Rock

Postado por Enrique em 29 de junho de 2004

Tava assistindo MTV agora pouco, e eis que passa um clipe do “genial” Otto. Como, não conhece o “genial” Otto? Pois entre no site dele e conheça. Conheceu a figura? Puis é. Então tava passando um clipe dele em que ele corria desesperadamente pelas ruas de uma cidade, desviando dos carros e cantando alegremente sua canção “cabeça”, que falava alguma coisa sobre atropelar e ser atropelado metaforicamente. Aí no final do clipe ele é atropelado por um ônibus, cai no chão como uma samambaia suicida e fica se estrebuchando. A galera junta em volta dele mas não faz nada; aí chega aquele-cara-da-novela-das-sete-que-faz-o-vidente-doido, agacha na frente do Otto, abraça ele e dá um beijo na boca dele.

“E daí? Vai dar uma de homofóbico agora?”

Néissonão. Tipo, qual o objetivo dessa cena? Porque rola esse beijo gay no fim do clipe? Não tem nada a ver com a música, com a letra, com nada…é pra fazer bonito só? “Ah, beijo gay é contestador, tá super na moda, a gente vai revolucionar a linguagem do videoclipe nacional”, devem ter dito. Que merda.
A coisa que mais me irrita na música brasileira, até um pouco mais que os sertanojos e pagodosos da vida, são esses artistas-intelectuais-revolucionários-coolzões-maletas. Sabem de quem eu tô falando? Otto, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Lenine, Pedro Luís e a Parede, essas merdas todas. Os três primeiros, principalmente. Eles não se contentam em fazer música: parece que eles querem a todo momento revolucionar a arte e deixar todos seus coleguinhas intelectuais babando. Esses caras não conseguem fazer uma letra de música que seja compreensível, eles tem que fazer uma LETRA que além de expor toda a baianidade nagô da cultura brasileira, fale do problema dos menores abandonados e conte uma história de amor no formato de uma poesia concreta. Claro que ninguém entende porra nenhuma, mas todo mundo aplaude e acha lindo. A música dos caras também tem que ser revolucionária: tem que ter um elemento nordestino, um pouco de samba, alguma coisa de forró, uma influencia dos Beatles e alguma parada que eles inventam na hora. Esses caras tentam desesperadamente serem importantes pra música brasileira, e é por isso que eles são as coisas mais descartáveis do cenário musical. Sem talento nenhum e sem um pingo de sinceridade, esses intelectuais de merda não vão à nenhum lugar.

Outra coisa: quantas bandas nacionais realmente prestam? Los Hermanos e Skank são os dois nomes que me vem na cabeça imediatamente. Só as duas? A Pitty tem potencial grande, mas não ouvi nada ainda que me atraísse (a vocalista é gata, diga-se de passagem). CPM22 é o Green Day brasileiro, legal pra caramba. Capital Inicial…hmmm…rock comercial, mas rock comercial não quer dizer rock ruim…tem hora que eu gosto de Capital, tem hora que eu odeio. Bah. Ultraje era a única “banda de rock” brasileira, no sentido literal da expressão, e o Roger é engraçado pacas. Detonautas é descartável, e nem me venha falar em Charlie Brown Jr. e naquela porra de Felipe Dylon…Que bosta. Sem falar naquela porrada de bandas indies que tentam desesperadamente ser o Weezer: desistam, vão tentar fazer alguma coisa diferente, vocês tem talento. Enfim…Duas ou três bandas legais só. Estamos precisando de novas bandas nacionais de qualidade. URGENTE.


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