Jung, de novo!
Postado por Enrique em 11 de abril de 2009“Desde tempos imemoriais os homens especulam a respeito de algum ser supremo (um ou vários) e sobre a terra do “Depois”. Só hoje em dia é que julgam poder prescindir destas idéias.
Por não conseguir com um telescópio descobrir no céu o trono de Deus, nem termos como nos certificar de que um pai ou uma mãe bem-amados ainda existem em algum lugar em forma mais ou menos corpórea, julgamos que tais idéias “não são verdadeiras”. Eu diria, antes, que elas não são “verdadeiras ” o bastante, pois estes conceitos acompanham o ser humano desde tempos pré-históricos e ainda irrompem em nossa consciência ao menor estímulo. O homem moderno afirma que pode perfeitamente passar sem eles, e defende esta opinião argumentando que não existe nenhuma prova científica da sua autenticidade. Mas em muitos momentos lamenta-se por ter perdido suas convicções. No entanto, se estamos tratando de coisas invisíveis e desconhecidas (pois Deus está além do entendimento humano e não temos meios de provar a existência da imortalidade), por que exigimos provas e evidências? Mesmo que o raciocínio lógico não confirmasse a necessidade de sal na comida, ainda assim tiraríamos proveito de seu uso. Poder-se-ia argumentar que o uso do sal é uma simples ilusão do paladar ou uma superstição; nem por isso o seu emprego deixaria de contribuir para o nosso bem-estar . Por que,
então, nos privarnos de crenças que se mostram salutares em nossas crises e dão um certo sentido à nossas vidas?
E o que nos permite afirmar que estas idéias não são verdadeiras? Muitas pessoas estariam de acordo comigo se eu declarasse categoricamente que talvez não passem de ilusões. O que não se percebe é que uma declaração desta ordem é tão impossível de “provar” quanto a defesa de uma crença religiosa. Temos inteira liberdade para escolher nosso ponto de vista a respeito; de qualquer maneira, será sempre uma decisão arbitrária. Há, no entanto, um forte argumento empírico a nos estimular ao cultivo de pensamentos que se não podem provar. É que são pensamentos e idéias reconhecidamente úteis. O homem realmente necessita de idéias gerais e convicções que lhe dêem um sentido à vida e lhe permitam encontrar seu próprio lugar no mundo. Pode suportar as mais incríveis provações se estiver convencido de que elas têm um sentido. Mas sente-se aniquilado se além dos seus infortúnios ainda tiver de admitir que está envolvido numa “história contada por um idiota”.”
Carl G. Jung – O Homem e Seus Símbolos, pg. 87
Sabe, as vezes eu tenho vontade de dar um beijinho na carequinha do Jung. Porque ele consegue colocar em palavras aquilo que eu acredito, por ele ter “inventado” a sincronicidade, e também por ele ser todo charmozinho como só um psiquiatra do século passado poderia ser. Ainda te pego, Junjun!

*SMACK*





