2006

Eu podia fazer uma análise enooorme sobre 2005. Suas relações com 2004, as expectativas pra 2006, as coisas que continuaram, as coisas que acabaram, as coisas que começaram, as coisas que começaram e terminaram, as coisas que terminaram e começaram, coisas boas, ruins, ótimas, legais, não-legais, etc, etc, etc. Podia fazer listas enorme de fatos aqui, podia falar um moooonte…mas eu não sei nem por onde começar. 2005 foi muuuito legal, por um monte de coisas boas que aconteceram. Muitas, muitas e muitas…fazia tempo que um ano não era tão legal assim =D. Sim, tiveram coisas ruins…perdi coisas importantes, perdi a Biju ontem, e perdi algo que era MUITO importante pra mim (e não tô falando de show nem nada, não é algo…material =P), mas dizer que o ano foi uma merda ou fingir que não aconteceu nada de bom é desmerecer tudo que aconteceu…E nada é realmente perdido*.

Como eu tava falando com minha mãe ontem, depois que a gente achou a Bijuzinha. Ela tava toda preocupada, até arrependida de ter começado com a idéia de pegar o Nico pra criar e depois deixar todos os gatos ficarem aqui em casa, vendo o jeito que todo mundo ficou triste com o ocorrido. Mas pow, esses gatos são a alegria da casa. Todo dia eles aprontam alguma coisa, fazem a gente dar risada ou então perder um tempão cuidando deles…e isso faz uma diferença imeeensa no astral da casa. Antes minha tia levantava todo dia de cara feia, brigando e xingando por qualquer coisa. E hoje em dia ela acorda tooodo dia rindo, por causa de alguma coisa que os gatos fazem ou por razão nenhuma. Então, é realmente uma pena que tenham feito isso com a gatinha e eu ainda vou ficar morrendo de saudades sempre que lembrar dela (ela dormia na minha cama depois que eu acordava, todo santo dia…snifff), mas…a vida continua =). E tem sido uma vida legal pra caramba, oras bolas.

E o mesmo vale pra todos os outros assuntos. Como mr. Harrison disse, “the pieces to omit are mine”…Enfim, aproveitem-se as coisas boas, relevem-se as ruins, e vambora que o mundo não para =D.
2006 tá aí, e eu tenho fé que vai ser um ano muuuuito fodão, até mais que 2005.

Feliz Ano Novo pra toooodo mundo!

*”Only the phoenix arises and does not descend. And everything changes. And nothing is truly lost.” Só a fênix sobe aos céus e não desce novamente. E tudo muda. E nada é realmente perdido…Sandman ruleia, não? Heheheh*

Mataram a Biju, uma das minhas gatas.
Acharam ela no quintal de um vizinho aqui do quarteirão, logo depois do almoço. A gente foi lá buscar…
Droga. Ela não merecia…Mas ela tá melhor agora =/.
E eu não sei o que dizer…já xinguei, esperneei, briguei, chorei, mas…não adianta, adianta? Tinha escrito dois posts engraçados pra colocar aqui, pra dar uma animada nesse blog, mas agora…por enquanto, não.
Tchau, Biju…

Pouca gente sabe, mas gatos são feitos de sonhos cristalizados. É por isso que eles fazem o que bem entendem e tem esse jeito “independente”. Você não controla sonhos, assim como você não controla gatos…eles vem e vão, como bem querem.
Quando eles morrem, eles voltam a ser sonhos de novo. Em algum lugar do Sonhar, a dona Bijuca agora se apresenta em sua verdadeira forma, de pantera negra como a noite, olhos do tamanho de luas amarelas. Livre desse mundo cinzento, longe dessa gente mesquinha e sem coração que não tem dó em acabar com a vida de um bicho que nunca fez mal pra ninguém, Biju reina suprema em seu próprio telhado infinito…

Tchau, gatinha.

Porque George Harrison é meu Beatle favorito. E porque quando eu crescer eu quero ser igual ele…

1. Porque ele era um ótimo guitarrista, que só ficou pra trás em comparação a nomes como Eric Clapton e Jimmy Page porque os Beatles pararam de tocar ao vivo. Slide-guitar é com o mestre George.

2. Porque as músicas dele nos Beatles não devem nada as composições de John e Paul. Alguém vai negar que “Something” é uma das coisas mais lindas já escrita? “Here Comes The Sun”, “I Me Mine”, e claro, “While My Guitar Gently Weeps”…e ele tinha que lutar pra conseguir que fossem ouvidas e gravadas no estúdio, dá pra acreditar? Pow, “While My Guitar…” só foi gravada quando o Dark Horse rodou a baiana e resolveu chamar o Eric Clapton pra tocar na música (já que o Paul tava mais interessado em gravar…ahn…Maxwell Silver Hammer).

3. Porque quando os Beatles acabaram ele mostrou serviço e botou um baita álbum fodão (“All Things Must Pass”), só com músicas ótimas que ele compôs enquanto estava nos Beatles. Tá, tá, ninguém é obrigado a aguentar “Thanks for the Pepperoni”, mas pelo menos o nome é legal…

4. Porque ele continuou soltando álbuns legais e não-tão-legais com o passar do tempo. Não com aquela maldita atitude “eu preciso voltar a ser famoso” típica de roqueiros velhos, mas do jeito dele. Sossegado, quietinho, mas fazendo as coisas como ele quer…como deve ser.

5. Porque ele não tem vergonha de assumir e até pregar aquilo em que ele acredita. Praticamente 90% das músicas dele tem algum tema religioso envolvido, porque ele acreditava MUITO em Deus. Ele acreditava que é preciso se livrar das ilusões do mundo pra entender Deus e pra sair da roda de eterno sofrimento em que nos encontramos, e com a música dele ele tentava passar essa mensagem pra todos. Ele falava que nada dura pra sempre, tudo precisa mudar – e isso causa dor porque não entendemos ou não vemos porque essas coisas acontecem. E também falava que é preciso tomar cuidado com a escuridão, com a tristeza e o desespero em que nos metemos (make you sour, and what is more, that is not what you are here foooor)

6. Porque ele tem bom-humor. MUITO bom-humor. Sim, a vida é foda, a vida é injusta, mas ficar sofrendo não ajuda em nada. Encarar a vida rindo dela dá muito mais certo, e George sabia fazer isso. Apesar de religiosas, as músicas dele são animadas, e ele simplesmente adorava colocar algum verso engraçado ou fazer alguma piada nas músicas. As raras entrevistas que ele dava mostravam esse bom-humor dele. Ele era amigão dos caras do Monty Python (tanto que eles participaram do Show em homenagem a ele), chegando até financiar o Vida de Brian, filme dos Pythons. Aliás, ele participa do Vida do Brian! =D

7. Porque ele é/era um ser humano incrível. Claro que ele não era perfeito, o cara tinha altos defeitos, fez altas cagadas…mas ele tinha a noção de que a gente tá nesse lugarzinho estranho chamado Terra, então porque não se esforçar ao máximo, e também aproveitar ao máximo? Pra que se contentar em ser tão pouco quando podemos ser tanto? Porque não se arriscar? Ele queria chegar até Deus, e moveu cada célula do corpo em busca dessa iluminação. Mas não bastava isso, ele queria trazer o resto do mundo (senão não vale a pena, sacam?)…por isso os discos, as músicas, os shows. Ele queria dizer algo pro mundo, passar a mensagem dele e se esforçar pra melhorar esse lugar e essas pessoas um tantinho que fosse.

(Li essa história ontem e achei legal pra caramba…aqui vai ela):Traveling Wilburys era uma superbanda composta por George Harrison, Bob Dylan, Roy Orbison, Jeff Lyne e Tom Petty que fez um sucessozinho considerável no fim dos anos 80, e que surgiu da forma mais absurda possível. George O-Hara precisava gravar um lado b pra música Cloud Nine, e ele e o produtor Jeff Lyne tavam trabalhando nisso. Aí o Jeff Lyne também tava produzindo um álbum do lendário Roy Orbison, e sabe-se lá porque cargas d’águas os três foram almoçar juntos. O Roy Orbison fica sabendo da parada do lado B que o George precisava gravar, e se propõe a gravar backing vocais pra música – logo depois do almoço, porque não? O George topa, mas ele tem que buscar a guitarra na casa do Tom Petty. Aí chegando lá, os três babacas contam a história pro Tom Petty e também convidam ele pra participar. O loirão topa também, mas agora falta um estúdio. Estúdio, estúdio…ah, tem o do Bob Dylan, na casa dele. E lá vão os quatro desocupados pra casa do Bob Dylan, que deve ter dado risada ao ver aquele bando de velhotes juntos. Eles se sentam no jardim e começam a compor a música (Harrison teria virado pra Bob Dylan, que tava só olhando pra cena, e dito “Ei, senhor liricista famoso, porque não vem aqui e escreve uns versos pra gente?”), e o George decide escrever um refrão apropriado pro Roy Orbison botar o vozeirão pra trabalhar, e também uma parte pros fanhos profissionais (Tom Petty e Bob Dylan) se esgoelarem. A música ficou tão boa, mas tão boa que o carinha da gravadora disse que seria um desperdício usar ela como lado B, e mandou eles gravarem um álbum inteiro. E assim nasceu os Traveling Wilburys =D.
(Errr, o nome da música dos Wilburys é Handle With Care. Aliás, Harrison tirou o nome da música de uma caixa que tinha na garagem de Bob Dylan XD)

Nicolas

O mais difícil foi convencer o Departamento de Leis da Física. Você simplesmente não pode sair por aí quebrando trocentas leis da física, violando todos os conceitos aceitos de tempo e espaço de uma única vez, nem que seja por uma boa causa. E convencer o Departamento que era uma boa causa também não foi bolinho. Nicolas já estava há três horas na fila, entre um sujeito grandão que usava cueca vermelha por cima da roupa azul e um baixinho num uniforme vermelho e azul estilizado com teias de aranha. Será que ele deveria colocar algum detalhe em azul na roupa? Parecia estar na moda…mas ele gostava tanto de vermelho e branco. Ah, ele não estava mais na idade de ligar pra essas coisas…bom, era uma idéia a se pensar. O display do último guichê acendeu com o número da senha dele. Ele já tinha passado por cinco filas antes dessa, cinco subdepartamentos diferentes.
- Pois não?
- Ééé…requerimento. – Nicolas entregou a papelada pra mulher, e cruzou os braços apoiado no guichê. A mulher lia as páginas rapidamente, sem nunca desfazer a expressão de saco-cheio que ostentava no rosto.
- Hummm…o senhor quer viajar a 3.47 velocidade-luz, durante….um dia inteiro. Uma vez no ano?
- É isso.
- Exame de vista tá aqui…exame psicotécnico…o senhor bebe?
- Não, senhora. Também não fumo. Nem uso nenhum medicamento.
- Ceeeerto. Ahn….
- Algum problema?
- Aparentemente não…mas…ahnnn….só um minuto.
Duas horas depois a mulher volta. É café aquela mancha na blusa dela?
- E pra que o senhor quer viajar a 3.47 velocidade-luz todo dia 25 de Dezembro?
- É pra fins de caridade.
- Caridade?
- ….caridade. Entregar presentes pra criancinhas que foram boas o ano inteiro.
- Hmmm…
- Sabe, a gente vê sempre na televisão essas campanhas de voluntariado, e eu pensei “porque não?” e…
- Certo, certo, senhor. É que requerimentos de quebra de lei voltados a fins de caridade são manejados pelo Subdepartamento E-17, no quinto andar. Obrig…
- MAS aqui vocês cuidam de que tipos de requerimentos?
- Requerimentos de quebra de lei voltados a fins de heroísmo, super-heroísmo e luta pelos direitos dos homossexuais. Obrigado e tenha um bom dia.
Nicolas cogitou se não seria interessante voar num trenó puxado por renas lutando pelos direitos dos homossexuais, mas Mamãe Noel nunca entenderia. E depois dá-lhe piadinhas entre os gnomos. E lá foi Nicolas mais uma vez para a escadaria. Droga de lugar sem elevadores…
——
A fábrica causou menos dores de cabeça. Inicialmente seu empresário deu a idéia de instalar uma enorme fábrica de brinquedos em um antigo prédio abandonado em São Paulo, e contratar coreanos para trabalhar. Capital inicial mínimo, sem preocupação com direitos trabalhistas, o nome dele não estaria em lugar nenhum, não haveria risco. Nicolas não entendia muito bem daquilo tudo, e o empresário não parecia entender que seria uma fábrica de brinquedos sem fins lucrativos. Ele falava em expansão de mercado, de como o comércio de produtos frios era quente…alguma coisa na voz do empresário incomodava Nicolas, e ele o despediu. “Ah, então monta uma fábrica no Polo Norte!! E contrata gnomos pra trabalhar pra você, velho imbecil!!! HAHAHAHA!!!”. Hmmm….
——
As renas voadoras. Renas são animais muito ligados ao chão onde estão pisando, e que geralmente não desobedecem a lei da gravidade. Mamãe Noel reclamava que ele deveria ter escolhido algum pássaro já acostumado a voar, mas nãããão, Nicolas tinha que fazer tudo do jeito dele, e do jeito mais difícil. Se ela soubesse que ele ficaria assim quando ficasse velho, teria seguido carreira de enfermeira e tudo estaria bem. Não estaria morando no Pólo Norte, dividindo a casa com trezentos e noventa e quatro gnomos, não teria que acordar as cinco da manhã pra fazer café pros gnomos, diabos de velho não presta nem pra contratar empregadas, e o que ela estava ganhando com isso? Eles só estavam perdendo! A conta no banco Polar tava quase chegando no vermelho, e tudo que Nicolas fazia era ficar o dia todo montando brinquedos com os gnomos, ou então falando com as renas. Diabos de renas, pra que renas voadoras? Qualquer pássaro idiota voa, e deve custar mais barato que essas renas! Papagaios! Araras! Pelicanos! Andorinhas! Andorinhas tem de monte em tudo que é lugar, mas nãããõoo, Nicolas tem que…
E então as 8 renas e Nicolas saíram voando.
E só voltaram no dia seguinte, mas mandaram Rudolph (uma rena afrescalhada, do nariz vermelho) ir na frente pra ver se o ambiente estava mais calmo.
——

No Way

Save a prayer pros pequenos segredos que só você conhece.
Pras pequenas coisas que só fazem sentido pra você.
Pras músicas que todos ouvem e só você entende.
Pras músicas que ninguém ouve e só você entende, do mesmo jeito.
Pras piadas que o mundo te conta e só você pode rir, baixinho e entre os dentes (porque ninguém acharia graça).
Porque no meio da noite, quando todo mundo já foi dormir e tudo que resta é você é você mesmo, são essas coisas que realmente importam.
São elas que fazem você sorrir escondido no escuro, aquele sorriso de gato da Alice gigantesco e onipresente.
São elas que não deixam você esquecer de quem você é, e te lembrar que só você sabe quem você é.
;^)

’cause i’ll stop trying to make a difference
i’m not trying to make a difference
i’ll stop trying to make a difference
…no way