Enrique e Suas Várias Vidas

Postado por Enrique em 30 de abril de 2004

Em uma de minhas encarnações passadas eu era um anão umpa-lumpa e trabalhava na fantástica fábrica de chocolates do fantástico senhor Willy Wonka. Cansado da rotina entediante de trabalhar em uma fantástica fábrica chocolate e da escravidão imposta sobre nós por Willy Wonka, liderei uma revolução umpalumpítica para depor o maldito ditador das guloseimas e tomar o controle da fábrica. Fui traído por meus próprios compatriotas umpa-lumpa e acabei virando chiclete babalú (sabor hortelã).
Na minha encarnação seguinte eu fui um poderoso pirata! Cruzei os sete mares, provei minhas habilidades piratísticas, ofendi piratas malvados e durões, derrotei o temido pirata morto-vivo LeChuck umas quinze vezes, salvei minha amada Elaine umas duas vezes, fui salvo por ela umas quinhentas, participei de altos rituais de magia negra e várias outras coisas. Foi uma vidinha agitada! Ah, e vi a segunda maior cabeça de macaco que já vi em todas as minhas vidas!
Após essa vida de pirata, resolvi tirar umas férias de tanta aventura e ação: minha próxima vida foi de urso-panda nas florestas do Tibete. Vivia sossegadamente nas calmas planícies tibetanas, alimentando-me de ramos de bambu e frutas-silvestres-que-ursos-pandas-comem. Era completamente feliz, com minha pelagem branca-e-preta superestilosa, e tudo estava muito bem até que alguém deixou cair uma espécie de líquido radioativo no riacho em que eu sempre bebia água. Através do contato com o líquido radioativo, adquiri inteligência, força e rapidez sobre-humanas, capacidade de falar, super-sentidos e um sexto-sentido que me avisava dos perigos (carinhosamente apelidado de “sentido-Panda”). Ah, após o contato com o líquido radioativo também aprendi a lutar kung-fu, karatê, judô, jiu-jitsu, capoeira, tae-kwon-do e outros estilos de luta que eu nem sabia o nome. Transformei-me no maior superherói do Tibete: eu era o Panda Ninja Mutante Adolescente, e era fodão! Durante muitos anos combati o crime, a maldade e a vilania que existe no coração dos homens, mas acabei percebendo que a mudança deve começar de dentro para fora. Tornei-me monge budista e anos mais tarde descobriu-se que eu era a reencarnação do Dalai Lama. Fui o único Panda Dalai Lama da história.
Na minha vida seguinte, fui um personagem de videogame. Tudo o que eu fazia o tempo todo era matar tartatugas pulando em cima delas, comer uns cogumelos e flores gigantes que me deixavam enorme e resgatar uma tal princesa Toadstool que vivia sendo raptada por uma tartaruga gigante do mal chamada Bowser. Até que era divertido! Até que alguém derrubou água no cartucho e acabei indo desta pra mais uma…
E teve a minha vida de sapo. Lógico que eu já fui um sapo. Um sapo alemão, que mal lhe pergunte. Sim, eu vos digo: eu era um sapo alemão, que vivia nos brejos próximos à Berlim, e meu coachar tinha trema. Era meio assim: Rrrrüüëbbiiit! Lá vivia eu em paz,com meus amigos sapos nos belíssimos brejos de Berlim, até o dia em que fui raptado por um OVNI e levado para Oa. Em Oa, fui escolhido como o mais novo Lanterna Verde, eleito para defender as populações batráquias do universo! Ah, que bela cerimônia em que recebi meu anel e fiz o juramento dos Lanternas Verdes:”No dia mais claro, na noite mais densa; o mal sucumbirá ante a minha presença. O seguidor do mal tudo perde ante o meu poder: a luz do Lanterna Verde”. Sniff…Enfim, de volta à Terra, trabalhei arduamente na tarefa de proteger os sapos mais fracos e menos favorecidos, até o dia que descobri que o Anel dos Lanterna que tinha em minhas mãos era na verdade o Um-Anel…era preciso destruí-lo, enfim. Mas eis que sucumbi ao poder do Anel e acabei me tornando o Senhor do Brejo Escuro, um cruel tirano que dominou os brejos próximos à Berlim e que lá estava criando seus exércitos de sapos-orcs-gigantes, batráquios-balrogs e espectros montados em pererecas negras e mais um monte de anfíbios malévolos que serviriam à meus propósitos de dominar todo o mundo…até que um belo dia drenaram o brejo e construíram uma fábrica de móveis de madeira no lugar. Eu acabei por escapar, me escondendo dentro de uma caixa verde de metal que seria enterrada sob a fundação de um prédio em construção, até o dia que um pedreiro descuidado me desenterrasse e liberasse meu poder fatal…”Hello, my baby, hello, my darling…”.
(continua outra hora)


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