Rocky Balboa fazia parte da minha lista de filmes que eu definitivamente não veria no cinema. Quando eu era moleque nunca assisti a um filme do Rocky (ok, meus heróis da sessão da tarde 80 eram o Schwarza e o Bruce Willis), e convenhamos, um filme de luta com um senhor de 60 e tantos anos não parece prometer muito. Mas eu estava enganado, e fico feliz por isso =D.
Preso em Rio Claro, esperando o ônibus que só chegava às 11 da noite, a melhor opção era aproveitar dia de meia-entrada no cinema do shopping. Tava passando um filme interessante sobre um assassinato, o filme da Grande Família que parecia ser engraçado (e que assisti depois, e é realmente legal), um filme com o Ben Stiller, e ele. Ele lá, com o braço para o alto, comemorando uma possível vitória, no alto da escadaria antológica do primeiro filme, mas agora estava nevando, e ele lá, com o bração pro alto, como se ainda fossem os anos 70. E a pequena legenda no cartaz: “It ain’t over ’til it’s over”. Foi o suficiente pra que eu me arriscasse. Vai lá, Sly, estraga a minha noite!
Mas que nada! O filme acerta em cheio e Stallone sabe o que faz, pelo menos tratando-se de seu melhor personagem. Rocky não pretende ser mais do que ele é: um velhote grandalhão desengonçado, mas com um coração de ouro. Adrian morreu, seu filho não consegue lidar com a fama do pai, a menininha que xinga ele no primeiro filme agora tem um filho adolescente, e o boxe parece uma memória distante e ao mesmo tempo onipresente. Mas essas coisas não impedem que ele seja um cara legal, nem de segurar as pontas das várias pessoas que vivem ao seu redor. E aqui você acha que Stallone é um bosta como ator, e se engana redondamente: o Rocky velhão dele tem vida própria, e é simpático pra burro. Como um sujeito esquisito porém muito gente boa, você demora um pouco pra se acostumar com os trejeitos e piadas sem graça que ele faz, mas depois de meia hora ele é o seu melhor amigo desde sempre. O filme se concentra em Rocky e em como ele lida com a velhice, como ele faz pra seguir em frente. Perto disso, a luta é secundária…e ao mesmo, fundamental. Hmm. Vai entender.
Esse é o Rocky, e ele não precisa provar nada pra ninguém, mas mesmo assim ele ainda tem “coisas no sotão” de que precisa se livrar. Uma luta virtual exibida pela televisão é a deixa para que ele se levante mais uma vez pra mostrar quem é que manda. E está tudo lá: cenas de treinamento com direito a músiquinha mais do que clássica e subida das escadarias, momentos de tensão pré-luta, a luta em si contra o fodão campeão-imbatível-porém-sem-graça…E poxa, é impossível não vibrar. Cada golpe acertado por Rocky é uma vitória, é um “vai, você consegue!”, é um “eu te falei que ele conseguia!”. Mesmo sabendo (ou achando saber) o final, não dá pra não ficar na ponta do assento enquanto a luta acontece. E então o filme acaba, e…e ei, não foi tão mal assim. Na verdade, não foi nada mal.
Foi ótimo, pra dizer a verdade, melhor que muitos filmes mais profundos e mais “bem-feitos”, porém frios e negativos. O que Rocky não tem em “arte” é compensado em calor humano, em simplicidade e em mensagens simples e positivas. É um filme simples, bem sessão da tarde mesmo, e deve ser visto como tal. Porém, ha, porém não deve ser menosprezado, como eu mesmo tentei fazer, porque quando menos se espera o velho Sly tira mais um soco do sotão e acerta em cheio.
