
Troubled souls, unite!
Ten.
Já fazem 11 anos que eu ouvi esse álbum pela primeira vez, em 1998. Depois de Ten veio o Yield, o Versus, o Vitalogy, o No Code, o Binaural, o Riot Act e o Avocado. Vieram mp3, shows, b-sides. Veio Neil Young, The Who, Soundgarden, Alice in Chains. Veio meu amor pelo rock em suas variadas formas e expressões.
Mas se eu não tivesse alugado o Ten e corrido pra casa com ele depois da escola, nada disso teria acontecido.
Ou melhor, se o Gratão não usasse a camiseta do Versus durante as aulas de história em quadrinhos e dito que Pearl Jam era quinze vezes mais legal que Green Day, nada disso teria acontecido.
(Não é bizarro como as coisas mais fantásticas são causadas pelas menores causas, pelos golpes do acaso e pelos caprichos da sincronicidade?)
Não dá pra reproduzir o que eu senti ouvindo aquele CD. Identificação musical total, como se eu sempre amasse aquelas músicas mesmo tendo ouvidos ela pela primeira vez naquele momento. A voz desse sujeito era perfeita. Não sabia que dava pra fazer esses sons legais na guitarra. A bateria seguindo enquanto o baixo dança ao redor. A energia pulsando com força através das ondas sonoras. Eureca, é isso que eu quero pra mim! Amor à primeira vista!
Ouvindo o Ten – Legacy Edition (que é o Ten remixado pelo Brendan O’brien mais algumas bônus tracks) eu me lembrei dessa sensação fodástica, de ouvir a banda pela primeira vez. Com o tempo as músicas ficariam mais sofisticadas, melhores trabalhadas, os temas mais adultos e profundos. Mas Ten é energia pura, o caos de onde saiu tudo isso. Uma brechinha de luz, um suspiro quente e um BERRO que atravessa a alma.
Sem o Ten, nada seria como é hoje.
E por isso talvez seja tão legal ouvi-lo de novo, esquecendo de tudo que veio depois, se concentrando em uma nota depois da outra, como se fosse a primeira vez.
“Oh, i suggest you step out…on your porch!
Run away, my son, and see it all…oh, see the wooOOOooorld!”