
Tem um termo em japonês, “Wabi Sabi”, que descreve uma beleza imperfeita, impermanente e incompleta. É um padrão de beleza centrado na aceitação de que nada na vida é permanente: nada dura para sempre, e nada é realmente perfeito. Wabi Sabi valoriza as coisas simples, as casas marcadas pelo tempo, os objetos de uso diário e constante, construções cobertas por musgo, as rachaduras no concreto e os machucados na madeira. É um tipo de beleza silenciosa, que não salta aos olhos mas atrai a mente, ou melhor, atrai a saudade e as memórias. Um termo, também em japonês, que tenta explicar wabi-sabi é “natsukashii furusato”, que traduzido vira “uma velha memória da minha cidade natal”. Apropriado.
E eu sempre procurei por esse termo. Sabe quando acaba de chover, o céu ainda está fechado e o Sol não dá sinais de aparecer? O cheiro de chuva ainda está presente no ar, junto com a água que deixa a paisagem inteira molhada. As imperfeições nas casas saltam a vista, as pedras na calçada parecem ter milhares de anos, a tinta das paredes escurece e envelhece, as plantas e a grama parecem ganhar vida, os sons se tornam mais quietos e suaves. É como se tudo envelhecesse, como se o espírito das coisas se tornasse mais presente, como se o universo parasse pra se lembrar de alguma coisa, e sorrisse por alguns instantes. Também sinto isso nos dias frios e ensolarados(raros lá em casa, inexistentes aqui), e também em determinados lugares. É como se uma memória antiiiiga despertasse, mas não aparecesse claramente. Eu sempre adorei essa sensação, e eu sempre procurei um nome apropriado pra ela. Nostalgia? Saudade do que não foi? Viadagem? Enfim.
E então eu descubro que os japoneses já tem um nome pra isso. “Wabi Sabi’. Hmmmm….
One Comment
Os japoneses tem uma palavra legal para qualquer coisa. Eles estão 150 anos evoluídos na nossa frente, no mínimo. E o melhor? Eles não ficam se gabando disso hehehe.