Depois de dois posts infantis… Postado por Enrique em 31 de maio de 2005
E então, quando você achava que já tinha visto de tudo…
Bom, é fato consumado que eu sou um nerd. Um geek, na minha própria língua. Sempre fui, e espero sempre ser. Hoje em dia, após as turbulências dos anos de escola, é legal ser geek. Já falei porque em outro post, então vamos falar da parte ruim. Vamos falar das turbulências dos anos de escola. Eu era (sou) feio. Eu era (sou) gordinho. Eu era (tento ser) inteligente. Eu era (sou) tímido.Eu era completamente socialmente inapto. Hoje em dia eu sou só parcialmente socialmente inapto, mas enfim…eu era perfeito pra ser alvo de toda forma de zoações no colégio. O primeiro colegial foi particularmente horrível: 1998 foi um dos anos mais legais da minha vida, mas a vida na escola era um pé no saco. Eles escondiam meus cadernos. Eles colavam coisas em minhas costas. Eles colocavam apelidos. E eu não sabia o que fazer, ficava puto e nervoso, o que só aumentavam as zoações. Tá, eu era idiota e não sabia que é muito fácil lidar com essas coisas. Um golpe certeiro de sarcasmo, um corte bem dado e ninguém mais te aporrinha. Mas enfim, eu não sabia disso. E o colegial foi um inferno pra mim. Tá, aí que tinha um desses carinhas que curtia me tirar de quem eu particularmente não gostava. Talvez porque ele me zoasse mais do que os outros, talvez porque ele ficasse com as menininhas bonitas e eu não, mas eu não gostava dele nem um pouco. Era meu inimigo não nomeado.
Tá. Avança a fita.
Hoje de tarde estou eu lá no ônibus vindo pra Ilha Solteira, e um cara senta nas poltronas do lado de onde eu estou. Normals. Aí alguns minutos depois ele fala “Enrique! Cara, é você?”. Porra, olha o carinha de quem eu não gostava aí. O legal que ele lembrava do meu nome; eu nem suspeito qual seja o dele…enfim, conversei com o cara a viagem toda. Gente boa até. Estuda numa cidade perto daqui, tá quase se formando, nunca tomou pau, falou sobre o lugar onde mora, etc, etc. Bobeiras de viagem, mas foi legal. Ele me passou o celular e o endereço de onde ele mora lá na cidade. Tá, eu nunca vou ligar pra ele, e ele nunca vai me ligar, é lógico.
É isso…
Tá, tem alguma lição pra ser aprendida aí. Eu ainda não sei qual é, mas sei que tem. Então todo aquele sofrimento do colegial foi à toa? Não, acho que não…muito do que eu sei hoje sobre respeito e como não tratar as pessoas eu aprendi lá =P. Devia ter batido no cara? Nem fodendo…a verdade é que eu percebi que estamos ficando velhos. Eu, vocês, nós todos. Estranho perceber isso hoje no ônibus, vendo que toda aquela raiva que eu sentia foi embora e que não fazia o menor sentido ficar com raiva do cara. A adolescência acabou, e pra mim não deixou saudades. Tá, deixou sim…mas eu prefiro minha vida agora, em todos os aspectos. A faculdade, por exemplo: quer coisa mais legal que estudar com vários outros idiotas que entendem quando você faz uma piada sobre Star Wars? Sem querer ser sentimental, mas já sendo, eu gosto demais dos amigos que fiz aqui. Enfim, os velhos tempos de sofrimento acabaram, e os fantasmas foram embora. Não tem sentido em guardar mágoa ou ficar remoendo. E rever esse cara foi bom justamente pra ver que essa coisa ruim foi embora. Ou pelo menos eu acho que foi…
Enfim, é isso. Tô me sentindo um velho decrépito falando dos tempos idos. Até ontem eu era um moleque. Hoje em dia, como eu tava comentando com a Carol na semana passada (ou retrasada, memória de velho é uma bosta), nossos amigos estão trabalhando, ganhando a vida, se casando, tendo filhos…porra, eles já são gente grande. E nós também. Credo.
Alguém tá afim de jogar dama na pracinha e falar mal dos jovens de hoje em dia?