Esta não é uma canção de amor Postado por Enrique em 19 de fevereiro de 2004
Hoje à tarde bateu uma coisa estranha. Como se faltasse uma ficha para cair e ela finalmente tivesse desabado aqui dentro, fazendo Biiiiiiiiiiiiiiiiiiing e chamando minha atenção: “Acorda, babaca!”. E eu acordei. Tem um vazio aqui dentro. Não é bem um vazio, é mais como um espaço vago, onde antes haviam outras preocupações e anseios. Hoje eu fui me tocar que não é comum existirem essas “vagas”: eu estou sempre ocupando minha cabeça com algum objetivo distante, com alguma idéia fixa na cabeça que me faz esquecer do resto do mundo e pensar só naquilo. Cada passo dado é em função daquilo, e tudo que não é relacionado com aquilo é perda de tempo. Assim como quando o Sol está no céu as outras estrelas somem, eu faço tudo o mais perder o brilho e a importância e só penso naquilo. E a melhor parte: nunca leva à nada esse estado de idéia fixa. Nunquinha, na-na-ná. Nós valorizamos demais essa história de sofrer por amor, mas geralmente se trata de uma pessoa que sofre, deseja e anseia enquanto a outra não está nem aí. Nem mesmo sabe, às vezes. E esse sofrimento unilateral não vai mudar a realidade, não vai parar o mundo com os dentes e trazer de volta a pessoa amada em três dias. No máximo, vai te deixar com cara de bunda enquanto durar o sofrimento, e só. Então pra que ficar sofrendo tanto?
É bom ter este espaço vago aqui, eu descobri. Ao invés de ficar pensando na morte da bezerra, eu estou fazendo outras coisas com meu tempo. Eu estou escrevendo mais, lendo mais, nerdiando mais, conversando mais, voltei a desenhar, enfim, fazendo o que eu gosto. Se eu estivesse em aula, provavelmente eu estaria estudando mais (pff…). Eu não fico mais sonhando acordado, pensando em milhões de possibilidades, criando situações imaginárias que nunca irão acontecer. Não fico mais me torturando, porque no final das contas quem se machucava quando as coisas não aconteciam como eu sonhava era somente eu. Quer dizer: pouco a pouco eu vou preenchendo esse vazio com outras coisas, mais tangíveis e benéficas para mim. E acho que estou fazendo certo, porque eu me sinto bem. Oras bolas.
Não que eu esteja dizendo: “Oh, o mundo é injusto, nunca mais vou me apaixonar por menina nenhuma”. Pfff, eu me conheço: quando eu não estiver olhando, eu vou me apaixonar pela estrela que brilhar mais forte no meu firmamento (digam: óóóun, que fofis). O que eu estou dizendo: não compensa me deixar levar feito um doido e depois ficar com um rombo aqui. Não é justo comigo mesmo, não é justo com a pessoa por quem eu me apaixonei, não é justo com ninguém. Eu me machuco a troco de nada, esqueço da minha vida, esqueço das outras pessoas, largo mão de um monte de coisas por nada. Chega disso, eu tenho que mudar as coisas por aqui.
E acho que estou aprendendo alguma coisa, finalmente, após ter quebrado a cara várias vezes. Já era hora.