Siderado

*Post filosófico nº 1754824516*

Porque eu tenho perguntado perguntas por aí.
Andei revirando as gavetas e desmontandos os armários, procurando por respostas pra (quase) todas as perguntas que valem a pena de serem feitas.
(Porque você tem que perguntar as coisas que não sabe. Conhecimento não vai aparecer milagrosamente dentro da sua cabeça, nem o correio vai entregar em menos de 24 horas via sedex.)
Mas nada é de graça, exceto as coisas mais importantes. Respostas são obtidas em forma bruta e você tem que bater nelas – com uma picareta ou com a cabeça mesmo – pra separar a pedra da jóia.
Minha testa tem doído mais do que o normal, mas isso é bom.

“Se duvidar, eu tenho mais de um mar de provas…se duvidar, eu tenho mais de um mar…”

Eu tenho pensado mais do que o normal e menos nos assuntos e problemas de sempre. Ou talvez sejam as mesmas questões refeitas com palavras diferentes? Ah, safadas.
Tenho ouvido músicas diferentes e sons estranhos, e tudo parece tão…familiar.
(Na maioria dos meus sonhos o prédio aparece, e eu acho que sei o que ele significa. Elevadores, escadas, janelas, apartamentos, só querem dizer…nah, isso aqui é meu)
Tenho andado por aí, saí pra ver o que é meu. Fiz as pazes com essa cidade, porque um dia não tão longe assim eu irei embora dela e é melhor não guardar mágoas. Vi os prédios de armazéns abandonados que margeavam o trilho do trem, e vi um espantalho pescando num córrego, e vi um japonês de cabelo verde.
Tenho me isolado mais do que o costume e me aberto mais do que o costume. Procurando o sentido da palavra “humanidade”. Tentando entender porque falam tanto sobre os tons de cinza, porque eu vejo é um turbilhão de cores num mundo que só é do tamanho da palma da minha mão se a palma da minha mão for do tamanho do mundo. Eu tenho ouvido o relógio tiquetaquear e ele me diz que eu tenho todo o tempo do mundo, por isso não perca tempo. Tenho tentado levar a vida a sério e descobri que só posso fazer isso se fazer de tudo uma enorme brincadeira. Eu só posso ser um adulto se eu for uma criança. Só posso ser especial se eu for simples. Só posso entender a vida se primeiro aceitar que ela não precisa ser entendida. Entendi que cada pessoa tem suas próprias respostas e perguntas. Entendi que você pode ouvir e ler e assistir tudo, mas é fácil perder a mensagem mais importante entre os efeitos especiais e os solos de guitarra. Entendi que existe um poder enorme escondido na maneira como você interpreta o mundo.

“Se duvidar, eu tenho mais de um mar, e Ê!”

Mas eu não descobri nada disso sozinho. Nenhuma dessas grandes descobertas teria sido feita sem a ajuda insuspeita de alguém falando ou fazendo algo. Nenhuma dessas descobertas seria importante sem essas pessoas todas. É fácil odiar o mundo e a maneira estranha das pessoas, oscilando entre atos angélicos e ações demoníacos em intervalos de segundos. É fácil dizer “dane-se” e pintar o quarto de preto e comprar uma camiseta com frases e ouvir bandas revoltadas. Não é nada fácil dizer “vamos resolver essa porra” e abrir as janelas pro sol entrar. Mas a gente tenta, e no final tudo vale a pena.
E é isso.

“Se duvidar, eu tenho mais de um mar de provas…se duvidar, eu tenho mais de um mar…
Se duvidar, eu tenho mais de um par de trovas…se duvidar, eu tenho mais de um mar…

(E não dá pra olhar o mundo com os olhos abertos sem dar risada…não risada de “ah, que ridículo”, mas risada de “putz, é mesmo…”. Hehehehe…)

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- E aí eu fiz minha matrícula ontem, depois de muito pensar e repensar e fingir que penso e não pensar mas fazer cara de quem tá pensando se pensa ou sai da moita. Achei que minha situação esse ano ia ser a) mais complicada e b) mais sossegada (sim, sim, contradições, e daí?), mas na verdade tá tudo…ahn…certo. Faltam não-muitas-mas-não-tão-poucas matérias obrigatórias, a maioria matérias completamente idiotas e ridículas (mais sobre isso no próximo tópico), tanto que se eu fizer todas as que eu posso fazer esse semestre sobra UMA única matéria pro semestre que vem. Mas aí vem que me faltam 20 horas de matérias optativas (alguém tá entendendo? Não, né? Ah, mas e eu com isso?), 10 das quais eu pretendo eliminar nesse semestre. Aí…aí…bom, resumindo, eu ficaria com 40 horas semanais nesse semestre e 20 no próximo. Como eu parei com essa história de masoquismo, decidi fazer umas 32 horas nesse semestre e 28 no próximo. Fica mais sobrevivível, e até dá tempo de arrumar estágio (quem sabe) no próximo semestre.

- Matérias inúteis que eu falo são matérias não relacionadas a engenharia mas que a gente tem que saber. Por exemplo, Ciências Jurídicas. É imprescindível que um engenheiro formado saiba falar “Ah, mas essas coisas explodem o tempo todo, e a culpa é minha??” sem piscar, ou ainda mandar um “Irregularidades?? Esse Audi TT eu ganhei com o meu salário de pós-formado!!” com o mesmo risinho cínico do ACM. Ok, sem ironia agora. Não são matérias inúteis, é bom saber dessas coisas (noções de direito, administração, economia, eng. de segurança)…eu falo “inúteis” porque são matérias que não são levadas muito a sério pelos alunos (eu incluso, admito).

- Continuando. Ah, peralá. Tipo, o cara nega que é nerd desde sempre. Tudo bem, não quer admitir, não admite. Mas aí o pai do cara chega numa comunidade no orkut e fala em alto e bom som que “o filho não tá no orkut pq só usa o pc pra ler comics e assistir cavaleiros”. E ainda admite que o maior sonho do garoto é ser Lanterna Verde!!!! Hahauahuhaa…virei fã do Postinho depois dessa. E antes que eu me esqueça: Ursinhooooooooooooooooo!!!

- Continuando. Ah, peralá. Mariaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!! Corre que a mãe qué pulá da janeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeela!!!

- Continuando. Hmmm…eu ia falar mais alguma coisa…ou não? Bom, fica pro próximo =D.

Pieces to omit are mine

Meu irmão comprou outro disco de vinil pra mim =D! Tá certo que esse foi por encomenda, mas tá valendo…O disco que eu ganhei foi esse aqui, ó:

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Cloud Nine, do George Harrison. Nuvenzinhas, Rickenbacker velha de guerra, óculos escuro (??), roupticha anos 80 (???), sorrisão “Não gostou? Vem me pegar, I was a Beatle!”. Ha, podem falar o que quiser, mas eu acho essa capa estáile. E esse disco é bonzão, um dos melhores do Harrison.
Legal que esse veio com capa interna e “encarte”, com altas fotos incriminatórias. Tem o Ringo tocando bateria com cara de foto de família, tem o Ringo fazendo cara de Ringo (ah, convenhamos, ele é foda), tem o Jeff Lyne (suponho que seja o Jeff Lyne) com um cabelo e óculos escuros que deveriam ter sido enterrados junto com Chernobyl, tem o Eric Clapton sentado do ladinho (uiui) do Elton John. É, esse povo todo toca no disco =D.
Mas o melhor do disco é a poesia…meu irmão comprou o disco num sebo, logo então o disco teve um outro dono antes de mim. O dono anterior em questão é o “Jhoni”, e o “Jhoni” deixou sua marca no disco: uma poesia, bela e singela (sem rimas nem métrica…ainda não consegui classificar o estilo literário do Jhoni =/ ). Com vocês, a poesia do Jhoni:

“Talvez um dia
Serei dono de mim mesmo
Se esse dia chegar
Quero pedir
Pra algum passarinho
Me ensinar alguma coisa

Um dia
Perguntarei para as águas
Como se faz
Para driblar tão calmamente
As pedras do caminho

Quem sabe o sol
Vai dizer porque
É sempre o mesmo
Apesar de tudo

Quem sabe a lua
Vai ensinar também
Como faz para viver
Sem fazer força

Jhoni, 20/01/91, Mirassol/SP/Brazil (com z)”

(Sim, ele que escreveu “com z”. Internacional, entendem? Não sei porque, mas eu acho que Jhoni usava óculos rayban…=/ )