Sobre Assassinos dos anos 80

Este não é mais um post sobre a mítica menina do aeroporto. Não, não a mencionarei, ainda que ela ainda povoe meus sonhos e aqueça meu coração nas noites frias de…Errrrr, ok. Mas o Jung continua pendurado, veja bem. Esse é um post sobre assassinos, com guitarras.

Semana passada saiu o disco novo “Day and Age”, o novo disco do The Killers. Eu esperei por um bom tempo por esse disco, não porque eu quisesse ouvir, mas porque comprovaria uma teoria minha. A teoria é mais ou menos assim:

“Dada uma banda X, que tenha feito o disco Y que agradou os fãs mas desagradou os críticos por n+1 motivos, onde n é o número de hemorróidas dos críticos. O disco Y+1 da banda X, numa tentativa de agradar os críticos, tem 90% de chance de ser uma merda por se esquecer de tudo que foi legal no disco Y“.

Meu primeiro experimento para tentar comprovar essa teoria foi com os Fratellis. O primeiro disco do Fratellis foi fantástico: um autêntico rock de cabaré, burlesco e mambembe e vários outros adjetivos relacionados a cabarés. Mas os críticos não gostaram, e no segundo disco os Fratellis viraram mais uma banda tentando emular os Arctic Monkeys (tá certo que eles sempre tentaram isso, mas eles tinham um diferencial que foi esquecido no segundo disco). E meu segundo experimento foi com o The Killers. *sigh*

Eu cheguei tarde na onda do The Killers, eu confesso. Só me interessei pela banda depois que joguei Guitar Hero III, que tinha “When You Were Young”. Eu comecei a banda pelo segundo disco, “Sam’s Town”, que eu considero um dos melhores discos lançados nessa década. O grande tchan de Sam’s Town é esse ar de revelação espiritual no meio de um cassino; é um disco gravado por um Bruce Springsteen nascido no ambiente sujo e sem vergonha de Las Vegas; é o que o U2 teria se tornado se Rattle and Hum não tivesse abalado a confiança deles. É um disco onde tudo é grandioso, dos arranjos até as letras, tudo é exagerado, tudo é maior do que a vida, é tão fora de escala que chega a ser ridículo. Mas o rock é ridículo por natureza, então quem estamos querendo enganar? É música pra ouvir no volume máximo, pra berrar bem alto quando ninguém estiver olhando, “AND IF ALL OUR DAYS ARE NUMBERED…then why do I keep counting?”.

Lógico que a crítica odiou. Quem são os Killers, pra quererem ser levados a sério? Quem são os Killers, pra pagar de Bruce Springsteen e falar sobre fugas de cidadezicas e sonhos destruídos? Quem são os Killers, pra tentar escapar do rótulo “retro new wave” que demos pra eles? Pra onde eles acham que vão com toda essa pompa e glamour, com esse heroísmo de cassino, quem diabos eles são? Aonde estão aqueles garotos que cantavam sobre o Sr. Ladobrilhante? Não, não, nós construímos vocês, e podemos derrubá-los quando bem quisermos.

Day & Age

Day & Age

E eu fiquei esperando o terceiro disco, querendo ver o que o Brandon Flores faria. Será que ele faria um disco AINDA MAIOR do que Sam’s Town? Será que ele se reduziria a sua insignificância? Será que daria uma de The Boss e gravaria um disco-demo em dois canais Nebraska-style? Será que ele mandaria o show business pro caralho e viraria crupié (assim que escreve?)?

“Day and Age”, infelizmente, é uma concessão aos críticos, em termos. “Oi anos 80″ foi o que eu pensei quando ouvi o comecinho de Losing Touch. “Human” é ainda mais grave, com direito a putz-putz e tudo mais. Parece…meu santo Deus, parece Duran Duran. Mas apesar disso, “Day and Age” consegue sobreviver. Porque tem algo mais nos assassinos, apesar deles terem se sujeitado aos críticos. Depois do choque “meu-Deus-Duran-Duran”, a primeira impressão que vem de “Day and Age” é que se trata de um disco bem pesado, não no som mas nos temas. “Sam’s Town” era pura esperança e “pular mais alto do que eu jamais pulei”, mas “Day and Age” é “agora fodeu”. “Losing Touch” já abre o disco com “Me console em minha mais negra hora, me conveça de que a verdade é sempre cinzenta”. “Human” paga seus respeitos à graça e virtude, e manda condolências ao bem, mesmo em meio ao putz-putz. “Goodnight, Travel Well” foge do clima anos 80, mas aumenta mais ainda o clima de “impending doom”. É como se eles dissessem “Ok, aqui está o seu retro new wave, mas vai ser o retro new wave mais deprê que vocês verão. Dancem e se desesperem.”

E de um jeito muito estranho, funciona. E prova que The Killers é mais do que uma banda que acertou uma vez e depois nunca mais. Parabéns, Sr. Brandon Flores, o senhor é um rockstar now. (E eu sei que é Flowers, mas Flores é muito mais estiloso).

Invertendo Jung

Sincronicidade é uma teoria inventada por Carl Gustav Jung, que é mais ou menos assim: “A experiência de dois ou mais eventos, cujas causas não estão relacionadas, ocorrendo simultaneamente de maneira que tenha significado para um ou mais observadores ou agentes”. TRADUZINDO: é quando coisas improváveis acontecem no momento exato em que precisavam acontecer, e te deixam com a pulga atrás da orelha. É quando você não estuda pra prova e descobre que alguém esqueceu uma cola da matéria inteira debaixo da sua carteira. É quando sempre chove quando você vai à um determinado lugar. É quando você descobre o significado de uma palavra por acaso, e minutos depois vê a tal palavra escrita num cartaz. É quando você está sendo atacado por incas venusianos, e descobre que o Nationaro Kido acabou de entrar na padaria ali da esquina. É quando você grava um disco e anos depois descobrem que ele bate perfeitamente com um clássico filme infantil. Enfim, é quando coincidências estranhas ocorrem, algumas vezes para seu benefício, outras vezes para seu azar, e outras vezes sem cheirar nem feder. Jung tinha diversas teorias quanto à sincronicidade, inclusive relacionando ela com outros de seus conceitos famosos, como os arquétipos e o inconsciente coletivo. (Abraços calorosos à wikipédia, que colaborou na elaboração desse resumo).

Legal, né? Eu descobri a sincronicidade graças ao disco do Police, mas na verdade nunca dei muita bola pra ela. Sim, coisas estranhas acontecem o tempo todo, e eu acho realmente legal que Jung tenha tido culhões pra estudar todas essas teorias bizarras. Sim, eu acredito que existam mais coisas do que o olho enxerga, mas não fico esperando que a sincronicidade venha e faça o meu dia.

Exceto hoje cedo. Hoje eu queria que a sincronicidade tivesse feito o meu dia. E ela não fez o meu dia. Hunf. E isso me deixou um tanto puto. Hunf. Tão puto, mas tão puto, que vou ter que apelar.

Porque a sincronicidade é um conceito descrito por um psicólogo alemão mundialmente famoso, mas ela não me ajudou. E se ela não me ajudou, vou apelar pra poderes ainda mais poderosos do que ela. Vou apelar pra uma autêntica SIMPATIA DE LIVRINHO DE HORÓSCOPO. Fica vendo.

Sr. CARL GUSTAV JUNG! O SENHOR, INVENTOR DA SINCRONICIDADE, VAI FICAR AQUI PENDURADO DE CABEÇA PRA BAIXO NESTE POST ATÉ BOTAR A SINCRONICIDADE FUNCIONAR AO MEU FAVOR!

Hmmm...I seem to be upside down.

Hmmm...I seem to be upside down.

Pois é, pois é. Eu sou MAU. E não tiro ele daí até eu encontrar de novo a Mítica Garota do Aeroporto. (Sim, esse é o nome que dei pra ela. Charlie Brown tinha a Garotinha Ruiva, Ted Mosby tem a Abóbora Safada, e eu tenho a Mítica Garoto do Aeroporto. Losers FTW).

Da Minha Panaquice Inerente

Tem uma cena do Secret of Monkey Island que eu sempre achei fantásticamente foda. É o encontro do Guybrush Threepwood, a mighty pirate e herói da série, com a Elaine Marley, governadora de Mêlée e futura mocinha da série. Guybrush é pego pelo xerife enquanto invadia a mansão da governadora em busca de uma estatueta, mas a governadora interrompe a prisão, expulsa o xerife de sua casa e salva Guybrush. A conversa deles é mais ou menos assim:

Elaine: Então você é o famoso Guybrush Threepwood, o pirata que a cidade toda está comentando.
Guybrush: …………………….salmmdpfkjsdokfslkdsjaw.
Elaine: Guybrush Threepwood…que tipo de nome é Threepwood? De onde você vem, Sr. Threepwood?
Guybrush: ………….gicbiuewinjkjerfsdjkfjdsakfjoe?
Elaine: Você é mesmo um pirata? Seu rosto parece…doce demais para um pirata.
Guybrush: !!!!!!………..jkdfasjkdsadsajdjskdaskjdnjksad?!
Elaine: Bom, Sr. Threepwood, nossa conversa está interessante, mas já é tarde da noite. Por favor, tranque a porta ao sair.
*Elaine sai de cena*
Guybrush:……………..eu realmente queria saber como conversar com garotas =\.

E eu sempre achei essa a cena mais engraçada do jogo. Porque eu sempre fui um panaca completo, socialmente falando, o último a abrir a boca e o primeiro a ser ignorado. Isso já me incomodou bastante durante a adolescência, mas com o tempo eu aprendi a aceitar minha panaquice interior. Ao invés de sair na mão com ela, comecei a compreender como ela funcionava e porque ela acontecia, para melhor poder conviver com ela. E deu certo, hoje em dia eu sou um panaca assumido e vou convivendo com isso.

Mas a vida é foda. A vida tem dias que acorda da pá virada e resolve remexer em tudo, e ninguém se salva. Lá estava eu, voltando pra Araçatuba, no aeroporto de Congonhas naquele ônibus estranho que leva as pessoas pros aviões. Eu acabei sendo um dos últimos a entrar, porque fui inventar de comprar um livro achando que o avião ia atrasar, e acabei ficando de pé no corredor do busão. E então ela entrou. Era pra ser só mais uma menina bonita, dessas que a gente vê uma vez na vida e depois nunca mais. Deixa a impressão na hora, mas logo a gente esquece. E ela entrou, e parou do meu lado porque não tinha mais espaço no busão. E eu não pude deixar de notar que ela era bastante bonita. E simpática. E segurava um livro de vampiro, pelo que consegui ler de relance na contracapa que ela segurava. E era super gatinha. Ai ai. Enfim, continuando a história, o busão começou a andar e eu parei de babar e passei a me preocupar em segurar firme no bagumelo-de-se-apoiar-quando-se-está-de-pé-no-busão.

No avião eu sentei lá na frente, e acabei não vendo onde ela se sentou. (Detalhe que nesse avião a entrada é pela parte de trás; anotem isso, é importante pro fim da história). E acabei largando mão, afinal era só uma menina que eu nunca mais ia ver na vida, apesar de MUITO bonitinha, e enfim, xá pra lá. Comecei a ler o livro que tinha comprado, que também era sobre vampiros, ora veja só sincronicidade é mó legal, e a viagem continuou normalmente. Até que pousamos em Araçatuba.

Pousamos em Araçatuba. Peguei minha mochila, levantei da cadeira e entrei na fila pra descer do avião (saída na parte de trás, lembraram-se?). E na última cadeira, lá estava ela. Bonitinha, simpática, com seu livro sobre vampiros, pegando suas coisas pra descer. E eu fui seguindo a fila. E a última cadeira se aproximava cada vez mais. E sabe, sei lá porque, eu pensei: “nunca mais vou ver essa menina na vida, então vou dar uma última olhada nela”, e olhei. E ela olhou também. Até aí tudo bem, a reação normal da pessoa é querem saber quem diabos é esse maluco que está olhando pra ela. Normalmente, nesse ponto do contato visual eu desvio o olhar e continuo andando. Mas sabe-se lá porque, num ímpeto inexplicável, numa reviravolta do destino, eu continuei encarando ela. Normalmente, nesse ponto do contato visual, ela teria desviado o olhar ou chamado a polícia. Mas sabe-se lá porque, num ímpeto inexplicável, numa reviravolta do destino, ela continuou me olhando também. E então, algo inexplicável aconteceu. ELA SORRIU. Não um risinho sem graça, não um leve movimento muscular irrisório, mas um sorriso completo, com dentes e movimentação muscular facial completa. ELA SORRIU. Sabe-se lá porque, ELA SORRIU. Pra mim, de todas as pessoas do mundo, ELA SORRIU pra mim.

E eu, claro, fiquei paralisado. A única coisa que eu consegui fazer foi sorrir de volta, e continuar andando. Entendam, ou melhor, não entendam: eu sou um panaca. Essas coisas não acontecem comigo, nunca. Aí me acontece esse erro da Matrix, esse bug no sistema operacional do universo, e eu simplesmente TRAVEI, como um processador 486 que recebe instruções de calcular a resposta pra vida, o universo e tudo mais. E deixei ela lá, sorrindo lindamente, e continuei andando e sorrindo de volta, como o mais completo panaca que já existiu nesse mundo de meu Deus. Argh.

E claro, tudo que pode piorar, piora. Na hora de pegar a mala, eu vejo ela de novo. E eu lá, olhando ela de canto de olho, provavelmente com medo dela morder, procurando um lugar aonde pegar a minha mala. E então, sabe-se lá porque raios, a menina se vira de novo pra mim. E SORRI DE NOVO. E, cara, dois bugs na Matrix no mesmo dia é demais pra minha cabecinha. Lá estava ela de novo, a mítica garota do avião, SORRINDO DE NOVO PRA MIM. E de novo, tudo que eu consegui foi sorrir de volta. Minha boca não abria, apesar de meu cérebro estar gritando “FALA ALGUMA COISA PELAMORDEDEUS!!!!!”. Eu podia ter dito qualquer coisa, perguntando qualquer bobeira, dito qualquer piadinha boba, começado uma conversa qualquer, mas NÃÃÃÃÃOOOOOO, eu travei. Hunff. E depois de um tempo sorrindo lindamente, nossos olhares se desviaram, ela pegou a mala e foi embora. E eu fiquei lá, olhando a cena sem acreditar que eu tinha deixado essa chance passar.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAKH!!!!!!1

E é bobeira, eu sei. Talvez ela tenha me confundido com outra pessoa. Talvez eu conhecesse ela de algum lugar, e nem me lembro mais. Mas do nada ela sorriu pra mim, e eu não fiz nada, deixei passar por culpa da minha panaquice completa. E eu nunca mais vou ver ela, provavelmente, a menos que a sincronicidade faça sua mágica novamente. Não faço idéia do nome dela, se ela é de Araçatuba ou São Paulo, ou ainda de outro lugar. Eu tive duas chances de descobrir, e desperdicei as duas. E agora não consigo tirar aquele SORRISO da cabeça.

….Santo Deus, como eu sou panaca.

Eu, Cheetah

Jane, Tarzan e Cheetah

Jane, Tarzan e Cheetah

Cheeta é considerado por alguns como o último sobrevivente de uma espécie em extinção: os atores originais da era de ouro de Hollywood. E como muitos atores de Hollywood, Cheeta teve uma história marcada de glória no cinema e tragédias pessoais. Quando ainda bebê, Cheeta fazia parte de um orgulhoso grupo de símios numa floresta na Libéria, mas foi sequestrado por um inescrupuloso grupo de caçadores. Mas este pequeno chimpanzé teve mais sorte que a maioria, e foi vendido para um americano que o introduziu ao mundo do show business.

Cheeta começou sua carreira de ator no filme Tarzan the Ape Man como o sidekick do Tarzan, e o público logo ficou admirado como Cheeta se encaixava perfeitamente no papel e como a sua interpretação de chimpanzé era impecável. A sua glória transcendeu as barreiras dos Estados Unidos e atingiu o mundo, que logo aprendeu a amar este adorável chimpanzé. Mas este pobre macaco de um passado tão simples não soube lidar com o poder que a fama lhe trouxera. Ele passava 65% do seu tempo em sua jaula se masturbando, e logo acabou viciado em álcool e cigarro; não tardaram a surgir os primeiros rumores de amantes e orgias sexuais. Mas Cheeta é um macaco honrado, e nunca entregou o nome de nenhuma de suas amantes (mas mesmo depois de tanto tempo, ainda há quem diga que ele teve um caso com Dolores del Río).

Dolores del Rio

Dolores del Rio

No auge de sua carreira e loucura, Cheeta passou do álcool e cigarro para a cocaína. Embriagado pela fama e sucesso, Cheeta chegou a cheirar cocaína nos seios nus da famosa atriz Constance Bennett.

Constance Bennett

Constance Bennett

Mas depois da fama veio o esquecimento. Hollywood deu as costas para o pobre macaco, e lhe restou nada além de dívidas e vícios. Mas Cheeta não é do tipo de macaco que desiste fácil, e de ator de cinema Cheeta virou pintor de quadros abstratos, e agora vende suas obras pela internet. Entretanto a sua vida de excessos cobrou seu preço, e hoje com diabetes Cheeta tem que tomar doses diárias de insulina. Agora com 76 anos, e mais decidido do que nunca a dar a volta por cima, Cheeta lançou a sua autobiografia para o mundo. O livro chama-se “Me Cheeta: The Autobiography”,  e nele Cheetah conta a sua épica trajetória, a luta contra álcool e cigarros, seus fracassos e seus sucessos, e afirma que apesar de tudo ele ainda tém fé na humanidade.

Cicatrizes

“Tanner mostrou para Shekel as adições, as mudanças em seu corpo, e Shekel se espantava com suas estranhezas e inflamações, mas estava fascinado. Tanner contou à ele tudo que o quirurgião havia lhe explicado.

“Você ficará sensível, Sr. Tanner,” ele havia dito. “E mesmo quando já estiver melhor, eu quero lhe avisar: alguns dos cortes que eu fiz, algumas das feridas, elas podem demorar para curar. Elas podem criar cicatrizes. E nesse caso, eu quero que o senhor não fique deprimido ou desapontado. Cicatrizes não são ferimentos, Sr. Tanner. A cicatriz é a cura. Após um ferimento, uma cicatriz é o que o faz inteiro novamente.”

***************

Eu já li livros que me fizeram querer escrever.
Eu já li livros que me fizeram querer sonhar.
Eu já li livros que me fizeram querer parar o tempo, para que a história nunca acabasse.
Eu já li livros que me fizeram querer mudar o mundo.
Eu já li livros que me fizeram mudar minhas perspectivas, minhas idéias, até minhas crenças.

Mas eu nunca tinha lido um livro que me deixasse morrendo de vontade de jogar RPG. oÔ

( E é sério. Eu ainda não terminei de ler o livro, mas o que posso dizer até agora é que China Miéville deve ser o melhor mestre de RPG que existe. Depois que terminar de ler eu falo mais sobre The Scar e Perdido Street Station e sobre o o autor China Miéville.)

Meus Filmes Coreanos Favoritos

Muita gente conhece as peculiaridades do povo japonês, como o Spiderman e o Violeiro Espacial, tentáculos, samurais, noodles, pervertidos nos metrôs e o Godzilla. Mas nem todos sabem que na verdade os coreanos são muito mais “peculiares” que os japoneses, que na verdade só são mais populares. Aqui estão alguns exemplos de bons filmes coreanos:

Oldboy

Oldboy, fazendo perguntas com seu martelo

Oldboy, fazendo perguntas com seu martelo

Esse é o meu favorito, talvez o mais popular filme coreano fora da Coréia. Esse filme faz parte de uma tal trilogia da vingança, mas não lembro a ordem dos filmes, e também não lembro o nome do diretor e estou com preguiça de perguntar pro google. Esse filme na minha humilde opinião é perfeito em todos os detalhes. Para mim, Oldboy é para os filmes o que Life on Mars é para os seriados, algo totalmente único.
O plot do filme é simples: um cara normal, vivendo sua vida normal em um dia normal é sequestrado por sequestradores normais, que o aprisionam num quarto durante sei lá quantos anos ( mais ou menos 20 se não me falha a memória). Neste quarto só tem uma televisão, e lhe é servida a mesma comida todos os dias. Um dia ele fica puto e decide que vai fugir e foder com todos os filhos da puta que prenderam ele sem motivo algum. De fato ele foge e começa sua procura pelos tais filhos das putas, e pelo caminho como de praxe ele conhece uma gostosinha que resolve ajudar ele (sem contar os favores sexuais). Até então o filme não tem nada demais, mas é legal ver ele torturar pessoas para conseguir informações, usando métodos antigos porém eficientes de tortura, como arrancar dentes e quebrar dedos.
Mas o que faz o filme tão interessante é a motivação dos personagens: nada é o que aparenta ser, e infelizmente eu não posso entrar em maiores detalhes sem entregar a história. Mas como esse filme faz parte da tal trilogia da vingança, é seguro dizer que tudo que acontece no filme é resultado de alguma vingança, ou a vingança propriamente dita. Neste filme você encontra sexo, violência desnecessária, paranóia, obsessão, incesto, multilações e uma séria de outras características que fazem um filme perfeito para toda a família.

The Host

O herói do filme, antes de começar sua carreira de matador de monstros.

O herói do filme, antes de começar sua carreira de matador de monstros.

Esse é o mais popular filme coreano dentro da Coréia, e é o primeiro filme coreano que eu vi e também o filme que me inspirou a procurar filmes de outros países. Este filme não é maravilhosamente insano como Oldboy, mas é realmente muito bom. Seu plot é super simples: um cientista maluco joga um produto químico num rio e obviamente um monstro mutante gigante nasce.

O tal monstro, como todo bom monstro, inicia seu ataque na maior cidade do país em que ele reside, no caso Seoul. Após o primeiro ataque, quando o monstro então decide retornar para a segurança de sua toca, ele resolve levar uma garotinha pra servir de aperitivo. Pro azar do monstro, essa garotinha pertence a uma família que não aceita esse tipo de afronta de monstro nenhum: eles resolvem caçar o bixo para recuperar o aperitivo, digo, a garotinha.
O que eu mais gostei do filme é que o filme não é americano, porque depois de tantos anos vendo filmes de americanos salvando o mundo, nós sabemos muito bem como os americanos reagem à invasões de monstros gigantes. Mas esse filme é sobre coreanos, e o jeito como eles fazem as coisas, o jeito que eles pensam e matam monstros é totalmente diferente dos americanos.

My sassy girl

O par romântico do filme, em momento de ternura

O par romântico do filme, em momento de ternura

Acho que esse é o único filme coreano que eu vi que não tem nenhum tipo de multilação ou assassinatos em massa. É na verdade uma comédia romântica, e uma ótima comédia romântica. Eu não sou muito fã deste tipo de filme, mas tenho que admitir que My sassy girl é excelente. E mais uma vez, o que fez esse filme interessante para mim é simplesmente o fato de ser um filme sobre coreanos. Esse povo é realmente diferente dos brasileiros, ou qualquer outro povo neste mundo afora.
O plot do filme é o seguinte: um cara está no metrô voltando pra casa, e essa menina completamente bêbada começa a vomitar em todo mundo. Antes de desmaiar ela olha pra ele e diz “meu amor!”, e todos no trem acham que eles são namorados. Ele é meio que obrigado à ajudá-la e acaba a levando para um hotel. Mas aí ela acorda no hotel e acha que foi seqüestrada, e o coitado do coreano é preso. Mas depois eles se entendem, e começam uma relação de amor e ódios, ao melhor estilo coreano.
O filme é bem diferente das comédias românticas americanas, tem um estilo próprio e conta com a peculiaridade nata dos coreanos. E claro, a atriz principal é uma gatinha =D.

Sympathy for Mr Vengeance

Sr Vingança (no meio) e amigos.

Sr Vingança (no meio) e amigos.

Esse filme também faz parte da tal trilogia da vingança, e é mais um clássico exemplo de como os coreanos são mais malucos que os japoneses.
O enredo do filme é meio esquisita: tem um cara surdo-mudo que resolve sequestrar uma menina pra pagar o transplante da irmã que está morrendo. Acontece que a menina nem sabe que foi sequestrada, porque o surdo-mudo e sua namorada a tratam muito bem, e mentem pra ela que o pai dela está viajando e que eles são parentes dela. Mas depois de um tempo a menina morre acidentalmente, e o surdo-mudo então resolve vender um rim pra pagar o transplante. Acontece que os tais médicos tiram o rim dele e desaparecem sem dar dinheiro algum. Nisso o pai da menina está procurando o surdo-mudo para se vingar da morte da garota, e o surdo-mudo esta procurando os médicos que sacanearam com ele pra se vingar do rim roubado. Não posso falar muito mais que isso, mas prometo que tem muito sangue, torturas, multilações e peitinhos de coreanas. Outro filme para a família toda assistir.

Memories of murder

Gene Hunt e Sam Tyler fazendo perguntas

Gene Hunt e Sam Tyler fazendo perguntas

Baseado em fatos reais, este filme conta a história de um serial killer que aterrorizou a Coréia por alguns anos. O filme é contado pelo ponto de vista dos principais policiais encarregados do caso, mas ambos policiais não se entendem muito bem, ao melhor estilo Gene Hunt e Sam Tyler. O filme é bom, mostra um pouco de como a Coréia era uns anos atrás, com um ponto de vista mais realista. A história é meio agonizante, os policiais sabem muito bem quando e como o assassino vai matar alguém, mas não conseguem fazer nada para impedir o cara. Enfim, é um ótimo filme, mas não é exatamente um filme feliz.

Sympathy for Lady Vengeance

Senhora Vingança, procurando por amigos

Senhora Vingança, procurando por amigos

Como o nome já diz, esse filme faz parte da tal trilogia da vingança. Mas dessa vez a vingança não é física como em Sympathy for Mr Vengeance: é uma vingança mais técnica, e bem elaborada.
A vingadora deste filme é uma mulher que é usada de bode expiatório num sequestro e vai presa no lugar do verdadeiro criminoso. Ela na cadeia muda completamente de personalidade, vira uma pessoa calma e prestativa, e é amada por todas as outras presas e policiais. Claro que isso já fazia parte da vingança dela, e o filme mostra como ela pacientemente construiu sua vingança ao longo dos anos, como ela manipulou tudo e todos para a execução majestosa de sua vingança.
Mas fique tranquilo, apesar de ser um filme menos violento que os outros dois, tem sangue de sobra pra todo mundo. Sem contar que neste filme os personagens são muito mais dementes que no Sympathy for Mr. Vengeance (apesar de Oldboy continuar imbatível).

Uwe Boll, o Terror dos Filmes de Videogame

Quando Uwe Boll disse que pretendia dirigir a adaptação cinematográfica de World of Warcraft, a Blizzard mandou uma carta em resposta à ele. Dizem que a carta é cheia de palavras e frases como “nunca”, “jamais”, “impossível”, “ninguém em sua sã consciência deixaria isto acontecer”, e termina com “Nós jamais venderíamos os direitos do filme para você…especialmente, não para você!”. Não se dando por contente, Uwe Boll anunciou então que faria um filme sobre a série Metal Gear Solid, e disse que teria até um script pronto. Algumas horas depois, Hideo Kojima estava respondendo em seu website: “ABSOLUTAMENTE NÃO! Eu nem sei porque Uwe Boll está dizendo essas coisas. Nós nunca nem conversamos com ele! É impossível que algum dia venhamos a fazer um filme com ele!”.

A Face da Besta

A Face da Besta

Uwe Boll é um destruidor de filmes de videogames. Não dá pra saber se ele faz de propósito, ou se ele é simplesmente maluco. Existem filmes fracos (como Quarteto Fantástico), existem filmes ruins (como o Motoqueiro Fantasma), e existem os filmes do Uwe Boll. “A Reconquista” pode ser o pior filme já feito, mas foi um golpe de sorte: o conjunto da obra de Uwe Boll supera em várias escalas de ruindade a obra-prima do John Travolta. O primeiro filme de videogame a ser tocado de forma impura por Uwe foi House of The Dead. O arcade shooter com agentes secretos dando cabo de zumbis e criaturas mutantes é transformado num filme de horror genérico, com adolescentes que vão para uma rave em uma ilha (“Isla de Muerta”, veja você) e descobrem que a ilha foi tomada por zumbis. O filme é tão bom que ele tem 4% de pontos positivos no Rotten Tomatoes, e só conseguiu pagar metade de seu orçamento.

Em seguida veio Alone in The Dark. Esse artigo aqui, escrito pelos roteiristas originais do filme, descreve o prazer que é trabalhar com Uwe Boll. Os dois roteiristas tinham em mente um filme de suspense e terror psicológico, com um detetive normal se deparando com situações e criaturas que desafiam sua sanidade, estilo H. P. Lovecraft. Mas Uwe tinha idéias diferentes das deles: ele queria um detetive sobrenatural com poderes especiais, nos moldes de Blade e do Corvo, com direito a tiroteios e perseguições automobilísticas (?!?!). Ao invés das criaturas que espreitam nas sombras, Uwe queria monstrengos grandes e gosmentos feitos em CG. Os roteiristas também queriam um final enigmático para deixar os espectadores inquietos, mas a sabedoria de Uwe os mandou terminar o filme com tiroteios mais violentos e monstros ainda maiores e mais nojentos que os vistos anteriormente. Vendo que não havia mais salvação, os dois roteiristas abandonaram o barco e não deixaram Uwe usar o script deles – o que não o impediu de fazer um filme ainda pior e mais escroto. Resultado: 1% de resultados positivos no Rotten Tomatoes, e apenas um quarto de seu orçamento pago.

A saga de Uwe continua com Bloodrayne, Bloodrayne 2 (lançado direto pro vídeo), Postal (que foi lançado em QUATRO salas de cinema nos EUA) e Dungeon Siege. Dungeon Siege marca a entrada de Uwe no gênero da fantasia épica, como se fosse a sombra de Sauron se aproximando da Terra-Média. Com 60 milhões pra gastar, esbanjou em cenários passáveis, efeitos convincentes para um filme dos anos 80 e atores conhecidos por suas pontas em seriados. Claro que nada disso conseguiu afastar o principal problema dos filme de Uwe (ele mesmo), e Dungeon Siege foi mais uma bomba nas bilheterias: apenas um sexto de seu orçamento foi pago, e uma vaga em praticamente todas as listas de piores filmes já feitos.

Parecem pessoas sujas de lama, mas são orcs!

Parecem pessoas sujas de lama, mas são orcs!

A questão que não quer calar: quem diabos financia esse cara? Em toda carreira dele, não há um filme que tenha dado lucro, ou ao menos algum reconhecimento crítico ou público. Aliás, é raro uma pessoa ser unanimidade entre críticos e público, mas o Uwe consegue: todo mundo concorda que ele é um monstro e seus filmes são aberrações abissais. Seria Uwe Boll a arma secreta de Adolf Hitler, criado geneticamente para destruir Hollywood e a indústria do cinema? Seria Uwe Boll a arma secreta da Associação das Velhinhas Católicas de São João das Quatro Pontes, criado geneticamente para destruir a indústria dos videogames? Seria Uwe Boll o anti-Cristo, a besta do Apocalipse, o Destruidor de Mundos, a Sombra de Morgoth, Aquele-cujo-nome-não-pronunciamos, o Mal correndo pelos encanamentos do castelo? Quem irá nos salvar de Uwe Boll?