela vaca que mora na esquina, aquela biscate tá de olho no Agenor…”. Mas agora não adiantava fazer acusações, agora era preciso lidar com aquilo. Ela pegou o telefone.
- Bom dia, setor de emergências da polícia,Mariângela falando, em que posso ser útil?
- Ai, moça…tem uma macumba na porta da minha casa.
- Ok, senhora. Mantenha a calma, eu vou chamar o Esquadrão Anti-Macumbas. Qual o endereço?
Três minutos depois, Maria ouviu as sirenes fora de casa. Ela olhou na janela. A rua estava isolada.Três Blazers pretas, com a sigla EAM pintada, estavam estacionadas em frente à sua casa. Um grupo de policiais estava espalhado em frente à casa. Maria deu a volta na casa e saiu pelo portão do quintal, encontrando os policiais. Abriu o portão, e deixou os agentes entrarem em sua casa. Caiu no choro, e foi levada para longe. Os policiais começaram seu trabalho.
Com o auxílio de um robô com uma câmera acoplada, eles observavam o conteúdo da macumba.
- Típica macumba de amarração, podem ver, vela roxa, cueca…
- Mas porque o feijão no pratinho? – perguntou um policial novato.
- Cada entidade tem sua comida favorita. É uma oferenda para elas. Você não aprendeu isso na academia, não? – respondeu o capitão.
- Olha, capitão. Parece que temos complicação.
- O que foi, Dornelles?
- Foto do Wando.
- Droga. Deixe-me ver. É, foto do Wando. Autografada. Droga, precisamos ter muito cuidado.
Não havia outra solução: era preciso explodir a macumba, mas ela não podia ser retirada de seu lugar. O capitão vestiu uma roupa de proteção, cheia de espumas e partes de borracha, para evitar os transtornos causados pelo contato com a macumba. Ele caminha então lentamente até o composto, coloca com muito cuidado os explosivos C4, liga os detonadores e sai de perto. Minutos depois, uma enorme explosão: a macumba foi neutralizada com sucesso.
Dona Maria, mesmo tendo agora seu jardim dizimado e um rombo enorme na parede da sala, estava aliviada. Agradecia os policiais repetidamente, chorava e pulava de felicidade. O capitão foi discreto:
- Que isso, dona. A gente só fez o nosso trabalho.