Uwe Boll, o Terror dos Filmes de Videogame

Quando Uwe Boll disse que pretendia dirigir a adaptação cinematográfica de World of Warcraft, a Blizzard mandou uma carta em resposta à ele. Dizem que a carta é cheia de palavras e frases como “nunca”, “jamais”, “impossível”, “ninguém em sua sã consciência deixaria isto acontecer”, e termina com “Nós jamais venderíamos os direitos do filme para você…especialmente, não para você!”. Não se dando por contente, Uwe Boll anunciou então que faria um filme sobre a série Metal Gear Solid, e disse que teria até um script pronto. Algumas horas depois, Hideo Kojima estava respondendo em seu website: “ABSOLUTAMENTE NÃO! Eu nem sei porque Uwe Boll está dizendo essas coisas. Nós nunca nem conversamos com ele! É impossível que algum dia venhamos a fazer um filme com ele!”.

A Face da Besta

A Face da Besta

Uwe Boll é um destruidor de filmes de videogames. Não dá pra saber se ele faz de propósito, ou se ele é simplesmente maluco. Existem filmes fracos (como Quarteto Fantástico), existem filmes ruins (como o Motoqueiro Fantasma), e existem os filmes do Uwe Boll. “A Reconquista” pode ser o pior filme já feito, mas foi um golpe de sorte: o conjunto da obra de Uwe Boll supera em várias escalas de ruindade a obra-prima do John Travolta. O primeiro filme de videogame a ser tocado de forma impura por Uwe foi House of The Dead. O arcade shooter com agentes secretos dando cabo de zumbis e criaturas mutantes é transformado num filme de horror genérico, com adolescentes que vão para uma rave em uma ilha (“Isla de Muerta”, veja você) e descobrem que a ilha foi tomada por zumbis. O filme é tão bom que ele tem 4% de pontos positivos no Rotten Tomatoes, e só conseguiu pagar metade de seu orçamento.

Em seguida veio Alone in The Dark. Esse artigo aqui, escrito pelos roteiristas originais do filme, descreve o prazer que é trabalhar com Uwe Boll. Os dois roteiristas tinham em mente um filme de suspense e terror psicológico, com um detetive normal se deparando com situações e criaturas que desafiam sua sanidade, estilo H. P. Lovecraft. Mas Uwe tinha idéias diferentes das deles: ele queria um detetive sobrenatural com poderes especiais, nos moldes de Blade e do Corvo, com direito a tiroteios e perseguições automobilísticas (?!?!). Ao invés das criaturas que espreitam nas sombras, Uwe queria monstrengos grandes e gosmentos feitos em CG. Os roteiristas também queriam um final enigmático para deixar os espectadores inquietos, mas a sabedoria de Uwe os mandou terminar o filme com tiroteios mais violentos e monstros ainda maiores e mais nojentos que os vistos anteriormente. Vendo que não havia mais salvação, os dois roteiristas abandonaram o barco e não deixaram Uwe usar o script deles – o que não o impediu de fazer um filme ainda pior e mais escroto. Resultado: 1% de resultados positivos no Rotten Tomatoes, e apenas um quarto de seu orçamento pago.

A saga de Uwe continua com Bloodrayne, Bloodrayne 2 (lançado direto pro vídeo), Postal (que foi lançado em QUATRO salas de cinema nos EUA) e Dungeon Siege. Dungeon Siege marca a entrada de Uwe no gênero da fantasia épica, como se fosse a sombra de Sauron se aproximando da Terra-Média. Com 60 milhões pra gastar, esbanjou em cenários passáveis, efeitos convincentes para um filme dos anos 80 e atores conhecidos por suas pontas em seriados. Claro que nada disso conseguiu afastar o principal problema dos filme de Uwe (ele mesmo), e Dungeon Siege foi mais uma bomba nas bilheterias: apenas um sexto de seu orçamento foi pago, e uma vaga em praticamente todas as listas de piores filmes já feitos.

Parecem pessoas sujas de lama, mas são orcs!

Parecem pessoas sujas de lama, mas são orcs!

A questão que não quer calar: quem diabos financia esse cara? Em toda carreira dele, não há um filme que tenha dado lucro, ou ao menos algum reconhecimento crítico ou público. Aliás, é raro uma pessoa ser unanimidade entre críticos e público, mas o Uwe consegue: todo mundo concorda que ele é um monstro e seus filmes são aberrações abissais. Seria Uwe Boll a arma secreta de Adolf Hitler, criado geneticamente para destruir Hollywood e a indústria do cinema? Seria Uwe Boll a arma secreta da Associação das Velhinhas Católicas de São João das Quatro Pontes, criado geneticamente para destruir a indústria dos videogames? Seria Uwe Boll o anti-Cristo, a besta do Apocalipse, o Destruidor de Mundos, a Sombra de Morgoth, Aquele-cujo-nome-não-pronunciamos, o Mal correndo pelos encanamentos do castelo? Quem irá nos salvar de Uwe Boll?

4 thoughts on “Uwe Boll, o Terror dos Filmes de Videogame

  1. Ah Uwe Boll… aquele dia que a gente tava conversando sobre ele, eu tinha achado um lugar explicando mais ou menos sobre como ele arruma financiamento pra esses filmes, ele usa tipo dum “exploit” no sistema de incentivo à produção alemã onde se uma empresa (no caso a empresa dele mesmo) investir numa produção alemã (no caso um filme dele mesmo) esse investimento seria descontado do imposto de renda do investidor (no caso ele mesmo), e o investidor só teria que pagar impostos relativos aos lucros da produção (no caso dos filmes dele, sem chance alguma de existência de lucro) ou algo mais ou menos assim.

    E sobre o Reconquista que já foi citado nos ultimos posts, uma frase: “Eu tenho seis dedos! SEIS!!” (Assistam o filme com o RiffTrax do Michael Nelson do MST3K, fica quase descente)

  2. Pingback: Enrique via Rec6

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