Brothers

Eu fiz o melhor que pude. Tentei criar ele exatamente como achei que devia ser, para que ele crescesse e fosse uma boa pessoa. Apesar de não ser exatamente um irmão modelo, eu tentei passar para ele os valores que eu tinha aprendido, coisas como a importância do grunge, o ideal do movimento punk e a simplicidade honesta dos três acordes. Tentei mostrar para ele quem foi Kurt Cobain e porque ele é considerado um cara bacana por uns e odiados por outros, tentei fazê-lo pegar gosto pelos Ramones (e isto eu consegui, parcialmente), tentei de tudo para que ele ouvisse Green Day, na esperança que uma pequena sementinha punk nascesse em sua cabeça. Mas nada. Não desisti: voltei no tempo, trouxe discos dos Beatles, Stones, Led Zeppelin para casa, mas ele não se interessava. Tentei impor limites: Iron Maiden pode, Metallica ainda vá lá, mas nada de bandas finlandesas. Não adiantou. Sem falar da minha banda preferida Pearl Jam, que ele parece ignorar completamente. É triste. Uma pessoa criada nesse ambiente sadio, agora vem me decepcionar dessa forma. Mas, como diz o ditado, a gente cria nossos irmãos para o mundo. Fazer o quê. Se ele quer ouvir metal melódico o dia inteiro, o que eu posso fazer. Se ele prefere Angra, Avantasia e Blind Guardian à Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden…é a opção dele, e eu tenho de aceitar.
Triste…
Mas como ele mesmo disse, poderia ser pior: ele poderia ouvir axé, ser um pagodeiro ou ainda ir no show do Guilherme e Santiago. Ou ser um pagodeiro. Credo. Dá medo só de pensar…

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