1. Porque ele era um ótimo guitarrista, que só ficou pra trás em comparação a nomes como Eric Clapton e Jimmy Page porque os Beatles pararam de tocar ao vivo. Slide-guitar é com o mestre George.
2. Porque as músicas dele nos Beatles não devem nada as composições de John e Paul. Alguém vai negar que “Something” é uma das coisas mais lindas já escrita? “Here Comes The Sun”, “I Me Mine”, e claro, “While My Guitar Gently Weeps”…e ele tinha que lutar pra conseguir que fossem ouvidas e gravadas no estúdio, dá pra acreditar? Pow, “While My Guitar…” só foi gravada quando o Dark Horse rodou a baiana e resolveu chamar o Eric Clapton pra tocar na música (já que o Paul tava mais interessado em gravar…ahn…Maxwell Silver Hammer).
3. Porque quando os Beatles acabaram ele mostrou serviço e botou um baita álbum fodão (“All Things Must Pass”), só com músicas ótimas que ele compôs enquanto estava nos Beatles. Tá, tá, ninguém é obrigado a aguentar “Thanks for the Pepperoni”, mas pelo menos o nome é legal…
4. Porque ele continuou soltando álbuns legais e não-tão-legais com o passar do tempo. Não com aquela maldita atitude “eu preciso voltar a ser famoso” típica de roqueiros velhos, mas do jeito dele. Sossegado, quietinho, mas fazendo as coisas como ele quer…como deve ser.
5. Porque ele não tem vergonha de assumir e até pregar aquilo em que ele acredita. Praticamente 90% das músicas dele tem algum tema religioso envolvido, porque ele acreditava MUITO em Deus. Ele acreditava que é preciso se livrar das ilusões do mundo pra entender Deus e pra sair da roda de eterno sofrimento em que nos encontramos, e com a música dele ele tentava passar essa mensagem pra todos. Ele falava que nada dura pra sempre, tudo precisa mudar – e isso causa dor porque não entendemos ou não vemos porque essas coisas acontecem. E também falava que é preciso tomar cuidado com a escuridão, com a tristeza e o desespero em que nos metemos (make you sour, and what is more, that is not what you are here foooor)
6. Porque ele tem bom-humor. MUITO bom-humor. Sim, a vida é foda, a vida é injusta, mas ficar sofrendo não ajuda em nada. Encarar a vida rindo dela dá muito mais certo, e George sabia fazer isso. Apesar de religiosas, as músicas dele são animadas, e ele simplesmente adorava colocar algum verso engraçado ou fazer alguma piada nas músicas. As raras entrevistas que ele dava mostravam esse bom-humor dele. Ele era amigão dos caras do Monty Python (tanto que eles participaram do Show em homenagem a ele), chegando até financiar o Vida de Brian, filme dos Pythons. Aliás, ele participa do Vida do Brian! =D
7. Porque ele é/era um ser humano incrível. Claro que ele não era perfeito, o cara tinha altos defeitos, fez altas cagadas…mas ele tinha a noção de que a gente tá nesse lugarzinho estranho chamado Terra, então porque não se esforçar ao máximo, e também aproveitar ao máximo? Pra que se contentar em ser tão pouco quando podemos ser tanto? Porque não se arriscar? Ele queria chegar até Deus, e moveu cada célula do corpo em busca dessa iluminação. Mas não bastava isso, ele queria trazer o resto do mundo (senão não vale a pena, sacam?)…por isso os discos, as músicas, os shows. Ele queria dizer algo pro mundo, passar a mensagem dele e se esforçar pra melhorar esse lugar e essas pessoas um tantinho que fosse.
(Li essa história ontem e achei legal pra caramba…aqui vai ela):Traveling Wilburys era uma superbanda composta por George Harrison, Bob Dylan, Roy Orbison, Jeff Lyne e Tom Petty que fez um sucessozinho considerável no fim dos anos 80, e que surgiu da forma mais absurda possível. George O-Hara precisava gravar um lado b pra música Cloud Nine, e ele e o produtor Jeff Lyne tavam trabalhando nisso. Aí o Jeff Lyne também tava produzindo um álbum do lendário Roy Orbison, e sabe-se lá porque cargas d’águas os três foram almoçar juntos. O Roy Orbison fica sabendo da parada do lado B que o George precisava gravar, e se propõe a gravar backing vocais pra música – logo depois do almoço, porque não? O George topa, mas ele tem que buscar a guitarra na casa do Tom Petty. Aí chegando lá, os três babacas contam a história pro Tom Petty e também convidam ele pra participar. O loirão topa também, mas agora falta um estúdio. Estúdio, estúdio…ah, tem o do Bob Dylan, na casa dele. E lá vão os quatro desocupados pra casa do Bob Dylan, que deve ter dado risada ao ver aquele bando de velhotes juntos. Eles se sentam no jardim e começam a compor a música (Harrison teria virado pra Bob Dylan, que tava só olhando pra cena, e dito “Ei, senhor liricista famoso, porque não vem aqui e escreve uns versos pra gente?”), e o George decide escrever um refrão apropriado pro Roy Orbison botar o vozeirão pra trabalhar, e também uma parte pros fanhos profissionais (Tom Petty e Bob Dylan) se esgoelarem. A música ficou tão boa, mas tão boa que o carinha da gravadora disse que seria um desperdício usar ela como lado B, e mandou eles gravarem um álbum inteiro. E assim nasceu os Traveling Wilburys =D.
(Errr, o nome da música dos Wilburys é Handle With Care. Aliás, Harrison tirou o nome da música de uma caixa que tinha na garagem de Bob Dylan XD)