Nightswimming
Postado por Enrique em 24 de fevereiro de 2009
- E aí, ela disse alguma coisa?
- Disse sim. Ela disse que não era impossível. Mas era bem improvável.
- Ah – disse eu, tentando entender exatamente o que ela queria dizer. Eu ainda tinha uma chance então?? Hmmm, acho que não. É, não mesmo.
- Cê tá legal, Frodo?
- Hmmm.
- Vambora, vamo andar um pouco.
E eu segui o Esponja, ainda fazendo cálculos probabilísticos e estatísticos, tentando achar aonde foi que eu errei. A rejeição oficial tinha sido semanas atrás, mas o bom cego jamais quer ver. Hoje eu olho pra trás e…coitada da menina, só faltou mandar fazer uma camiseta “FORA FRODO”, e eu não percebia. O Omelete dizia que “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”, e eu optei pelo sofrimento extra, com batatas fritas grande e maionese no capricho. Mas as novas do Esponja botavam uma mais outra pá de cal na questão, e eu imagino que desisti logo em seguida. (Hmmmm, na verdade não, pensando bem. Mas para efeitos práticos, consideremos que sim)
E lá fomos nós, um hobbit de coração partido e um Esponja tentando dar conselhos. Eu queria dizer que o Esponja naquela noite disse alguma coisa, um conselho ou uma pérola de sabedoria, que hoje eu guardo pra sempre e escrevo nas agendas e no perfil do orkut, mas se ele disse algo realmente foda, eu me esqueci. Mal ae, Esponja. Acho que a gente acabou conversando sobre RPG, ou Counter Strike, não lembro bem.
Na alameda Paraná existe o Bar do Pingo, uma quadra antes do parque das Araucárias. Virando a esquina você entra numa das ruas sem nome que separam os passeios de Ilha Solteira, e seguindo por essa rua você chega no limite entre os passeios do Paraná e os passeios do Rio Grande do Sul. (Provavelmente você não sabe, mas um passeio é um conjunto pequeno de quadras). Esse limite é feito por quadras de gramados e parques – não quadrinhas de avenidas, mas quadras mesmo, quarteirões de gramados. E seguindo em frente você chega no Rio Grande do Sul, aonde ficam os passeios mais “nobres” de Ilha Solteira. Casas bonitas, ruas largas, praças bem cuidadas, lugares arborizados. Eu e o Esponja vivíamos vagando por esses cantos – quase sempre de noite, volta e meia com mais alguém, mas a idéia era conhecer os cantos de Ilha Solteira que ninguém conhecia. Na verdade a idéia principal era conversar – conversar muito, sobre qualquer coisa, sobre garotas, sobre pés-na-bunda e não-pés-na-bunda, sobre a faculdade, sobre nossos amigos, sobre a faculdade, sobre o futuro, sobre whatever.
A lembrança da rejeição foi embora, e quase nada sobrou. Foi um saco, sem dúvida, mas não sobraram detalhes nem nada. Do que eu me lembro mesmo são das ruas escuras, do vento frio vindo do rio, da luz esquisita das lâmpadas de mercúrio, das pracinhas inesperadas, das divagações cretinas e das risadas interrompendo o silêncio da noite. E é tudo que importa, afinal.
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Esses amigos de incursões pelas madrugadas são sempre os melhores, cara.
Sem dúvida