Coisas Geek de um Hobbit Inútil

E não se esqueça da toalha.

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Nova Fronteira

“But I’m at the end of a new frontier
here at the edge of the flat earth ending
I’m getting off to get lost in the air
At the end of the world where the light is bending
From the outside of everything
To the inside of you…” New Frontier – Counting Crows

Eu poderia passar a noite toda tentando começar esse texto. Começar é sempre a parte mais difícil: o salto inicial que tem de ser dado, o empurrão nas engrenagens que depois começam a trabalhar sozinhas, como acaba de acontecer (vocês nem notaram, né?). Talvez eu devesse explicar o objetivo desse post: já ouviram uma música e tentaram capturar a idéia por trás dela, por mais obscura e subjetiva que ela seja?

Imagine uma música como um programa de computador: um programa é um conjunto de comandos, variáveis, ifs, elses e afins, que são estrategicamente colocados para fazer alguma coisa. Da mesma forma, uma música é um conjunto de acordes, sons, palavras e afins, que trabalham em harmonia para dizer alguma coisa. Já repararam como é difícil dizer alguma coisa? Algumas pessoas tem o dom nato das palavras, elas conseguem comunicar-se tão facilmente sem precisar quebrar a cabeça procurando as palavras e as colocações corretas que chega a dar inveja. Eu não sou uma delas: as palavras fogem de mim, mesmo agora enquanto eu tento escrever esse texto, e eu quase sempre engasgo antes de falar. Mesmo assim, eu insisto, porque tem tantas coisas que eu quero dizer, e pra tantas pessoas, que acredito que minha cabeça não me deixaria ficar quieto.

A música (do começo do post) fala dessas tentativas de comunicação. Quando uma pessoa se comunica, seja da forma que for, ela está sempre tentando cruzar novas fronteiras entre ela e você, para tentar fazer uma idéia chegar do lado de fora de todas as coisas para o lado de dentro de você. Não é isso que fazemos todos os dias, mesmos nas conversas mais banais? Quando você conta algo para outra pessoa, você não está trazendo algo de fora para dentro dela, algo que não existia ali antes, colocando uma nova idéia na cabeça dessa pessoa? E esse blog mesmo, não é uma tentativa de fazer um pouco da idéia que eu tive ao ouvir a música para dentro de vocês, da mesma forma que o autor da música fez comigo e com outros milhares de ouvintes? E não é estranho quando essas idéias chegam, invadindo nosso espaço e nos forçando a parar e olhar (“olha, mamãe, uma idéia nova!”) e, caso estejamos dispostos, tentar entender ela? Nós somos como caixas de email ambulantes, recebendo e enviando mensagens o tempo todo, tentando cruzar essas fronteiras que nos separam das outras pessoas, tentando cruzar as nossas próprias fronteiras também.

Estranho isso, eu ficar tão fascinado com algo tão simples e tão lógico que acontece todos os segundos todos os dias com todo mundo, mas que eu nunca tinha parado para perceber que acontece. Talvez esse texto tenha falhado em seu objetivo: tentar comunicar pra vocês algo que eu também não sei o que é, mas que eu achei que tinha que dizer, movido pela força da música, ou pela força da idéia da música. Mas eu tinha que tentar, sei lá porque, tentar atravessar essa distância que separa o lado de fora de tudo até o lado dedentro de vocês…

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