Posts de março, 2009

THE BEST FUCKING GIG

quarta-feira, março 18th, 2009

Já eram nove da noite quando o sistema de som começou a transmitir o discurso de Churchill. É claro que todo mundo ali sabia o que isso significava, e rapidinho a gritaria já tomava conta da arena. ÁIRON! ÁIRON! ÁIRON! gritávamos, e prontamente fomos atentidos pelos acordes iniciais de Aces High, começando a cavalgada que duraria até a meia noite.

Acho que foi aí que caiu a ficha. Putz, alô mamãe, tô no show do Iron Maiden! O que eu faço? A resposta veio rápida, através da sirene anti-aérea:

- SCREAM FOR ME, SÃO PAAAAAAAAAAAULOOOOOO!

E nós, claro, obedecemos:

- YEEEEEEEEEEEEEEEEAAAAAAAAAAAAAAAOOOOOUUHHHH

Aces High foi seguida por Wrathchild, que é uma música do Iron que eu nunca dei bola, mas lá ao vivo…ao vivo, mestrada pelo Bruce, é outro esquema. Aliás, mestrar é a palavra certa: o Bruce mestrou a gente naquela noite. Imagine um jogo de RPG com 100 mil pessoas, e o melhor mestre de RPG do universo. Foi foda assim!

Logo depois de Wrathchild ele fez um discursozinho, se desculpando pela demora e pela FUCKING RAIN YEAAAH! (ah, que isso, Bruce, não foi culpa sua *pisca pisca* ), e explicou que eles atrasaram para que o pessoal pudesse entrar. Haviam vinte mil pessoas lá fora, tem noção? Também elogiou o pessoal que quebrou a contenção e subiu o morro pra assistir o show lá do alto, e disse que a gente era foda! Ai Bruce, assim eu gamo!

2 Minutes to Midnight levou todo mundo a loucura. TWO…MINUTES…TO MIDNIIIIIGHT!! gritava Interlagos em uníssono, e cada palavra era precedida por chifrinhos ou porradas contra o ar. A energia de um lugar desses é impressionante, legal demais. Depois de 2 Minutes veio Children of the Damned, que segundo Bruce era uma das quatro ou cinco músicas que eles tocariam a mais para nós (YEAH!).

Phantom of the Opera fica foda na voz do hóme, e é super legal por causa das diferentes partes. Ok, eu não gosto taaaanto de Phantom of the Opera, mas mestrada pelo hóme é FODA. Aí veio The Trooper e o hóme se vestiu de soldado, e aí meu coraçãzinho explodiu! OOOOOoooooOOOOooooOOOOÔÔÔÔÔ gritava Interlagos enquanto ele empunhava a bandeira da Inglaterra.

Depois veio Wasted Years, sempre FODA. “And realize you’re living in the Golden Yeeeeeaaaars!”. Verdade, tio Bruce, verdade!

Rime of The Ancient Mariner. Ah, Rime of the Ancient Mariner, com direito ao Bruce explicando que a música é baseada num poema, e basicamente é uma música que diz o que NÃO fazer caso o seu barco fique encalhado no mar. Porra, eu AMO essa música, sei ela de cor desde os 15 anos de idade. Cantar essa porra bem alto, pouco me fodendo pra minha garganta, esquecendo a dor nas pernas e levantando o braço pra acompanhar a batida foi DEFINITIVO. Gastei toda minha energia nessa hora, mas foi bem gasta. Cara, que foda! Ah, detalhe que o palco se transforma em um barco nessa hora, e o Bruce bota um manto negro. RPG, cara, RPG!

Powerslave é fantástica como sempre, com direito ao Bruce usando uma máscara…uma máscara…uma máscara estranha! Depois disso nós todos corremos para as colinas, gritando RUN TO THE HIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIILLS, e é uma coisa linda, RUUUUUUUN FOR YOUR LIIIIIIIIIIIIIVES! E logo em seguida…

Nicko McBrain toca de leve no prato três vezes. É o suficiente pra todo mundo entender e ir ao delírio. Como o George disse, Fear of the Dark não é a melhor música do Iron, mas é um puta de um símbolo. E é insuperável ao vivo. Caralho, que massa que foi. Eu já estava quebrado nessa hora, mas quando a música explode você é obrigado a sair do chão. E berrar feito um louco, porque eu não decorei a letra desde os quinze anos pra nada!

Hallowed Be Thy Name e sua canção condenada veio em seguida, e logo depois veio Iron Maiden e o GRAAAANDE EDDIE fechando o show. Fechando o show? PORRA NENHUMA! Tem o biz, mano! E que biz FODA!

SIX! SIX SIX!!! THE NUMBER OF THE BEAST!!! abriu o biz, deixando todo mundo doido de novo, e completando as músicas essenciais do Iron! Essenciais? O caralho, cadê The Evil That Men Do, minha música favorita? AAAAAAAAAAAAAAH SIM, veio logo em seguida. Foda foda foda foda! Nunca matar sua noiva em um ritual foi tão divertido! Meus últimos respingos de energia foram gastos cantando essa música e terminando de empacotar minha gargante. Bah, que foda.

E aí, finalmente pra fechar de vez a maior FUCKING GIG do Iron Maiden, com 100 mil pessoas, veio Sanctuary. Uau, três músicas pré-Dickinson no mesmo show! Claro que, sim, vocês já sabem, mestrada pelo Bruce é mais legal. Teve até interrupção no finalzinho para dizer que essa foi a maior FUCKING GIG do Iron Maiden, e apresentar a banda. Pffff, como se a molecada não soubesse de cor o nome de todo mundo ali. Apresentada a banda, Sanctuary volta com tudo para fechar o show de forma colossal, fodona, super foda!

E foi assim! Minha voz ainda não voltou completamente, meus braços doíam até ontem, e ainda sinto o cansaço. Mas FOI FODA, e eu toparia ir de novo num instante, só pra gritar quando o hóme mandar: SCREAM FOR ME SÃO PAULOOOOOOOOOO!

Bastidores do Show do Iron: A Saga do Ruivinho

terça-feira, março 17th, 2009

(Nota: o review do SHOW eu escrevo mais tarde; lembrei desse fatozinho e resolvi escrever antes que eu esquecesse dele)

Na nossa frente no show havia um grupinho de uns sete, oito adolescentes, todos devidamente vestidos de camisetas do Iron. Deviam ter vindo ao show juntos em uma excursão, pois não parecia que se conhecessem há muito tempo. Os garotos eram nerds como todos os bons metaleiros (todo metaleiro é nerd, saiba ele disso ou não), e as garotas com aquele jeito mezzo gótico mezzo metal. Uma das meninas se destavaca, por ser tão bonitinha quanto falante, e logo os piás todos estavam babando nela.

Eu, meio metro de distância do grupo, não pude evitar ver a cena. Um ruivinho colou do lado dela e começou com aquele papo de quem não sabe o que falar mas precisa falar qualquer coisa. “Nossa, mas você é fã mesmo, hein?”. “Uau, você é a pessoa mais interessante que eu conheci nos últimos tempos”. “Sério mesmo? Eu também adoro comer lentilha enquanto assisto Ana Maria Braga!”. A menina respondia e expandia, mas percebia-se claramente que uma das partes queria sorvete e a outra parte queria autorama. E eu do lado, pensando: rapaaaz, isso não vai dar certo. Do lado dele, mais dois moleques DOIDOS pra ela dar um chega-pra-lá no ruivinho, para que eles tivessem sua chance de serem massacrados. E eu do lado, pensando: otários, ela já gosta de alguém, não está nem aí pra vocês. E o ruivinho continuava firme em sua peleja. Bom garoto, o ruivinho.

E lá veio ele, o momento do fora. É até legal (mal ae, ruivinho) de se assistir, se você não estiver envolvido. É como olhar um espelho, olhar um flashback, lembrar de todas as vezes que chutaram sua bunda tão forte que você perdeu o sentido. Dá pra ver todos os passos serem repetidos em câmera lenta, com a vantagem que não é a sua cara que vai pro chão logo em seguida. E é interessante comprovar que o sujeito “in love” fica totalmente cego. A menina pode virar a cara, fazer careta, empurrar o cara pra longe, ou mesmo sair correndo, que ele não per-ce-be. Cara, como nós somos bestas. Enfim, coisas da vida.

A menina reclamou que não conseguia ver o show, pois tinha muita gente alta na frente dela. O ruivinho pensou “É agora ou nunca!”. Eu pensei “Nããããão, ruivinho, é uma cilaaaada!”. O ruivinho disse “Ah, já sei, vem cá!” e se agachou pra levantar os pés da guria e segurar ela nas costas. Ele quase ia levantando ela, quando os protestos começaram. “Não, não, não, ME SOLTA! Ops…não, não precisa me levantar não, hihihihih”. A formação da cara de bunda foi instantânea. Ruivinho olha para um lado, olha para o outro, dá um sorriso amarelo pra guria, evita olhar pros outros concorrentes. A guria dá uma desculpa qualquer e vai ficar do lado da amiga. Os outros corv…piás competem entre si para saber quem será o próximo.

E eu me perguntando “Será que só eu vi isso?”. Aí o George do meu lado: “Pô, o carinha aqui do lado se ferrou, vai passar o show inteiro com cara de bunda”. E eu fui obrigado a emendar: “Pelo menos serviu pra criar caráter”. Na hora eu fiquei bravo com o ruivinho. Pô, vai ficar cabreiro o resto do show, por causa de uma menina que ele mal conhecia, e que nem era essa coca-cola toda. Mas eu fazia as mesmas coisas, caia nas mesmas armadilhas, e até hoje não aprendi direito. Faz parte da vida, ruivinho. Esquece, aproveita o show e parte pra próxima. Provavelmente vai se ferrar de novo, mas é assim que funciona :D .

(Nota do eu-realista: Você fica aí tirando o ruivinho, mas pelo menos ele tentou. E você que ficou umas duas horas olhando a metaleirinha-gatenha-branquinha-fofinha-que-estava-a-três-metros-na-sua-frente e não fez porra nenhuma? Babaca. Hunf.)

SCREAM FOR ME, SÃO PAULO!

segunda-feira, março 16th, 2009

Aqui estou. Meus pés ainda doem, meu corpo ainda está um caco, minha voz não existe mais, mas minha alma está nas nuvens e eu não consigo evitar sorrir. Estou postando mais por teimosia, eu devia ir direto para a cama. Depois, mais tarde ou amanhã, eu conto tudo em detalhes.

Mas saibam disso, saibam disso: eu esgotei minha garganta cantando “The Rime of the Ancient Mariner” junto com mais noventa e nove mil e novecentos e noventa e nove caras.

E foi foda.

Foi foda!

Meu Amigo Bruce

sexta-feira, março 13th, 2009

Galera, é o seguinte: meu amigo Bruce vai estar no Brasil esses dias, e me chamou pra bater um RPG lá em São Paulo, depois do trampo dele.

Meu amigo Bruce e suas colegas de trabalho

Meu amigo Bruce e suas colegas de trabalho

Ele diz que lá pela meia noite já deve estar liberado, então mandou eu chamar mais três amigos e esperar por ele lá em Interlagos. Diz ele que começou uma campanha fodidamente legal, mestrada pelo próprio Anjo da Morte, e que jogaríamos pelas nossas próprias vidas e também pela sobrevivência da raça humana. Sei lá, o Bruce é meio empolgadão, mas jogar RPG com ele é sempre fantástico. Enfim, terça eu tô de volta com notícias dessa partida fenomenal. Se comportem, e não alimentem o gremlim!

Meu amigo Bruce também adora fazer cosplay

Meu amigo Bruce também adora fazer cosplay

Grandes Diálogos Que Não Abalaram o Mundo

sexta-feira, março 13th, 2009

A meta era escrever um post contando toda a saga do Deroco, desde quando ele era um adolescente tímido até ele virar um nerd assumido. Eu não lembrava dos detalhes, então fui consultar o Larri. E deu no que deu:

larri: nao esqueça de ressaltar o desejo gay latente q o deroco tem pelo lanterna verde
Enrique: claro claro, é inevitável mencionar isso…to tentando contar a história toda, mas não lembro direito e terei que inventar detalhes.
larri:  nao esqueça do dia q ele cantou “get along gang”
Enrique: hauahauhauahaahahauh verdade…tinha esquecido! lembra de mais episódios nerds do deroco?
larri: uma vez a gente fez um teste pra saber qual personagem era vc e ele tinha pego um legal, e ficou se gabando todo.
Enrique: hahahahahah
larri: e vc pegou uma garota
Enrique : A galadriel
larri: tipo supergirl >.<
Enrique: supergirl não, galadriel…calma lá
larri: hahhahah, pior ainda
Enrique: quando que a galadriel é pior que a supergirl?
larri: a super girl é bem mais gostosa, e voa de saia. Preciso falar mais?
Enrique: a galadriel é uma elfa
larri: ela não voa >.<
Enrique: ela tem um anel do poder!
larri: isso é legal, mas até um hobbit tinha
Enrique: cara, pelo menos a galadriel não é uma prima escrota do superman. Aliás, eu nunca entendi que merda é essa.
larri: hahahha, a familia toda do clark vive na terra, da prima ao cachorro
Enrique: isso! Que porra é essa? o planeta explodiu, mas todo mundo se picou pra Terra?

10 Músicas Que Cantarei Bem Alto Todo Dia Assim Que Os Médicos Inventarem o Tratamento de Aperfeiçoamento e Treinamento de Cordas Vocais

terça-feira, março 10th, 2009

10 – U2 – Angel of Harlem: O U2 tem dezenas de músicas melhores do que “Angel of Harlem”, mas nenhuma me faz soltar o ganso interior como ela. É uma homenagem à Billie Holiday, melosa do jeito que só o Bono sabe fazer, mas tem versos fantásticos para se cantar debaixo do chuveiro! “Angel in devil shoes, salvation’s in the blues, you never looked like an aaaAAAAAANGEEEEEL….aaaangeeeeeEEEEEeeeeeeEEEEeeeeel, angeeeeel of Harlem!”

9 – Queen – Don’t Stop Me Now: Se você não tem vontade de cantar igual o Freddie Mercury, você não tem vontade de cantar e ponto. Sad, sad person. “Don’t Stop Me Now” é a prova viva que o Fredão foi a Rainha do Rock, e ponto final.

8 – David Bowie – Rock’n'Roll Suicide: Ah, uma música dramática, porque também é legal fazer drama cantando, ainda mais fazend aquela cara blasé de David Bowie. Dá vontade de gesticular dramaticamente enquanto ele canta “Ooooh no, love, you’re not alone!”.

7 – The Jam – Town Called Malice: O Jam sempre teve um estilo Mod revoltadinho, mas aí o Paul Weller entrou numas de fazer música como se fosse negão e “Town Called Malice” é um dos bons resultados. Eu canto a parte do “Uuuuuh Yeeeeaaah….UUUuuuuuh” até que direitinho! E só…

6 – Faith No More – The Real Thing: Talvez pedir pra cantar como o Mike Patton seja demais da conta.Mas como a medicina faz milagres, então “The Real Thing” entra pra lista! Essa música é comprida, e cada parte é cantada de uma forma diferente, uma mais estilosa que a outra. A letra não faz sentido de verdade, mas…precisa? Ele diz coisas como “a split second of divinity, and you drink up the sky!”!

5 – Temptations – I Can’t Get Next to You: A primeira vez que ouvi essa música foi no finalzinho de Elizabethtown, e nunca mais parei de ouvir. Eu teria de ter cinco vozes diferentes pra cantar essa música, mas seria legal pra caralho!

4 – Foo Fighters – New Way Home: “New Way Home” é uma espécie de mantra. Segundo Dave Ghrol, é como se o cara estivesse dizendo “eu já passei por tanta merda, não tenho mais motivos para me assustar” e resolvesse seguir em frente. A parte MAGNUM EXTREMUM legal de cantar começa quando os instrumentos todos param e o Dave começa a entoar o “I’m not scared…”. Foda, foda, foda…

3 – Hold Steady – Stuck Between Stations: Olha, de boa, o cara do Hold Steady quanta tão mal quanto eu, mas o grande trufo dele está na emoção, e é por isso que Stuck Between Stations vai pra lista! Sabe aquelas noites em que tudo está errado mas não se pode fazer nada, então você simplesmente quer berrar e esquecer da vida? “A maior parte das noites é clara como o cristal, mas hoje à noite é como estar preso na estática entre as estações do rádio” ;D.

2 – Black Crowes – My Morning Song: Dizem os fãs que “Morning Song” é a “Stairway to Heaven” do Black Crowes, e eu sou forçado a concordar. A música começa numa porrada e mantém pulso firme até chegar na parte quieta-que-vai-crescendo (que é a parte mais massa de se cantar), para finalmente terminar numa explosão atômica de guitarras. Foda! (E sim, o vídeo tá uma merda, mas foi o melhor que achei =P)

1 – Bruce Springsteen – Rosalita (Come Out Tonight): Olha, eu achei que fosse difícil escolher uma música do Bruce Springsteen, porque eu sou fã do cara e todas as músicas dele são ótimas. Mas Rosalita PEDE pra ser cantada bem alto, com o mesma energia e abandono do jovem Bruce Springsteen. Rosalita manda sua garganta pro inferno e sua alma pro céu, simples assim!

Heróis Heróicos e Heróis Realistas

domingo, março 8th, 2009
Rorschach, um escroto fudido (literalmente)

Rorschach, um escroto fudido (literalmente)

A Veja da semana passada veio com uma crítica (bem escrota) de Watchmen. A crítica Isabela Roskoff* diz faltar sentimento ao filme, que apesar de ser muito bonito é frio demais, não emana emoção alguma. Meu instinto inicial foi xingar a reportagem e virar a página, mas aí um aviso acendeu. Ei, não é o filme que é frio e sem sentimento: o gibi também é assim!

Uma das coisas que eu não gosto de Watchmen é o ar realista. “Mas…esse é o grande trunfo da revista!”. Sim, cara-pálida, não estou dizendo que não seja, e não estou reclamando. A grande revolução de Watchmen foi trazer heróis mascarados para o mundo real, imaginar que tipo de pessoas seriam estas, qual o impacto que elas teriam na sociedade. Só por ter extrapolado estas situações com tanta maestria, Alan Moore já merece seu lugar no panteão dos Deuses dos Quadrinhos. Veja só os personagens: o surgimento do Dr. Manhattan, o único herói com super poderes da história toda, já altera totalmente o quadro geopolítico do mundo. E é legal que trabalha-se também em como o Dr. Manhattan encara o mundo após ter ganho os poderes, mostra-se como ele vai se afastando do mundo e das pessoas. Rorschach é praticamente um Batman-possível, uma criança problemática que se envolve com o que há de mais sujo do mundo e resolve confrontar isso na porrada. O Comediante…ah, ok, não vou falar de todos os personagens, nem é pra isso que eu estou aqui.

Como já disse antes, “Uma das coisas que eu não gosto de Watchmen é o ar realista”. E em geral, eu não gosto de coisas realistas. No colégio eu li Primo Basílio xingando o professor, porque a porra do livro não tinha um herói idealista ou uma heroína resistente. Só tinha, com o perdão do francês, um bando de pau-no-cu. Eu gostava dos romances do José de Alencar, totalmente água com açucar, porque no final eu sabia que todo mundo iria se dar bem: o índio pega a loirinha, o noivo mala que foi escrotizado durante todo o livro se torna um sujeito gente boa. Já de Machado de Assis eu gostava, e era beeem realista, mas o estilo do escritor salvava o dia. Enfim, eu estava falando sobre heróis e agora estou lembrando de literatura nacional. Aonde eu estava mesmo?

Como já disse antes, “Uma das coisas que eu não gosto de Watchmen é o ar realista”. Heróis precisam ser heróicos, não concordam? A idéia de heróis no mundo real é um ótimo exercício, sim, mas veja que Watchmen introduziu n+1 mudanças na forma como fazemos quadrinhos, mas não mudou o essencial: heróis heróicos ainda predominam. Sim, temos anti-heróis, badass motherfuckers, heróis atormentados, mas no fundo eles ainda são heróis. O Wolverine é malvadão, o Gambit é um safado, mas quando o sapato aperta você sabe que dá pra contar com eles. O Superman não se cansa dos seres humanos e do planeta Terra, e isso é reconfortante. O Batman não envolve as superpotências globais em um golpe maquiavélico para promover a paz mundial (e sabemos que ele conseguiria, afinal ele é o Batman). Imagina como seria escroto se a Marvel fizesse uma trama em que o Professor X é acusado de abusar de seus alunos? Ou se o Wolverine REALMENTE fosse malvadão e sem princípios, tipo o Comediante? Não funciona, e isso acontece porque gostamos dessa água com açucar.

É lógico que a gente disfarça. Essa coisa de anti-herói, tão em voga depois dos anos 90, é pura marmelada. Gostamos mesmo é do Homem-Aranha salvando Nova York durante a noite e dando aulas de dia pra pagar as contas, porque podemos nos espelhar. Gostamos do Supes usando seus incríveis superpoderes para salvar gatinhos, porque podemos querer ser como ele. E até gostamos do Batman, porque ele funciona como um lembrete de que o lado escuro e insano existe, mas podemos sobrepujá-lo e sermos melhores que ele. No final, gibis e histórias de superheróis são e DEVEM ser escapismo pueril – até mesmo porque são úteis para a nossa sanidade mental, segundo Carl Jung e Joseph Campbell. O exercício que Watchmen propõe é válido – e fantástico – mas Deus me livre de gibis realistas com heróis realistas num mundo realista. E aproveita e me passa o gibi do Lanterna Verde, fazendo favor.

No dia mais claro, na noite mais densa, meu anel verde-raio-laser é UM LUXO, MONA!

No dia mais claro, na noite mais densa, meu anel verde-raio-laser é UM LUXO, MONA!