Coisas Geek de um Hobbit Inútil

E não se esqueça da toalha.

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O Ministério do Pearl Jam adverte: ouvir o Yield em dias chuvosos e cinzentos faz bem a saúde =D!

“Like echoes… that nobody hears,
It goes, it goes, it goes…
We’re faithful…
We all believe, we all believe it…”

Não sei se isso acontece com mais alguém, ou sou eu que sou louco mesmo…Sabem o jeito que as cidades ficam com o tempo cinzento e/ou chuvoso? Já repararam que tudo parece mudar? Ou só eu que percebo? As casas parecem ficar velhas, com cores e tonalidades antigas. As plantas ficam mais verdes, junto com a terra molhada, dando um ar de floresta anciã para até mesmo os menores jardins. A rua parece mais silenciosa sem o zumbido do Sol, e o céu cinzento parece pairar lá em cima pesando zigalhões de toneladas. É como se o futuro desse um tempo, e a cidade estivesse se lembrando de outros tempos, outros lugares, outros ambientes diferentes daqueles que estamos acostumados. E eu não sei se vocês conseguem, mas quando eu olho pras casas e ruas e árvores e jardins nesses dias chuvosos eu vejo relances…ecos distantes de um lugar que eu acho que nunca estive mas conheço como se fosse minha casa. Um lugar familiar, com essas cores de chuva e esse cheiro de ozônio, praças antigas e árvores grandes, pessoas de blusa, praças abertas com piso de cerâmica vermelha, jardins molhados e casas pequenas, prédios enormes e cheiro de livros infantis antigos de escola pública, cheiro de mofo e armários fechados…um milhão de coisas, enfim. Algumas dessas coisas eu consigo relacionar com coisas da minha infância, outros eu consigo lembrar dos sonhos onde eu vi eles, outros eu não tenho a menor idéia…é estranho. Como se eu olhasse nesses lugares e visse fotografias perdidas da minha memória, e da memória de outras pessoas, e da memória dos lugares. Sim, porque esses lugares tem memórias. Cidades tem alma, já disse Neil Gaiman. Cada uma delas é diferente, cada uma delas funciona de maneira diferente. E quando eu vejo/sinto esses lugares, é como se eu visse um outro lugar…aonde eu estive, aonde eu vou estar talvez. Nesses dias cinzentos e frios, a avenida principal de Ilha Solteira parece uma estrada enorme levando pra esse tal lugar cujo nome eu não conheço. As árvores parecem maiores e mais antigas, tudo parece estar ali a milhares de anos…e eu me sinto um pouco velho também, olhando em álbuns de fotografias e tentando imaginar o que eles querem dizer…Mas então eu olho de novo, e tudo que eu sinto é vontade de estar nesse lugar familiar, procurar ele onde quer que ele esteja e então fincar minha bandeira por lá…Talvez por isso a estrada, talvez por isso a sensação de que com a chuva tudo fica novo. It’s just the begininng…

[Nota do eu-do-presente: Yield continua sendo o melhor disco do universo. É bom saber que existem constantes universais, que algumas coisas ainda são sagradas =) ]

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