2008 + 1

2008 já tá arrumando as malas e se preparando pra ir embora. 2008 foi muito bom, um ano cheio de novidades, mudanças, cidade nova, trabalho novo, pessoas novas, ambientes novos e tudo mais. Grande ano, 2008. Gente boa mesmo.

2008 começou com o fim do susto. O susto foi algo que aconteceu na minha família, e embora eu queira falar sobre isso (porque foi marcante pra caralho e mudou bastante minha visão de mundo), ainda não é a hora. O importante é que acabou, deu tudo certo, todos vivos e com saúde novamente. E logo em seguida eu fui pra Salvador de mala e cuia, morar com meu pai e trabalhar numa firma de engenharia. Eu, um moleque do interiorrr, indo morar numa capital de 3 milhões de habitantes, dois mil quilômetros distantes de casa, cultura e comportamento bastante diferentes do que eu estava acostumado. Passados mais de 9 meses que eu estou lá, eu ainda me sinto um pouco Arthur Dent passando de situação absurda em situação absurda. Já me acostumei com a cidade, já sei andar de ônibus pra praticamente qualquer lugar, já entendo boa parte das gírias e terminologias baianísticas, já sei não parecer um turista. Mas ainda assim eu sei que sempre vou ser de fora, porque minha casa é o faroeste paulista. Em 2008 eu aprendi que eu sempre vou ser um garoto do interior, e que eu prefiro ser assim.

Em 2008 eu também comecei a trabalhar, e descobri algo que eu sempre soube mas nunca disse em voz suficientemente alta, e todo mundo sempre me disse mas eu ria e mudava de assunto: eu não gosto de engenharia elétrica, e não quero trabalhar com isso por toda minha vida. Na verdade eu preferiria não trabalhar com isso por nem mais um segundo, mas não é assim que funciona. Meu problema é: eu tenho um monte de interesses, e nenhum deles tem nada a ver com engenharia. Eu não tenho interesse em saber o funcionamento do processo da planta, não ligo para o andamento do projeto, não dou a mínima pro planejamento, quero que o pessoal em campo se foda…tudo que eu quero no escritório é ficar quieto na minha mesa, lendo blogs ou desenhando no illustrator. Se eu continuar me enganando eu vou me tornar um péssimo profissional, amargurado e desconsolado da vida.

Então eu tomei uma decisão: vou continuar na firma por mais um tempo, por uns seis meses ou até um ano, e economizar o máximo que eu puder. Chega de livros, jogos, gadgets, compras impulsivas, pizza todo dia e o escambal. Quando eu tiver juntado o bastante, vou pedir demissão e voltar pro interiorrrr de sumpaulo, fazer faculdade de programação. Ainda estou levantando as opções, fazendo estudos e descobrindo quanto que eu preciso pra essa brincadeira, mas a decisão foi tomada. 2009 é o ano que eu viro garoto de programa de uma vez por todas.

E é isso! Wish me luck, e um ótimo 2009 pra todos vocês!

Hold Steady!

E eu acabei ganhando uma banda de Natal! Se o Buffalo Tom são os discípulos perdidos do Dinosaur Jr., o Hold Steady são os discípulos perdidos do Replacements. Claro que com diferenças: o som mais limpo e trabalhado, o clima um pouco mais animado, as letras um pouco mais escuras, a presença de um piano se engraçando com as guitarras, um quê de Bruce Springsteen (!!!). Mas a alma dos Replacements permeia o som deles, e é legal demais. E eu achava que esse tipo de música tinha sido varrida do mapa…yay para as bandas de college rock que ainda sobrevivem.

“Ela beijava como ninguém, e não era uma cristã muito fervorosa
Ela dançava como ninguém mas não era uma namorada muito boa
Ele gosta da sensação de calor mas está cansado dessa sede toda
A maior parte das noites é clara como cristal,
Mas hoje à noite é como estar preso entre duas estações de rádio”

Um Natal Noir Para Todos!

Ela não era meu tipo habitual de cliente. Meu escritório sujo e bagunçado em um velho prédio no centro da cidade era testemunha que noventa por cento dos meus clientes eram femme fatales, enquanto que nove por cento eram encarregados das femme fatales. O um por cento restante ficava para os clientes não habituais. Como a sra. Noel.

A primeira coisa que notei quando a Sra. Noel entrou em meu escritório foi sua predileção pela cor vermelha. Caso Sra. Noel se parecesse com Jessica Rabbit, eu diria que tal predileção era uma coisa boa. Mas Sra. Noel se parecia com Dona Benta. Sra. Noel era incrivelmente parecida com Dona Benta. Enquanto eu pensava nisso, Sra. Noel me falava sobre seu marido, e sobre seus hábitos estranhos que se acentuavam conforme o ano ia chegando ao fim. Quase no fim de dezembro, o Sr. Noel tirava seu velho trenó da garagem e sumia por uma noite inteira. No começo sra. Noel não ligava, porque Noel era um bom marido, não bebia, não jogava, não encostava um dedo nela. Mas todo maldito ano ele sumia por uma noite, e nunca falava pra onde ia, nem com quem ia estar, nem nada. Pegava a merda do trenó e ia. Se dona Noel perguntava alguma coisa, ele desconversava e ria:

- Ho, ho, ho!

Até que a sra. Noel se cansou dessa história, e resolveu procurar ajuda. E eu jamais recusei dinheiro nessa vida, nem mesmo dinheiro da Lapônia. Sra. Noel havia aparecido em meu escritório há dois meses atrás, e agora ela estava de volta.

- O senhor conseguiu descobrir alguma coisa?

Uhum.

- Eu vou gostar do que o senhor vai me contar?

Hmmm…

- Quem é a vagabunda?

Agora vinha a parte difícil. Não posso dizer que Noel era o cara mais estranho que já vi, porque no meu ramo você vê coisas que não se vê nem na internet. Mas ele se esforçava, e convenhamos, a sra. Noel era uma porta. Era um porta porque tinha uma maldita fábrica de brinquedos funcionando no porão da casa dela, produzindo o ano inteiro e movida à elfos escravizados, e ela nem desconfiava. Na noite do dia 24 o sr. Noel violava metade das leis da física conhecida e saia num trenó voador com todos os brinquedos que os elfos fizeram durante todo o ano. E o que ele fazia com os brinquedos…

- Crianças?

- Sim.

- Está dizendo que o meu marido está envolvido com crianças?

- Não do jeito que a senhora está pens…

- Quantas?

- Bem…pelo que as renas disseram…

- Quantas??

- Praticamente todas as crianças do mundo.

Sra. Noel acabara de aprender que ignorância é benção, sentada na cadeira do meu escritório empoeirado. O que ela ia fazer com o que descobriu, e o que o sr. Noel ia explicar pra ela ou pras autoridades, não era do meu interesse. Eu queria saber mesmo era onde eu ia trocar esses dólares lapônienses.

A Besta de Gévaudan

Assuntos sobrenaturais sempre foram um tema recorrente em minhas pesquisas pela internet. Desde a época da internet beta eu venho lendo sobre todo tipo fenômeno paranormal que eu consigo encontrar, e um dos primeiros temas que eu me deparei ainda nos primórdios da internet foi a criptozoologia, que seria o estudo de criaturas legendárias como o Pé-Grande, Monstro do Lago Ness, o lendário Thunderbird, Mokele-mbembe, MothMan e muitos outros. Mas a criatura que eu sempre achei mais interessante é a besta de Gévaudan, não porque é o caso mais interessante ou exótico, mas porque a sua existência não é negada pela história: ela é de fato aceita.

Uma descrição do animal feita na época dos ataques.

Uma descrição do animal feita na época dos ataques.

A besta de Gévaudan é uma criatura legendária que aterrorizou a cidade de Gévandan na França entre os anos de 1764 e 1767, matando mais de 100 pessoas (apesar de apenas 60 casos podem ser inquestionavelmente atribuídos ao animal). O interessante desta caso é que não existe dúvidas sobre a existência da besta no ponto de vista histórico: os ataques existiram e foram documentados, os corpos das vítimas foram achados e estudados, as vítimas que sobreviveram descreveram o animal que os atacou, e posteriormente o animal foi caçado, morto (duas vezes) e teve seu corpo exibido (duas vezes).

O animal foi descrito na maior parte das vezes como um lobo do tamanho de um cavalo. A cabeça era mais marrom do que o resto do corpo, com a mandíbula sempre aberta, orelhas curtas e retas, peito grande e branco, o rabo longo, espesso com a ponta branca. Suas as garras eram tão grandes que algumas testemunhas chegaram a dizer que ele tinha cascos ao invés de patas. Só as garras das patas traseiras podiam ser avistadas, já que as patas da frente eram cobertas pelo pêlo do animal. A cor do animal era um fator de discordância entre as testemunhas (afinal, é díficil prestar atenção em tantos detalhes quando um lobo gigante está tentando mastigar a sua cabeça). Um fato interessante é que a besta tinha um comportamento muito peculiar, diferente da maioria dos predadores que atacam na jugular ou pernas para abater a presa e depois se alimentam das coxas e/ou do abdômen. Esta criatura atacava a cabeça das vítimas, esmagando ou arrancando-as, e na grande maioria das vezes não se alimentava delas. A besta não atacava outros animais, sempre preferindo humanos, sendo que na maioria dos ataques as vítimas eram mulheres e crianças. E em diversas situações a besta chegou a demonstrar uma certa aversão ao gado, comportamento atípico para um lupino (principalmente para um do tamanho de um cavalo).

Num determinado momento os ataques eram tão frequentes e tão fatais que era praticamente impossível para os habitantes saírem da vila e andarem sozinhos na área rural da cidade. A situação era tão insustantável que o rei se viu obrigado a tomar algumas medidas e contratou vários caçadores para abater a criatura. Acontece que mesmo um número tão ridiculamente alto de caçadores não conseguiu localizar a criatura, e só depois de vários meses um enorme lobo cinzenta foi morto e empalhado, acreditando-se que este lobo era a criatura. Algumas versões da história dizem que a primeira besta empalhada apresentada foi alterada para aparecer maior e mais ameaçadora, o que indica que o primeiro lobo apresentado como a besta de fato não era a verdadeira besta. Entretanto, várias vezes a criatura foi vista acompanhada por uma versão menor dela mesma, pelo que tudo indica uma fêmea de sua espécie.

Estátua da besta de Gévaudan

Estátua da besta de Gévaudan

Pouco depois da suposta morte da besta novos ataques começaram a ocorrer da exata mesma maneira: sempre mulheres e crianças como alvo principal, mesmo lugar e mesmo monstro. Depois de algum tempo a besta foi realmente morta por um caçador local chamado Jean Chastel, e de acordo com lendas e alguns novelistas ele usou uma bala de prata para dar fim na criatura. Registros indicam que o animal abatido era de fato um lobo de proporções absurdas e no conteúdo de seu estômago fora achado restos mortais de uma garotinha. O corpo foi então empalhado e apresentado ao rei, mas devido ao péssimo trabalho de taxidermia o processo de putrefação não foi interrompido e o animal teve então que ser enterrado.

Existem diversas teorias a respeito da origem do monstro. Alguns dizem que era um leão que fugiu de um circo, um lobo anormalmente grande, uma hiena, um palhaço, extraterrestres, ou ainda algum animal pré histórico. Também há relatos de que antes dos ataques da besta um homem peludo sempre dava as caras na cidade, fazendo muitos pensarem que a criatura poderia ser na verdade um lobisomem. Mas o legal da história é que se você levar em consideração os relatos da aparência do animal, o monstro não poderia ser um lobo, por apresentar características que não pertence aos lupinos. Na verdade a besta não se parece com nenhum animal conhecido e exatamente por não parecer com nenhum animal conhecido algumas pessoas teorizaram que existiu mais de uma besta, talvez um grupo sobrevivente de Mesonychids.

Representação artística de um Mesonychid

Representação artística de um Mesonychid

Recentemente eu me deparei com uma notícia muito interessante, de que um tal de Franz Jullien, um taxidermista que trabalha no Museu de História Natural em Paris, achou no porão do Museu a carcaça que seria do animal que fora morto pelo caçador Jean Chastel. O taxidermista identificou a carcaça como sendo uma hiena listrada, muito comum na África e não tão comum na França. Acontece que eu me deparei com essa informação em um fórum de um site de criptozoologia (o que não é exatamente uma fonte confiável) e eu não consegui encontrar a notícia original na qual os usuários supostamente basearam esta informação. Entretanto eu consegui achar informações sobre o taxidermista Franz Jullien, ele realmente existe e de fato trabalha no Museu de História Natural de Paris.

Hiena listrada

Hiena listrada

Na verdade eu gosto desta teoria que a besta de Gévaudan era na verdade uma hiena que fugiu de algum circo ou coisa assim. Na época dos ataques ninguém conhecia muito bem os animais da África, e a hiena compartilha algumas semelhanças com a besta descrita pelas testemunhas. Claro que a hiena não é tão grande, e não tem o rabo tão cumprido, e nem mesmo as patas gigantescas de formato de casco, mas é bem óbvio que a descrição do animal foi exagerado pelas testemunhas oculares, principalmente se você levar em consideração que eram os meados de 1760, e que depois de um tempo a besta ganhou uma certa reputação mitológica e as pessoas passaram a exagerar mais e mais em suas descrições do tamanho, força e velocidade da criatura. E além do mais, existem um certo número de casos de animais que surtam e acabam provocando um massacre considerável de humanos.

É claro que seria muito mais interessante se a besta de Gévaudan fosse na verdade um animal pré-histórico que de alguma forma sobreviveu escondida na França até meados de 1764, ou algum lobo mutante de proporções épicas, mas infelizmente quase sempre a realidade não é tão interessante quanto a ficção.

A Saga dos Adventure Games – Parte 1/3

Os Adventure Games surgiram na era paleozóica dos computadores, quando o micro doméstico ainda estava pra ser inventado. Usando os mainframes da empresa onde trabalhava, William Crowther fez um jogo que unia suas grandes paixões: exploração de cavernas e RPG. O Colossal Cave Adventure era um jogo que usava a absurda quantidade de 300 kilobytes de memória para renderizar…uma aventura de texto. Pra molecada criada no ovomaltino e que nunca viu uma aventura de texto, é mais ou menos o seguinte: os cenários e situações são descritas em texto na tela, e o jogador descreve suas ações na linha de comando, por exemplo, “andar até porta”, “abrir porta”, “desviar dos tentáculos do grande Cthulu”. Conforme você avança, o jogo vai descrevendo o que acontece ao seu redor, como é o cenário, quais os objetos que você consegue ver e interagir. Não existe um objetivo muito claro, mas a graça principal de Colossal Cave estava na exploração dos ambientes, na descoberta de elementos fantásticos, na resolução de quebra-cabeças. Não parece muito emocionante pra quem já jogou God of War, mas acreditem, na época essa história de texto-e-linha-de-comando foi uma revolução caralhal, e tornou-se uma febre rapidamente.

A caverna que deu origem ao Colossal Cave Adventure

A caverna que deu origem ao Colossal Cave Adventure

Com o tempo, vários clones e versões de Colossal Cave foram surgindo. Em particular, um deles merece menção honrosa: Zork, The Great Underground Empire! Zork foi desenvolvido por estudantes do MIT fanáticos por Colossal Adventure, e que posteriormente formaram uma companhia para vender seus jogos: a Infocom. O jogo era ainda maior que seu “molde”: tinha impressionantezíssissimos UM MEGABYTE de memória. Isso não era um problema inicialmente, quando o jogo rodava nos mainframes das faculdades e era distribuído através da proto-internet ARPANET. Mas portar o jogo para os microcomputadores domésticos da época (que tinham lá seus dezesseis kilobytes de RAM) era uma tarefa para Chuck Norris. A solução encontrada foi inventar uma máquina virtual chamada Z-Machine, um programa que “emulava” o mainframe da faculdade, mas mantendo apenas o necessário para rodar o programa e reduzindo seu tamanho significativamente. Além disso, a Z-Machine permitia portar o jogo para qualquer sistema da época com facilidade, e isso só fez aumentar a popularidade do jogo: Zork 1 atingiu a marca de um milhão de cópias, e deu início ao reinado dos text-adventures da Infocom. Com o tempo, diversas sequências de Zork foram surgindo, assim como novos jogos com novos temas. Um jogo em particular é digno de nota: The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, desenvolvido em conjunto com o próprio Douglas Adams! O jogo é famoso pela dificuldade, já que boa parte dos puzzles só tem algum sentido para quem já leu o livro, e mesmo quem já leu o livro sofre em determinadas sequências do jogo. Como na MALDITA PARTE INFERNAL DO PEIXE DE BABEL. Hunf. Fora esses puzzles torturantes, o jogo é bem legal, tanto para quem já leu o livro como para quem ainda não conhece o estilão do Douglas Adams.

Zork I e seus belos gráficos

Zork I e seus belos gráficos

Text Adventures eram legais, e duraram bastante tempo…até alguém FINALMENTE criar vergonha e desenvolver adventures gráficos. Se você tem mais de 25 anos deve se lembrar da Sierra, né? Uma das graaandes empresas de jogos de PC dos anos 90, responsável por Caesar, Betrayal at Krondor, Lords of the Realm e vários outros. (Enquanto eu pesquiso pra escrever esse post, descobri que na verdade a Sierra não desenvolvia, mas sim ia comprando as empresas que faziam esses jogos…felasdaputa! ¬¬). Antes de se tornar uma giganta, a Sierra se chamava On-Line e foi a primeira empresa a desenvolver adventures gráficos. O primeiro jogo nesse estilo foi Mystery House, mas o primeiro JOGO feito nesse estilo foi King’s Quest. A linha de comando ainda permanecia firme e forte, mas agora ao invés de ler a descrição dos cenários e acontecimentos, você VIA com seus próprios olhos a ação acontecendo na tela, em gloriosas 16 cores numa resolução de 320×200 pixels! Fodão! King’s Quest foi um dos jogos mais ambiciosos da época, com uma equipe de desenvolvimento com 6 programadores trabalhando durante 18 meses para completar o jogo. Isso numa época em que jogos eram normalmente feitos por um único nerd trancafiado no porão da casa da mãe durante alguns meses. O jogo fez um puta sucesso, e deu origem a várias continuações e jogos no mesmo estilo porém com temas diferentes, como Police Quest , Space Quest e Leisure Suit Larry.

A revolução gráfica de King's Quest

A revolução gráfica de King's Quest

Mesmo assim, a Era de Ouro dos Adventures ainda estava por vir. Os gráficos finalmente haviam chegado, mas ainda faltava um pequeno porém indispensável detalhe para que os adventures dominassem o mundo: o mouse! Mas isso fica pro próximo post da série, onde falaremos sobre piratas, zumbis e a segunda maior cabeça de macaco que você já viu na vida.

Links, Links, Everywhere, Nor Any Drop to Drink!

A history of Adventure - Site sobre o Colossal Cave Adventure, com informações sobre os criadores do jogo, sobre a caverna que serviu de base para o jogo e com downloads – tanto o arquivo executável em DOS como o código-fonte em Fortran.

Adventure – Um clone de Colossal Cave Adventure feito em Java, pra ser jogado via web.

History of Infocom – Um resumão da história da Infocom, desde o nascimento de Zork até a dissolução da companhia.

How to Fit a Large Program Into a Small Machine – Um artigo que explica melhor como e porque foi criada a Z-Machine. Interessante pra quem gosta de programação e de arqueologia da informática.

Infocom Adventures Online – Praticamente todos os jogos da Infocom em versão Java. Único problema é que não dá pra salvar…

Hitchhiker’s Guide to the Galaxy – O adventure do Guia do Mochileiro, também em versão Java, mas com gráficos e pontos e tudo mais!

Home of the Underdogs – Um dos maiores sites de Abandoware na rede. Abandonware quer dizer software abandonado, não mais comercializados, cujas empresas já sumiram do mapa. O objetivo dos sites de abandonware é servir de repositório ou museu para esses softwares (em sua maioria jogos) que de outra forma seriam esquecidos para sempre.

DOSBox – A grosso modo, o DOSBox é um emulador de computador velho! Ele emula um sistema rodando DOS, e você pode configurá-lo pra rodar a velharia que quiser. O grande “tchã” fica por conta dos filtros gráficos, velhos conhecidos de quem joga emuladores, que conseguem fazer os gráficos quadriculados ficarem mais palatáveis.

REVIEW – Street Fighter IV

Uns tempos atrás, numa das minhas caminhadas aqui em Sydney eu topei com uma loja de fliperamas,  e essa loja  é exatamente como aquelas que eu costumava ir quando criança: barulhenta, iluminada, cheia de bugigangas eletrônicas. Claro que com algumas diferenças: o lugar  é bem limpo e extremamente amigável,  sem os maloqueiros sujos e de aparência perigosa; na verdade o lugar é cheio de estudantes, japonesinhas gatinhas estilosas (e coreanas também), trabalhadores em horário de folga e nerds em geral. Mas o que mais me chamou a atenção no lugar não foi a falta de maloqueiros ou a boa higienização do lugar, mas sim o fliperama do Street Fighter 4.

O último jogo do street fighter que eu joguei e gostei foi o “Street Fighter vs Marvel”. Antes desse jogo também existiram algumas versões 3d do jogo, mas eu nunca fui muito com a cara delas não. O street Figther 3 não foi de todo ruim, a jogabilidade do jogo era na verdade bem legal, o único problema era que todos os personagens pareciam idiotas e os únicos personagens legais eram o Ryu e o Ken. Como todos os outros personagens eram novos e não tinha mais nenhum personagem original, isso meio que tirou a graça do jogo. Os Street Fighter Alphas da vida eram legais, mas nunca me empolgaram muito não.  Mas o Street Fighter 4, meu amigo, esse sim é um bom jogo: enquanto eu jogava esse jogo eu senti como se estivesse jogando o saudoso Street Fighter 2.

Os personagens e fases são em 3d, mas a jogabilidade é a clássica jogabilidade 2d, sem frescura, puro e simples Street Fighter. Muitos personagens clássicos  estão de volta, como Blanka, E. Honda, Guile, Balrog, personagens que não foram muito usados nos recentes jogos. Eu não joguei muito na verdade, mas eu não vi nenhum hyper combo como os antigos 43 bazilhões de hits das versões mais recentes do jogo. Haviam sim alguns combos, mas eram curtos e bonitos de serem vistos, porque os personagens fazem todos os movimentos dos golpes. Mas não se preocupe, o jogo não é lento não, é até rápido, mas dá pra acompanhar os movimentos sem problemas.

Mas teve algumas coisas que eu não gostei, como a ausência dos “ultimos chefões”. Você vai direto pro ultimo chefe depois de um determinado número de lutas, chefão que por sinal não impõe nem metade do respeito que o Vega tinha em seu auge como chefe supremo. Eu não lembro o nome do tal chefe, mas ele parecia pronto pra ir para um desfile duma escola de samba, voa que nem uma franga, tem todo o estilo de uma globeleza pelada, cheio de purpurina e raio laser em volta, uma vergonha. Antes da luta ele fala algumas besteiras pra tentar impor o respeito que ele não tem, mas esse chefezinho de meia tigela criado a leite com pêra tem que comer muito fubá pra poder ser considerado um chefe de verdade.

A Tal da “Lei da Internet”

Só passando pra deixar um link pro post do Imprensa Marrom sobre a tal da lei Azeredo que supostamente iria FODER GOSTOSO com todos os usuários de internet e aparatos tecnológicos no Brasil. Vale a penar perder um tempo lendo o post, porque ele mostra o texto integral da lei, em sua nova versão reescrita e corrijida pelo Mercadante, e faz alguns comentários sobre ela. A discussão nos comentários também é bem útil, com diversas explicações e discussões sobre os artigos da lei, e mostrando que o diabo não é tão vermelho quanto pintam.

“Ah, mas a lei vai tornar CRIME o ato de desbloquear um iPhone”. Não, desbloquear um iPhone JÁ É um crime. Assim como desbloquear Playstation 2, PSP, etc e tal, já que a firmware desses aparelhos é protegida. Trocar firmware de aparelho DVD NÃO É CRIME, porque a firmware do DVD não é protegida – na verdade, ultimamente os frabricantes tem estimulado e facilitado você dar um update na firmware dos DVDs.

“Ah, mas a lei OBRIGA o provedor a me delatar pras gravadoras, caso eu baixe mp3!”. Não, não vai. Leia esse comentário aqui, o provedor só pode repassar suas informações para as autoridades caso você seja suspeito de um crime grave, por exemplo, alguém faz uma denúncia que você é um assassino serial perigoso e que mantém fotos de suas vítimas mutiladas no orkut. Trocar músicas É crime, mas não é crime de “ação pública incondicionada”. E uma coisa legal que o Gravataí esclarece é que baixar seriados não é crime. Legal, agora se eu for preso só vou precisar responder pelas mp3 e pelos jogos piratas!

“Ah, mas a lei vai tornar crime COPIAR E COLAR texto de um site” Putamerda, aí tu tá forçando a barra. Não, copiar e colar textos ou informações de um lugar, pra fazer uma citação ou sejaláoquefor, não é crime. Só é crime se a informação for protegida: se você precisar invadir um servidor, descobrir a senha e quebrar a criptografia para copiar um texto, então você tá fazendo coisa errada E SABE DISSO, ANIMAL.

“Ah, mas se eu pegar um vírus e esse vírus se auto-reproduzir pela rede, eu me torno distribuidor de vírus e POSSO IR PRESO”. Não, animal, não. Você não teve a intenção (e muitas vezes, nem o conhecimento) de passar vírus pros outros. Agora, repassar boatos pela rede deveria ser crime, assim como repassar  power points com belas imagens e lindíssimos textos de auto-ajuda (escritos por Albert Einstein e Mahatma Gandhi) deveria resultar em 40 chibatadas.