Coisas Geek de um Hobbit Inútil

E não se esqueça da toalha.

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Da Minha Panaquice Inerente

Tem uma cena do Secret of Monkey Island que eu sempre achei fantásticamente foda. É o encontro do Guybrush Threepwood, a mighty pirate e herói da série, com a Elaine Marley, governadora de Mêlée e futura mocinha da série. Guybrush é pego pelo xerife enquanto invadia a mansão da governadora em busca de uma estatueta, mas a governadora interrompe a prisão, expulsa o xerife de sua casa e salva Guybrush. A conversa deles é mais ou menos assim:

Elaine: Então você é o famoso Guybrush Threepwood, o pirata que a cidade toda está comentando.
Guybrush: …………………….salmmdpfkjsdokfslkdsjaw.
Elaine: Guybrush Threepwood…que tipo de nome é Threepwood? De onde você vem, Sr. Threepwood?
Guybrush: ………….gicbiuewinjkjerfsdjkfjdsakfjoe?
Elaine: Você é mesmo um pirata? Seu rosto parece…doce demais para um pirata.
Guybrush: !!!!!!………..jkdfasjkdsadsajdjskdaskjdnjksad?!
Elaine: Bom, Sr. Threepwood, nossa conversa está interessante, mas já é tarde da noite. Por favor, tranque a porta ao sair.
*Elaine sai de cena*
Guybrush:……………..eu realmente queria saber como conversar com garotas =\.

E eu sempre achei essa a cena mais engraçada do jogo. Porque eu sempre fui um panaca completo, socialmente falando, o último a abrir a boca e o primeiro a ser ignorado. Isso já me incomodou bastante durante a adolescência, mas com o tempo eu aprendi a aceitar minha panaquice interior. Ao invés de sair na mão com ela, comecei a compreender como ela funcionava e porque ela acontecia, para melhor poder conviver com ela. E deu certo, hoje em dia eu sou um panaca assumido e vou convivendo com isso.

Mas a vida é foda. A vida tem dias que acorda da pá virada e resolve remexer em tudo, e ninguém se salva. Lá estava eu, voltando pra Araçatuba, no aeroporto de Congonhas naquele ônibus estranho que leva as pessoas pros aviões. Eu acabei sendo um dos últimos a entrar, porque fui inventar de comprar um livro achando que o avião ia atrasar, e acabei ficando de pé no corredor do busão. E então ela entrou. Era pra ser só mais uma menina bonita, dessas que a gente vê uma vez na vida e depois nunca mais. Deixa a impressão na hora, mas logo a gente esquece. E ela entrou, e parou do meu lado porque não tinha mais espaço no busão. E eu não pude deixar de notar que ela era bastante bonita. E simpática. E segurava um livro de vampiro, pelo que consegui ler de relance na contracapa que ela segurava. E era super gatinha. Ai ai. Enfim, continuando a história, o busão começou a andar e eu parei de babar e passei a me preocupar em segurar firme no bagumelo-de-se-apoiar-quando-se-está-de-pé-no-busão.

No avião eu sentei lá na frente, e acabei não vendo onde ela se sentou. (Detalhe que nesse avião a entrada é pela parte de trás; anotem isso, é importante pro fim da história). E acabei largando mão, afinal era só uma menina que eu nunca mais ia ver na vida, apesar de MUITO bonitinha, e enfim, xá pra lá. Comecei a ler o livro que tinha comprado, que também era sobre vampiros, ora veja só sincronicidade é mó legal, e a viagem continuou normalmente. Até que pousamos em Araçatuba.

Pousamos em Araçatuba. Peguei minha mochila, levantei da cadeira e entrei na fila pra descer do avião (saída na parte de trás, lembraram-se?). E na última cadeira, lá estava ela. Bonitinha, simpática, com seu livro sobre vampiros, pegando suas coisas pra descer. E eu fui seguindo a fila. E a última cadeira se aproximava cada vez mais. E sabe, sei lá porque, eu pensei: “nunca mais vou ver essa menina na vida, então vou dar uma última olhada nela”, e olhei. E ela olhou também. Até aí tudo bem, a reação normal da pessoa é querem saber quem diabos é esse maluco que está olhando pra ela. Normalmente, nesse ponto do contato visual eu desvio o olhar e continuo andando. Mas sabe-se lá porque, num ímpeto inexplicável, numa reviravolta do destino, eu continuei encarando ela. Normalmente, nesse ponto do contato visual, ela teria desviado o olhar ou chamado a polícia. Mas sabe-se lá porque, num ímpeto inexplicável, numa reviravolta do destino, ela continuou me olhando também. E então, algo inexplicável aconteceu. ELA SORRIU. Não um risinho sem graça, não um leve movimento muscular irrisório, mas um sorriso completo, com dentes e movimentação muscular facial completa. ELA SORRIU. Sabe-se lá porque, ELA SORRIU. Pra mim, de todas as pessoas do mundo, ELA SORRIU pra mim.

E eu, claro, fiquei paralisado. A única coisa que eu consegui fazer foi sorrir de volta, e continuar andando. Entendam, ou melhor, não entendam: eu sou um panaca. Essas coisas não acontecem comigo, nunca. Aí me acontece esse erro da Matrix, esse bug no sistema operacional do universo, e eu simplesmente TRAVEI, como um processador 486 que recebe instruções de calcular a resposta pra vida, o universo e tudo mais. E deixei ela lá, sorrindo lindamente, e continuei andando e sorrindo de volta, como o mais completo panaca que já existiu nesse mundo de meu Deus. Argh.

E claro, tudo que pode piorar, piora. Na hora de pegar a mala, eu vejo ela de novo. E eu lá, olhando ela de canto de olho, provavelmente com medo dela morder, procurando um lugar aonde pegar a minha mala. E então, sabe-se lá porque raios, a menina se vira de novo pra mim. E SORRI DE NOVO. E, cara, dois bugs na Matrix no mesmo dia é demais pra minha cabecinha. Lá estava ela de novo, a mítica garota do avião, SORRINDO DE NOVO PRA MIM. E de novo, tudo que eu consegui foi sorrir de volta. Minha boca não abria, apesar de meu cérebro estar gritando “FALA ALGUMA COISA PELAMORDEDEUS!!!!!”. Eu podia ter dito qualquer coisa, perguntando qualquer bobeira, dito qualquer piadinha boba, começado uma conversa qualquer, mas NÃÃÃÃÃOOOOOO, eu travei. Hunff. E depois de um tempo sorrindo lindamente, nossos olhares se desviaram, ela pegou a mala e foi embora. E eu fiquei lá, olhando a cena sem acreditar que eu tinha deixado essa chance passar.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAKH!!!!!!1

E é bobeira, eu sei. Talvez ela tenha me confundido com outra pessoa. Talvez eu conhecesse ela de algum lugar, e nem me lembro mais. Mas do nada ela sorriu pra mim, e eu não fiz nada, deixei passar por culpa da minha panaquice completa. E eu nunca mais vou ver ela, provavelmente, a menos que a sincronicidade faça sua mágica novamente. Não faço idéia do nome dela, se ela é de Araçatuba ou São Paulo, ou ainda de outro lugar. Eu tive duas chances de descobrir, e desperdicei as duas. E agora não consigo tirar aquele SORRISO da cabeça.

….Santo Deus, como eu sou panaca.

5 Comentários

  1. Larri escreveu isso em segunda-feira, 24 de novembro de 2008 às 3:30 am | Permalink

    Mobs são muito mais fáceis de lidar.

  2. Carolina escreveu isso em segunda-feira, 24 de novembro de 2008 às 8:09 pm | Permalink

    aiaiai os dois lendo livros de vampiros e vc não consegue comentar nem isso? tá, eu tb não ia comentar….mas tá, eu sou menina, não é minha a obrigação de comentar =P

  3. K escreveu isso em quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009 às 7:47 pm | Permalink

    Só pra ressuscitar o post…
    Bem, ela poderia ter sido uma vampira. Pense nisso. ;)

    • Enrique escreveu isso em sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009 às 10:42 am | Permalink

      Hahahahahaha! Bom, caso ela seja uma vampira, faço minhas as palavras dos Inocentes na música “Nos Braços da Vampira”:

      “Ela vem junto com o vento, com seus cabelos negros
      Suas presas reluzindo, já não temos mais tempo
      Quero sentir o seu corpo, vampira
      Seus dentes no meu pescoço, vampira

      Nossos sangues se encontram, as trevas nos esperam
      Sei que nao pertenço mais, ao mundo dos mortais
      Quero estar sempre ao seu lado, vampira
      Quero ser o seu escravo, vampira

      Vampira, aaaahhhhhhh, quero ter a vida eterna aaahhhhhhhhhhh
      Quero ser o seu escravo, aaahhhhhhhhhhhhh
      Quero morrer nos seus braços

      Sombrancelhas inclinadas, em uma bela face pálida
      Varios tumulos violados, o mundo em pedaços
      Voce veio do espaço, vampira
      Quero morrer nos seus braços, vampira!”

  4. JC escreveu isso em terça-feira, 1 de dezembro de 2009 às 11:20 pm | Permalink

    Pô, legal o post. Coisas assim já aconteceram comigo também. rs

    Outro que adora a cena de Monkey Island que você citou, e que ficou ainda melhor dublada na versão remake que lançaram uns meses atrás.

    Talvez a garota do avião fique curiosa, digite “panaquice troca de sorrisos no avião” no Google e venha parar aqui neste post, um dia. Quem sabe, né? Vou torcer.

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