Este não é mais um post sobre a mítica menina do aeroporto. Não, não a mencionarei, ainda que ela ainda povoe meus sonhos e aqueça meu coração nas noites frias de…Errrrr, ok. Mas o Jung continua pendurado, veja bem. Esse é um post sobre assassinos, com guitarras.
Semana passada saiu o disco novo “Day and Age”, o novo disco do The Killers. Eu esperei por um bom tempo por esse disco, não porque eu quisesse ouvir, mas porque comprovaria uma teoria minha. A teoria é mais ou menos assim:
“Dada uma banda X, que tenha feito o disco Y que agradou os fãs mas desagradou os críticos por n+1 motivos, onde n é o número de hemorróidas dos críticos. O disco Y+1 da banda X, numa tentativa de agradar os críticos, tem 90% de chance de ser uma merda por se esquecer de tudo que foi legal no disco Y“.
Meu primeiro experimento para tentar comprovar essa teoria foi com os Fratellis. O primeiro disco do Fratellis foi fantástico: um autêntico rock de cabaré, burlesco e mambembe e vários outros adjetivos relacionados a cabarés. Mas os críticos não gostaram, e no segundo disco os Fratellis viraram mais uma banda tentando emular os Arctic Monkeys (tá certo que eles sempre tentaram isso, mas eles tinham um diferencial que foi esquecido no segundo disco). E meu segundo experimento foi com o The Killers. *sigh*
Eu cheguei tarde na onda do The Killers, eu confesso. Só me interessei pela banda depois que joguei Guitar Hero III, que tinha “When You Were Young”. Eu comecei a banda pelo segundo disco, “Sam’s Town”, que eu considero um dos melhores discos lançados nessa década. O grande tchan de Sam’s Town é esse ar de revelação espiritual no meio de um cassino; é um disco gravado por um Bruce Springsteen nascido no ambiente sujo e sem vergonha de Las Vegas; é o que o U2 teria se tornado se Rattle and Hum não tivesse abalado a confiança deles. É um disco onde tudo é grandioso, dos arranjos até as letras, tudo é exagerado, tudo é maior do que a vida, é tão fora de escala que chega a ser ridículo. Mas o rock é ridículo por natureza, então quem estamos querendo enganar? É música pra ouvir no volume máximo, pra berrar bem alto quando ninguém estiver olhando, “AND IF ALL OUR DAYS ARE NUMBERED…then why do I keep counting?”.
Lógico que a crítica odiou. Quem são os Killers, pra quererem ser levados a sério? Quem são os Killers, pra pagar de Bruce Springsteen e falar sobre fugas de cidadezicas e sonhos destruídos? Quem são os Killers, pra tentar escapar do rótulo “retro new wave” que demos pra eles? Pra onde eles acham que vão com toda essa pompa e glamour, com esse heroísmo de cassino, quem diabos eles são? Aonde estão aqueles garotos que cantavam sobre o Sr. Ladobrilhante? Não, não, nós construímos vocês, e podemos derrubá-los quando bem quisermos.

Day & Age
E eu fiquei esperando o terceiro disco, querendo ver o que o Brandon Flores faria. Será que ele faria um disco AINDA MAIOR do que Sam’s Town? Será que ele se reduziria a sua insignificância? Será que daria uma de The Boss e gravaria um disco-demo em dois canais Nebraska-style? Será que ele mandaria o show business pro caralho e viraria crupié (assim que escreve?)?
“Day and Age”, infelizmente, é uma concessão aos críticos, em termos. “Oi anos 80″ foi o que eu pensei quando ouvi o comecinho de Losing Touch. “Human” é ainda mais grave, com direito a putz-putz e tudo mais. Parece…meu santo Deus, parece Duran Duran. Mas apesar disso, “Day and Age” consegue sobreviver. Porque tem algo mais nos assassinos, apesar deles terem se sujeitado aos críticos. Depois do choque “meu-Deus-Duran-Duran”, a primeira impressão que vem de “Day and Age” é que se trata de um disco bem pesado, não no som mas nos temas. “Sam’s Town” era pura esperança e “pular mais alto do que eu jamais pulei”, mas “Day and Age” é “agora fodeu”. “Losing Touch” já abre o disco com “Me console em minha mais negra hora, me conveça de que a verdade é sempre cinzenta”. “Human” paga seus respeitos à graça e virtude, e manda condolências ao bem, mesmo em meio ao putz-putz. “Goodnight, Travel Well” foge do clima anos 80, mas aumenta mais ainda o clima de “impending doom”. É como se eles dissessem “Ok, aqui está o seu retro new wave, mas vai ser o retro new wave mais deprê que vocês verão. Dancem e se desesperem.”
E de um jeito muito estranho, funciona. E prova que The Killers é mais do que uma banda que acertou uma vez e depois nunca mais. Parabéns, Sr. Brandon Flores, o senhor é um rockstar now. (E eu sei que é Flowers, mas Flores é muito mais estiloso).












