Quase Famosos

Postado por Enrique em 3 de agosto de 2008


“The only true currency in this bankrupt world…”

Pra começo de conversa…tudo! É difícil pra mim dizer o que eu gosto em Quase Famosos, porque eu gosto de tudo. O tema, a história, os personagens, os conflitos, as cenas, a ambientação, as referências, a trilha sonora. Existem diversos filmes que falam sobre música e a relação que temos com ela, mas Quase Famosos avança um passo e incorpora a música em sua genética que é impossível separar onde começa o filme e onde começa a música. A primeira vez que eu vi o filme eu tava entrando na faculdade, e meu mundo girava em torno de músicas, letras e rock’n'roll. Sabe aquela sensação que o filme foi feito pra você, tamanha a identificação? Seis anos depois, meu mundo continua girando em torno de música, e Quase Famosos continua me dando a mesma sensação. Mas é legal ver que agora eu entendo melhor alguns personagens e motivações deles, percebo algumas nuanças que passaram batidas, detalhezinhos quase imperceptíveis mas que fazem toda a diferença. E o mais legal: reconhecer quase todas as músicas tocadas e ainda sacar o que elas tão fazendo ali. Eu nunca tinha percebido “Everybody Knows this is Nowhere” tocando quando o Russell vai se chapar na festa, e é mais que apropriado.

É legal ver o avatar do Cameron Crowe, William Miller, passeando por um mundo estranho de gente esquisita, rodando o país em um ônibus velho com o resto da banda e as groupies, tentando terminar a entrevista e voltar pra casa. É legal ver ele perceber que seus heróis são pessoas como ele, cheias de defeitos e problemas e tão perdidas quanto ele. É legal ver ele tentando fazer a Penny enxergar tudo que ela não quer ver. É legal ver a banda na estrada, a busca pelo sucesso (“Make us look cool!”), o conflito de egos, mas mais importante, a paixão pelo rock servindo de combustível e evitando, pelo menos por ora, que tudo exploda. É legal ver as pessoas que orbitam a banda, as band-aids, os fãs, os roadies e managers, a chegada da manager enviado pela gravadora acompanhada pelo discurso voice-over do Lester Bangs, e é legal ver no finalzinho a Doris levando a melhor. É legal também ver a família do William, a mãe superprotetora e que assusta meio mundo com seus telefonemas perturbadores, a irmã que sai de casa e reaparece na hora H pra levar o moleque pra casa. É legal ver o Lester Bangs e suas diversas frases de efeito e discursos sobre o rock, e é dele a melhor frase do filme. É legal ver o balé desastroso entre o Russell e a Penny, é legal ver o William tentando intervir e só quebrando a cara, e é extremamente legal ver a solução que a Penny encontra no final pra unir as pontas e fechar a história.

Quase Famosos é um filme sobre música e as pessoas que vivem dela, seja no sentido de trabalhar com ela, seja no sentido de depender dela, categoria em qual me encaixo. Existem alguns filmes desse tipo, como Alta Fidelidade, mas poucos tem tanto “coração” e “alma” quanto ele. Não dá pra evitar sorrir depois de ver o filme, mesmo que nem tudo tenha dado certo pra todo mundo. Esse é o grande “tchã” do Cameron Crowe, numa época de filmes cada vez mais sombrios que retratam toda a escuridão negra da soturna alma sombria do homem, ele ainda é capaz de ser otimista e contar histórias que não te façam querer cortar os pulsos. E eu sou da opinião que gastar 2 horas da sua vida pra ver toda a escuridão negra da soturna alma sombria do homem é bobagem.

“…is what you share with someone else when you’re uncool”


Um Comentário to “Quase Famosos”

  1. Carolina disse:

    ah, gostou mesmo de ser crítico de cinema…e esse até eu já vi (claro que super atrasada…vi tipo ano passado /af)

Leave a Reply