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Rock is Dead – Parte XII

Uma das (muitas) coisas que me emputecem é neguinho dizendo que “o rock morreu”. Pff carinha , chegou tarde pro enterro e perdeu também a ressureição. Já deu no saco ver esse povo inconformado com “essas bandas de merda que estão por aí”, “o domínio das gravadoras”, “o dessinteresse dos jovens de hoje pelas bandas clássicas” e outras coisas manjadas.
Saquem só: o tio Enrique vai dizer uma coisa que vocês já deviam saber faz tempo. Sabe aquela coisa que a gente chama de cultura? Música, cinema, livros, teatro, gibis, televisão, internet, sites, blogs, jogos de computador, etc, etc, etc. Essa porra toda. Pois é. 99% de tudo é merda. Só 1% presta, e isso vale pra tudo, desde sempre. A gente se ilude achando que os anos 60/70 foram os anos áureos do rock, os anos selvagens onde todas as bandas eram legais, onde os vocalistas eram fodões, os guitarristas eram geniais, as músicas eram incríveis e pá e tal. Por mais que pareça o contrário, desde aquela época já existiam bandas de merda. E elas eram a maioria, não tenham dúvida. Bosta sempre foi uma constante no mundo. Além do que, nessa época qualquer coisa era novidade. Era fácil inventar, justamente porque pouca coisa tinha sido feita.
Domínio das gravadoras SEMPRE teve. Gravadoras são uma merda, é verdade, eu lhes digo. Mas acontece que estamos na porra do século 21, temos o milagre da internet, da mp3, das rádios online, dos fóruns de discussão, das notícias instantâneas, do caralho a quatro vestido de baiana vendendo acarajé em Moçambique. Só ouve merda quem quer, e tenho dito. Se você não gosta do que ouve na MTV e no rádio, mexa sua bunda gorda do sofá, pare de reclamar dessa enorme injustiça da vida e vá fuçar pela internet, até achar uma banda ou um tipo de som que te agrade. Chega de falar mal da MTV, das gravadoras, das rádios. Essas são organizações comerciais, feitas pra ganhar di-nhei-ro. Óh, grande novidade. Não, as rádios não são entidades beneficentes dedicadas a tocar “a boa música de qualidade”. Pffff, e o povo da capital que reclama das rádios de rock que não tocam “rock de verdade”: venham conhecer a Clube FM (24 horas de Guilherme e Santiago, axé, pagode e dance-music) e parem de uma vez por todas de serem frescos.
A molecada não ouve mais as bandas clássicas? Pfffff triplo. É muito ridículo ver esse pessoal preocupado com Charlie Brown Jr., Jota Quest, Linkin Park, Evanescence, e etc. “Óh, os moleques vão ficar bitolados ouvindo essas coisas podres!!”. Tá, eu não gosto dessas bandas, mas eu nem mesmo parei pra ouvir essa porra toda pra poder dizer se é bom ou é ruim. Aposto que nenhum dos caras que falam “ah, os moleques tão fodidos” parou pra ouvir. É automático: tocou na MTV, toca na rádio, é uma merda, um cocô enorme, nem vou ouvir!!! Quando eu comecei a ouvir rock, lá pelos idos de 95, ouvindo Green Day feito um doido, era assim também. “Ah, Green Day é uma merda, toca o tempo todo na MTV, mó bosta!!”. Pearl Jam? Quantas vezes eu tive que ouvir que “Ah, Píerjem é o Nirvana da MTV” e que “eles fizeram Last Kiss pra voltar a fazer sucesso”? Raiva desse povinho que acha que fazer sucesso, vender discos, tocar na rádio é um pecado mortal. A molecada tá bem, acreditem. Se as bandas que eles ouvem agora não são tão boas, pelo menos será através delas que eles vão conhecer o rock, e quem se interessar vai descobrir que tem muito mais do que se vê na MTV, nas revistas, nas rádios. Agora, esse bando de gente velha de 20 anos, que só sabe reclamar que o rock morreu e que não se fazem mais bandas como antigamente, esse povinho sim tá com sérios problemas.

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