
(Introdução de um livro que eu tô lendo – Small Gods, do Terry Pratchet. Depois eu falo mais sobre ele, é beeem legal…e agora na metade do livro essa introdução finalmente começa a fazer sentido =D)
“E AGORA considere a tartaruga e a águia.
A tartaruga é uma criatura terrestre. É impossível viver mais perto do chão sem estar debaixo dele. Seus horizontes estão há alguns centímetros de distância. Tem velocidade e desenvoltura o suficiente pra caçar uma alface. Ela sobreviveu enquanto o resto da evolução fluía através dela, sem ameaçar ninguém e sendo problemática demais para se comer.
E então tem a águia. Uma criatura aérea e das grandes alturas, cujos horizontes se estendem até os cantos as bordas do mundo*. Olhos bons o suficiente para perceber a menor movimentação de qualquer criaturazinha à meia milha de distância. Toda poderosa, toda controladora. Asas e garras feitas para se fazer almoço das criaturas menores que ela e pelo menos um lanchinho reforçado das criaturas maiores.
E mesmo assim, a águia se senta por horas no alto do rochedo e observa seu vasto reinado até perceber um pequeno movimento lá longe. Ela então ela focaliza, focaliza, focaliza no pequeno casco se mexendo entre os arbustos secos no deserto. E ela salta…
E meio minuto mais tarde a tartaruga vê o mundo caindo dela. E ela vê o mundo pela primeira vez, não mais a uma polegada do chão mas vários metros acima dele, e ela pensa: que grande amiga eu tenho na águia!
E então a águia a solta.
E quase sempre a tartaruga despenca pra morte. Todos sabem porque a tartaruga faz isso. Gravidade é um vício difícil de ser largado. Ninguém sabe porque a águia faz isso. Tartarugas são gostosas mas, considerando o esforço envolvido, é melhor comer praticamente qualquer outra coisa. Simplesmente as águias se comprazem em atormentar as tartarugas.
Mas é claro que a águia não percebe que dessa forma participa de uma forma muito brusca de seleção natural.
Um dia uma tartaruga aprenderá a voar.”
* – LITERALMENTE os cantos as bordas do mundo, porque o mundo onde se passa essa história é um disco. Sim, um disco, um enooorme disco. Apoiado sob as costas de quatro elefantes. Que por sua vez estão nas costas de uma tartaruga (a grande An’ Tuin’) que nada tranquilamente por um universo composto de infinitas outras tartarugas e elefantes e mundos em forma de disco. Não, eu não sei qual o problema que o autor tem com tartarugas =(.