Posts de 2009

Batman: Arkham Asylum

terça-feira, dezembro 29th, 2009

O mundo possui uma boa porção de leis e fatos imutáveis que raramente são botados no papel, mas nem por isso deixam de ser verdade. Uma dessas leis é “Jogos baseados em heróis, filmes e licenças em geral nunca são essencialmente fodásticos”. A própria razão de ser desses jogos meio que impede que eles sejam bons – são jogos feitos pra aproveitar o lançamento de um filme ou o sucesso de um desenho animado, ou então porque algum executivo de alguma editora resolveu se perguntar porque diabos eles não participam mais ativamente da “lucrativa indústria de jogos eletrônicos”. Em resumo, são jogos feitos pra se ganhar dinheiro (não que isso seja errado), feitos na pressa para se aproveitar o sucesso da licença, com executivos gritando sobre como “as pesquisas mercadológicas dizem que os jovens de hoje em dia preferem FPSs online, seja lá o que for isso” enquanto os gamedevs tentam explicar (sem sucesso) que um FPS online do Alvin e os Chipmunks não faz nenhum sentido.

Claro, existem exceções. Mas pouquíssimas exceções espreitam sua lei de origem durante a noite, fazendo-a cagar de medo antes de saltar em sua frente, confundindo-a com sua longa capa negra e cobrindo sua cara de porrada, tudo no mais absoluto silêncio. Mas é claro, nem toda exceção é um jogo do Batman.

E que jogo do Batman, puta que pariu. Pra começo de conversa, a história foi escrita pelo Paul Dini – escritor e produtor de todas as temporadas do desenho do Batman (E de boa parte dos outros desenhos da DC também. E ele também escrevia roteiros pros Animaniacs! Vai dizer, o cara merece respeito). Tudo começa numa noite como outra qualquer, com o Batman levando o Coringa de volta para o Asilo Arkham, após uma tentativa frustrada de assassinar o prefeito. Como um bom cavalheiro, Batman resolve acompanhar o caso antigo até sua cela , provavelmente esperando um beijinho de boa noite. Mas é claro que tudo vai pra bosta: Harley Quinn toma conta do sistema de segurança do Arkham, solta todos os detentos enquanto o Coringa escapa para DENTRO do asilo e se nomeia Chepete (chefedessaporratoda). Só tem um cara macho e maluco o suficiente pra adentrar um sanatório fora do controle, abarrotado de presidiários comuns, malucos de pedra, psicopatas insanos e supervilões em geral, e sair descendo a porrada em todo mundo até botar tudo de volta nos trilhos: o Batman. Se você pensou “ei, isso lembra o gibi Asilo Arkham!”, eu digo: exato! A idéia básica é a mesma, mas enquanto o gibi puxa BEM mais pro lado do terror psicológico, com desenhos do Dave Mckean e o caralho a quatro, esse jogo segue a linha da ação mesmo, parecendo bastante com os roteiros dos desenhos.

Em termos visuais o jogo é impecável, a começar pelo próprio personagem principal. Eles usaram o Batman do Jim Lee como base, que eu particularmente não acho tããão legal…mas porra, é o Batman! Sombrio e enigmático, com a capa negra flutuando atrás dele…duvido que exista alguma pessoa que não passou os primeiros (quem sabe até os últimos) minutos do jogo babando na capa do Batman. Ela flutua atrás dele, se movimenta lindamente quando você pula, rola no chão, se joga pro lado e faz o caralho a quatro. E quando você anda calmamente (porque o Batman é tão foda que ele pode se dar ao luxo de andar calmamente num sanatório infernal), ela se arrasta atrás de você, da maneira mais Batman possível. (E eu acabei de escrever quatro linhas sobre a capa do Batman. É isso aí). Os vilões também estão foda…nada de Coringa baseado no Heath Ledger, aqui temos o Coringão clássico de terno roxo e sorrisão travadaço que aprendemos a amar, odiar e temer. O Croc ficou MUITO legal, gigantesco e medonho. A Hera Venenosa usa uma calcinha de folhas, e isso é tudo que eu preciso falar. A Arlequina é a Arlequina, maluquinha e escrotinha como sempre, e palmas pra dubladora dela. (Ah, uma palavra sobre os dubladores – são os mesmos do desenho! Até o Mark Hammil fazendo a voz do Coringa!).

E o visual do Asilo…puta que pariu. Sabe o tipo de jogo que você perde tempo só olhando os cenários, tamanha a atenção que os caras tiveram com detalhes? O jogo inteiro se passa na ilha do sanatório, que se divide em várias alas…ala de tratamento intensivo, penitenciária, mansão, jardim botânico (construído pra guardar a calcinha de folhas da Hera Venenosa). Sem falar nas áreas externas, que funcionam como hub entre as fases, e as cavernas abaixo da ilha. O cenário é tão lindo e tão foda, que você fica passeando por todas essas áreas, caçando detalhezinhos e referências que os caras colocaram. Tem a exibição de guarda-chuvas do Pinguim, as armas originais da Mulher-Gato, tem a cela do Duas Caras, a cela do Calendário, o prédio das organizações Wayne no horizonte…tem literalmente centenas de coisinhas. (E você ganha pontos ao achar essas referências, com o sistemas de desafios do Charada.)

Sobre o jogo em si…sabe beat-them-up, tipo Final Fight? Sabe Metal Gear? Sabe Metroid? Sabe Prince of Persia (a franquia nova)? Batman pega os melhores detalhes desses jogos, refina eles (na base da porrada, porque é o Batman) e entrega um jogo novinho, quase sem defeitos. De Final Fight ele toma as porradas: nosso amigo Batman senta a mão em 4, 6, 8, 20 inimigos desarmados de uma vez só. É MUITO legal sentar a mão nos caras, e você pode (e deve) usar seus brinquedos como o batarangue e o bat-cabo-de-aço-com-um-ganho-na-ponta pra fazer a experiência o mais dolorosa possível para os inimigos. Tem sisteminha de combos, golpes especiais e etc, nada muito complexo mas bastante satisfatório.

De Metal Gear…cara, o Hideo Kojima a séculos tenta fazer um sistema stealth pro Metal Gear, sem grande sucesso. Os motivos são a) os controles de Metal Gear são uma bosta e b) Depois que você pega armas fodas, o sistema stealth que se foda, eu vou é metralhar todo mundo. Batman resolve isso, com uma mão nas costas…ou melhor, pendurado numa gárgula, de cabeça pra baixo, espreitando os inimigos. Sim, dá pra fazer isso no jogo. A idéia é matar os inimigos sem que eles percebam e sem causar alarde, da maneira mais legal possível…e Batman consegue isso com perfeição. Os controles do jogo são fluidos, bem feitos, intuitivos e fáceis de usar. Um botão pro batarangue, um botão pra usar o cabo de aço e subir nos prédios/gárgulas, um botão pra andar agachado, etc e tal. É fácil aprender COMO fazer as coisas, de modo que você se preocupa mais na estratégia em si (estratégia sendo “como eu faço pra matar todos eles da maneira mais estilosa possível, de preferência deixando todos pendurados nas gárgulas”). O jogo te força a usar esse modo stealth em vários cenários, porque o Batman é especialmente vulnerável contra armas de fogo. Espera, vulnerável não é a palavra…bom, Bruce Wayne desaprova armas de fogo, então ele se recusa a encarar de frente os inimigos que usam essas armas.

De Metroid e Prince of Persia vieram a exploração, também feita com muito esmero. O “mundo” é a ilha do asilo Arkham, dividida em setores como eu já disse ali em cima. Você é livre pra explorar cada setor, conforme você vai “abrindo” eles, avançando no jogo e adquirindo novos itens que te possibilitem chegar em novos lugares. Certas alturas só podem ser acessados com o bat-lançador-de-cabo-de-aço, certas paredes só podem ser quebradas com bombas, etc e tal…o mesmo esquema de exploração popularizado por Metroid, mas que eu não esperava ver num jogo do Batman (e que foi uma ótima surpresa, porque eu pago mó pau pra Metroid). Você também tem um modo “detetive”, habilitado com um botão, que muda a visão do jogo para uma espécie de raio-X-radar-visão-além-do-alcance. Nesse modo, você consegue ver todos os inimigos da fase (mesmo que estejam bloqueados por paredes), bem como as paredes que podem ser quebradas, itens relevantes e tudo mais. É essencial pra explorar o mundo e também para planejar os ataques no modo stealth.

Concluindo: o jogo do Batman é um jogo à altura do Batman. Talvez o jogo pudesse ser um pouco mais longo, e o fato do jogo todo se passar somente no Asilo Arkham faz o mapa parecer pequeno (o que não é verdade, ele é grande se você parar pra pensar), mas são reclamações frescas. E vocês sabem o que o Batman faz com os frescos.

(Não sabem? Ele bota uma roupinha colorida neles, e transforma eles em Robin, ora bolas.)

Feliz Natal!!!

quinta-feira, dezembro 24th, 2009

Mais dois livros

segunda-feira, dezembro 21st, 2009

Se surgisse um único livro de auto-ajuda que cumprisse o seu prometido, ajudar seus leitores a se ajudarem, isso significaria o fim do mundo. Faz sentido, não? De uma forma bizarra e cruel, mas um tanto…plausível, pelo menos ao meu ver. “Ser Feliz”, livro de Will Ferguson, parte dessa premissa e elabora o que aconteceria com a humanidade caso um livro de auto-ajuda realmente efetivo aparecesse. A história segue os passos do editor que recebe essa bomba em mãos e a publica, não por acreditar no livro, mas por uma sucessão de fatores hilários, e acaba desencadeando o apocalipse – um livro que se torna um sucesso em poucas semanas e muda toda a sociedade através de seus ensinamentos. “É isso, então? É assim que o mundo termina: não com uma explosão, mas com um abraço vago e caloroso?” pergunta o protagonista da história. É um livro MUITO engraçado, cheio de tiradas geniais e com uma dose generosa de crítica à sociedade meia-bomba em que vivemos.  A narrativa é ágil e cheia de ótimos momentos, e me lembrou um pouco o ritmo do Douglas Adams. Apesar de não compartilhar do amor que Adams tem pelo bizarro e sem sentido, os dois se parecem num ponto importante: mostrar o que é humano em seus personagens e situações, com todas as conotações boas e ruins que a palavra “humano” tem, seja numa nave improvável nos confins do universo ou seja numa cidadezinha de merda nos confins dos Estados Unidos. E um grande viva a Oliver Reed, o último grande filho da puta de nossos tempos.

Do mesmo autor, “De Carona com Buda” é bem diferente de “Ser Feliz”. Pra começar, é um não-ficção. É um relato de uma viagem feita através do Japão, de carona, seguindo o avanço da “Frente de Flores de Cerejeira” – a onda de flores que toma as cerejeiras do Japão, e é considerada um evento de importância nacional. Outra diferença é que o estilo do Will Ferguson é bem mais solto aqui, talvez por estar contando eventos e pensamentos que realmente aconteceram, e isso dá um ar MUITO legal ao livro. Diversas vezes você se pega gargalhando com suas desventuras, e em outros encontros você se pega quase chorando tamanha a carga emocional do que é mostrado – o jantar com o sr. Nakamura ainda me deixa abismado, quando eu paro pra lembrar. Eu confesso que sempre procurei um livro sobre o Japão, que tentasse mostrar não os fatos e fotos, mas sim a personalidade, a tal da “verdadeira alma” do lugar. “De Carona com Buda” talvez não consiga atingir a verdadeira alma do Japão – e quem é que consegue atingir a verdadeira alma de qualquer coisa? – mas ele tenta. E é essa tentativa, essa iniciativa de se levantar e seguir a frente das flores, de caminhar por uma terra desconhecida não como um passageiro desconhecido de trem ou um andarilho solitário, mas pedindo carona, entrando nas casas, dependendo da ajuda de desconhecidos, mostrando o cotidiano e o comum no lugar das atrações turísticas e das mesmas histórias de sempre, que faz “De Carona com Buda” ser um ótimo livro. (E claro, mais uma vez, obrigado a dona Getsuchan pela ótima dica ;D)

Bill Hick, em um Momento de Doçura

quarta-feira, dezembro 16th, 2009

“Sabiam, se você tocar os discos do New Kids On The Block ao contrário…a música fica melhor! “Ah, Bill, qual é, não zoa os New Kids, eles são tão bonzinhos, são tão limpinhos, eles passam um bom exemplo pras crianças!”. Foda-se! Quando foi que mediocridade e banalidade viraram bons exemplos pras nossas crianças? Eu quero as minhas crianças ouvindo alguém que BOTE PRA FODER!* Não me importa que eles morram afogados em poças do seu próprio vômito, eu quero alguém que toque COM A PORRA DO SEU CORAÇÃO! “Mamãe, mamãe, o homem que você me mandou escutar tem uma bolha de sangue saindo pelo nariz – CALA A BOCA E ESCUTA ELE TOCAR! Ah, os New Kids, nós somos os New Kids, nós somos tão bonzinhos e limpGGGGRRRHHHMMMMHH *ininteligível e impagável* Nós somos tão limpinhos HAIL! HAIL! HAIL! Um bom país limpinho HAIL! HAIL HAIL! HHMMRRRRMMM*ininteligível, nojento e impagável* FODAM-SE! EU QUERO MEUS ROCKSTARS MORTOS! Eu quero ver eles tocando com uma mão e com uma arma na outra, dizendo: ESPERO QUE TENHAM GOSTADO DO SHOW*Barulho de arma sendo disparada e miolos voando*! YEEEEAAAAH! YEEEEAAAH! YEEEEAAAH! TOQUEM COM A PORRA DOS SEUS CORAÇÕES!!!…Falando nisso, eu também estou disponível para festas infantis.”

**Tradução livre

Saldo do fim de semana

terça-feira, dezembro 15th, 2009
  • 1 vestibular do SENAC, com 64 questões, sendo 4 Encouraçados, 2 Submarinos, 6 Navios de Guerra, 2 Leviatans e 1 redação.
  • 10231021420 luzinhas de Natal, 242 Papais Noéis, 1 Papai Noel de bermuda (traje de banho, na verdade), 123 Renas, 4 pinguins do Madagascar, 1 Sansão e 1 Emília em decorações de Natal. Ah, e tinha o prédio-suuuper-animado. Mó medo do prédio-suuuper-animado.
  • 560 trocentos mil litros de chuva no domingo, e 300 páginas do “De Carona com Buda”.
  • 724 casais gays avistados no Shopping Frei Caçap…Caneca.
  • 1 Wii e 1 Xbox evitados na Santa Ifigênia \o/. 1 Tablet Wacom não evitada \o/
  • 3 Avenidas Paulista e imediações caminhadas, em companhia da ilustre srta. Marta Catarina, minha guia favorita de São Paulo.
  • Incontáveis conversas, piadas e comentários malvados sobre vampiros, papais noéis tarados, emos e tudo mais.
  • 3 livrarias diferentes, 1 loja de quadrinhos e 3 lojas da Cultura visitados, 716524931 livros, quadrinhos, DVDs, bonecos e chaveiros avistados. (Nota especial para o chaveiro com a mão do Hellboy e o bonequim da Maggie com o cabelão estiloso).
  • Incontáveis livros sobre vampiros, incluindo “Como conquistar e manter um vampiro”, “Mr. Darcy, Vampiro” e “Guia Ilustrado dos Vampiros” (ou algo assim). Tipo, DEU, né? Vamos escrever livros sobre bruxas adolescentes mutantes ninja agora.
  • 4 pombos espantados, sendo que somente 1 deles revidou (para desviar do ônibus, é verdade).
  • 1 Michael Jackson derrubado e ressuscitado.
  • 1 vista FODA da Paulista não avistada. Nhé, mas que história é essa de fechar de segunda-feira, Senai? Hmpf.
  • 5 livros novos na mala, 1 chaveiro do Jack para substituir o C3PO que eu perdi, 1 tablet e 1 vontade imensa de voltar rapidim pra lá.
  • Nenhum moonwalk foi realizado durante o período.

Araçatuba Rock(?) City

sábado, dezembro 5th, 2009

E dia 2 de dezembro foi aniversário de Araçatuba! Araçatuba City, minha cidade natal, Ata, a ex-Cidade do Boi Gordo e atual Cidade da Cana Brava!

Pra vocês que moram em lugares mais civilizados e nunca ouviram falar de Araçatuba, fiquem sabendo que minha cidade-natal situa-se no noroeste paulista…e por isso é que eu vivo falando em faroeste paulista, pegaram? hein? hein? Desse jeito eu logo serei comediante stand-up brasileiro, mamãe! Mas voltando…Araçatuba situa-se no noroeste paulista, as margens do rio Tietê e da rodovia Marechal Rondon, depois de Bauru e antes de Andradina, pra baixo de São José do Rio Preto mas pra cima de Presidente Prudente. Achou? Não, aí é Marília, sobe mais um pouco…aí, essa é Araçatuba! Visite antes que acabe \o/. Araçatuba tem Birigui como cidade-vizinha. Aquela história de cidades vizinhas rivais nunca foi muito pra frente por lá; no final das contas Araçatuba e Birigui estão mais pra comadres fofoqueiras do que vizinhas rivais. Hmmm….

- Ai Cumádi, ficou sabendo do que a cumádi Guararapes aprontou?
- Nããão, mas imagino! Aquela lá sempre foi uma despudorada!
- Puis é, puis é…mas fique sabeno que agora ela se deu pra desvirtuá o Santo Antônio de Aracanguá!

É, alguma coisa do tipo. Como quase toda cidade do faroeste paulista, Araçatuba nasceu por causa da expansão das estradas ferroviárias. Conforme a construção dos trilhos avançava, formavam-se pequenos postos/ajuntamentos para abrigar os operários da estrada. De quando em vez estes postos viravam povoados, que viravam vilas, que viravam comarcas, que viravam cidades, que viravam metrópoles, que viravam megalópoles, que viravam cidades-estado, que….tá, tá, a festa acabava quando a vila se tornava uma cidadezinha. Araçatuba foi um poquim diferente: já nasceu como estação ferroviária e com o objetivo de ser povoada, justamente para promover a colonização do faroeste. Sim, sim, bem parecido com o faroeste americano, mas com mais italianos e com menos índios. Menos índios? O caralho! Tem uma historinha que se conta lá em Araçatuba. Conforme a estrada ia ficando pronta, o pessoal foi chegando para povoar a futura cidade. As grande$ família$ chegavam na cidade e iam para o lado sul dos trilhos, onde tinham seu quinhão de terra, proteção militar, escola para os pimpolhos, e tudo mais. As famílias fodidas iam para o lado sul dos trilhos, e ganhavam um tapinha nas costas e um revólver pra se defender dos índios cainguangues que dominavam a região. Nunca contaram se o revólver vinha carregado ou não…mas enfim.

Querem ver fotos da magnânima Araçatuba? Olha aí embaixo (Antes de mais nada, fotos surrupiadas todas aqui do Panoramio, sem pedir autorização pros fotógrafos. Caso alguém não queira ver sua foto bonitinha nesse blog vil e escroto, favor entrar em contato que eu retiro na hora):

Essa é a principal avenida da cidade! ...tá, nem é, nós temos asfalto, ok? Pelo menos a prefeitura diz que é asfalto.

Essa é a principal avenida da cidade! ...tá, nem é, nós temos asfalto, ok? Pelo menos a prefeitura diz que é asfalto.

Foto aérea de Araçatuba. Se a foto se estendesse um pouquiiiinho mais pra baixo, dava pra ver minha casa ;P

Foto aérea de Araçatuba. Se a foto se estendesse um pouquiiiinho mais pra baixo, dava pra ver minha casa ;P

Coreto da Praça Rui Barbosa, point preferido dos bêbados e mendigos para passar a noite \o_

Coreto da Praça Rui Barbosa, point preferido dos bêbados e mendigos para passar a noite \o_

Monumento em homenagem a imigração japonesa! Ooou melhor, um torri gigante. É perto de casa, e eu acho lindão!

Monumento em homenagem a imigração japonesa! Ooou melhor, um torii gigante. É perto de casa, e eu acho lindão!

Templo budista...e também era a casa do Shin! Eu vivia lá quando era moleque =P

Templo budista...e também era a casa do Shin! Eu vivia lá quando era moleque =P

Praça São Joaquim, pertiiiim de casa. "Mas ei, e os pontos turísticos?" Que pontos turísticos? Vou mostrar as partes da cidade que eu gosto, e só XP

Praça São Joaquim, pertiiiim de casa. "Mas ei, e os pontos turísticos?" Que pontos turísticos? Vou mostrar as partes da cidade que eu gosto, e só XP

E é claro, a rodoviária! Rodoviárias tem poder...mas isso fica pra outro dia! Por enquanto é só, pessoal!

E é claro, a rodoviária! Rodoviárias tem poder...mas isso fica pra outro dia! Por enquanto é só, pessoal!

Da Anti-Sociedalidade Inerente

sábado, novembro 28th, 2009

“É mais ou menos proibido ficar sozinho no Brasil. Somos obrigamos a nos ligar uns com os outros todo o tempo, mesmo diante das coerções da vida urbana. A recusa ao relacionar-se ainda é considerada uma anomalia, uma antipatia ou uma anormalidade. Na rua, quem recusa a conversa fiada é o antipático modelar; em casa, é o doente mental em potencial. Estar “cismado”, ensimesmado, trancado em si mesmo é sinônimo de raiva ou desequilíbrio emocional. (…) Qualquer tipo de isolamento ou de individualização, seja porque a pessoa fala pouco ou porque fica dentro do seu quarto (quando o tem), é tomado como sintoma de que algo não está bem.”

“Agora, por que o brasileiro não lê? Não lê porque não tem educação primária e secundária – e tão pouco universitária – que seja capaz de apresentar o livro de uma maneira diferente. (…) Diria também que a sociabilidade brasileira (os hábitos de relacionamento no Brasil) não conduz à leitura. Ler exige uma certa solidão, um certo silêncio, e isso não é muito fácil de encontrar no Brasil. Nós não somos criados em casas onde temos o direito de ficar sozinhos, em famílias que nos deixem muito tempo quietos. Se você está quieto é sintoma de que tem alguma coisa errada. Então isso não facilita a leitura, convenhamos. ”

Tirado daqui e daqui (leiam a série toda, tem uns pontos de vista interessantes).

Será que isso é verdade?Achei interessante esses pontos de vista quando os li, mas depois pensando vi que não concordo muito com eles.

Sobre a sociabilidade: bom, a princípio é bem verdade que as pessoas te olham estranho quando você diz que não vai sair hoje, que tá afim de ficar em casa vendo seriado ou lendo. Um dia aqui em Salvador uma amiga minha me perguntou o que eu havia feito no feriado prolongado, e eu respondi: fiquei em casa, e li três livros (mó orgulhoso de mim mesmo, por ter dado cabo deles em quatro dias). Ela abriu dois olhões enormes: “Que horror, Enrique!”. E eu dei risada e ela também, diante da diferença gritante entre as personalidades. Porque eu vou fazer o que? Ela prefere sair, é do tipo de pessoa que não para nunca, trabalha, vai na academia, dá aula na faculdade, sai o fim de semana todo. E eu…bem, eu prefiro ficar em casa. Tem livros pra ler, filmes pra assistir, jogos para jogar, coisas pra se ler na internet…minha diversão é essa, é assim que eu prefiro gastar meu tempo livre. Nós dois estamos certos, porque fazemos o que queremos, o que escolhemos. Mas as pessoas estranham quando as suas escolhas são diferentes das delas, isso é fato.

E sobre a “proibição de ficar sozinho”…bom, o fato é que nós, pessoas semi-anti-sociais aprendemos a nos virar com o tempo. Tem dias em que é legal sair, divertido e tal…mas tem dias em que atravessar a porta da rua parece uma coisa mais pesarosa do que atravessar os portões do inferno, e aí você bate o pé e resolve que não vai sair e pronto. E, justamente porque as pessoas estranham essa vontade de ficarmos sozinhos, nós somos obrigados a dispor de mil recursos sujos. “Ah, tô sem grana”, “Ah, tô com dor de cabeça”, “Ah, tô indisposto”, “Ah, eu até queria sair mas meu videogame está carente e precisa de atenção”. Com o tempo você aprende o que funciona e o que não funciona, saca como reverter as situações ao seu favor, acaba virando um especialista em enrolar pessoas. Nos níveis mais avançados, o seu grau de desprendimento social é tão grande que você nem se preocupa mais em enrolar: simplesmente diz a verdade e pronto. As duas pessoas com o menor grau de desprendimento social que eu conheço são o meu irmão e o Larri. Lembro que uma vez eu liguei no Larri pra chamar ele pra ir na pizzaria, e ele respondeu: “Eu até queria comer pizza, mas essa semana eu não estou afim de ver pessoas”. E eu disse tudo bem, porque pô, tem semanas que eu não quero saber de pessoas também. “Que horror!”, podem pensar alguns. Mas a gente nasceu assim, ou ficou assim por sabe-se lá que motivo, e gostamos de ser assim. Não, não é um saco ficar em casa – é massa pra caralho, tem mil coisas legais pra se fazer. Eu não fico mandando ninguém ficar em casa lendo, então porque querem exigir que as pessoas saiam de casa?

Quanto ao “brasileiro não lê porque as pessoas ao redor não deixam”. Discordo. A retórica é bonita: ah, os leitores não florescem em solo brasileiro porque seus compatriotas são muito alegres, muito sociáveis, e não os deixam em seus cantos para que se dediquem a leitura. Bobagem. Quem quer ficar sozinho, fica. Quem quer ler, dá um jeito. E eu conheço vários leitores vorazes que não são NADA ensimesmados, que não param um segundo. Sim, ler exige uma certa solidão, mas quem gosta de ler sabe buscar essa solidão, e consegue entrar nela nos lugares mais barulhentos e cheios de pessoas. Agora, a primeira frase está certa: não se lê porque não tem educação primária, secundária, universitária e tudo mais. Não se lê porque os pais da maioria foram criados sem essa mesma educação, não tem o hábito da leitura e não passaram isso aos filhos. Não se lê porque os livros são caros e as bibliotecas públicas e escolares renegadas pelas autoridades. Não se lê por uma série de motivos bem feios…mas nunca ninguém apareceu para interromper minha leitura, dizendo que eu tava quietão demais. “Aí, larga esse livro, vamo pra balada, véi”.