Sleepless

Aqui estou eu, acordado, bem no meio entre o dia e a noite. São três e meia da manhã, e a noite negra sabe que falta pouco para o dia chegar. Ah, negra noite infinda, rainha dos…ok, sem poesia de R$ 1,99. Tá frio por aqui. Falta sono. Sobra vontade de escrever. Então vamo lá!
Essa história de ficar acordado até muito tarde (ou cedo…ah, cês entendem) é uma bela droga. Você passa o dia inteiro com sono, com uma preguiça fenomenal, uma falta de vontade de fazer qualquer coisa mais complicada que sentar na frente do PC ou manter-se acordado na frente da TV. Assistir TV nesses dias é pedir pra passar a tarde dormindo: primeiro que não passa absolutamente nada que preste (programas femininos? Clodovil? Sessão da Tarde? Oh yeahhh, sugar!), segundo que eu assisto TV deitado na cama do meu irmão. Cama, TV, preguiça, tarde dormindo. Yo-hoho. Mas eu tenho resistido a tentação: comecei a escrever a tão prometida aventura de RPG (tá, Larri? Tá, Esponja? Eu tô escrevendo, juro!), voltei a desenhar (tentando…), montei um fotolog pro povo de Ilha Solteira, tô arrumando meu bom e velho PC, e outras cositas más. Tá, tá, nada de muito útil. Mas é alguma coisa. E foda-se, eu estou de férias, zé-mané!
Eu gosto desse período do dia, alta madrugada entre 2 e 6 da manhã. Essa partezinha mais quieta e solitária do dia, quando pouquíssimas pessoas estão de pé e o silêncio só é quebrado por esse barulho de teclas batendo ou algum carro que passa perdido na rua. Sozinho aqui me parece que as idéias nascem com mais facilidade, que as palavras se encontram mais rapidamente. Mas isso é perigoso, por outro lado: os pensamentos estão mais livres, e eles vagam pela minha cabeça criando idéias bobas, acordando memórias que eu tento esquecer, tentando chamar uma tristezinha chata que reside aqui dentro pra fora. Na maior parte do tempo eu alimento ela com músicas, abafo ela com risadas e tudo bem; mas quando tudo é silêncio, ela assovia baixinho uma melodia que me deixa inquieto. Uma música que fala sobre coisas que não deram certo, sobre amores que não foram,sobre decepções antigas, sobre essa solidão…essa solidão noturna que existe aqui. Eu deixo ela cantar um pouco, porque eu sei que ela não é minha inimiga, e sim minha companheira. Mas não deixo ela cantar muito alto, porque de nada adianta esse sofrer. E um dia essa solidão acaba, finalmente. Na verdade, é sacanagem falar em solidão: eu tenho bons amigos, que nunca me deixaram na mão. Então eu olho pra essa tristezinha aqui dentro, ela me olha, nós trocamos um sorriso bobo e ela se cala. Vamos em frente com a vida, que é tão grande e tão cheia de surpresas e tão boa que não cabe a gente ficar sofrendo. Bora.
Quatro da manhã, e nada do sono. Acho que ele se perdeu no escuro, ou sequestraram o coitado. Acho que eu vou escrever a tão prometida aventura de RPG, porque se eu chegar em Ilha Solteira sem essa coisa pronta, minha cabeça vai rolar. Ok, bravos senhores e belíssimas senhoritas: vão indo que eu já vou. Até.

“Life is a highway, I wanna ride it all night long…If you´re going my way, I wanna drive it all night long”

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