Confissão Postado por Enrique em 27 de maio de 2009
Eu acredito sinceramente que o mundo é um lugar mágico. Fantástico mesmo, cheio de coisas pra se conhecer, para se fazer, para de descobrir, cheio de maravilhas e mistérios e coisinhas legais e livrarias e jardins e pessoas legais e gatos e tudo mais. Mas ao mesmo tempo, eu não sei se acredito mais em mágica. Digo, a mágica inexplicável que faz as coisas acontecerem sem explicação, que realiza milagres de graça, que te entrega o que você quer de mão beijada e num embrulho de laço vermelho. Se o mundo for mágico mesmo como eu vejo, talvez ele seja algo como a Disneylândia: engrenagens, óleo e robôs por trás das atrações mais lindas, atores fantasiados que se transformam nos personagens, um esforço tremendo e uma coordenação maluca para que tudo aconteça da maneira certa e, mais importante, evitar que a ilusão desabe diante do menor sinal de confusão.
É por isso que eu não acredito em destino e coisas derivadas. Entendam, aqui dentro eu sou um sonhador incurável que enxerga padrões e sinais nas coisas mais insignificantes e absurdas. Mas me perdoem o francês, eu sempre me fodi quando acreditei nisso, que estava seguindo um caminho pessoal e imutável, escrito pelas mãos de Deus especialmente para a minha pessoa. E eu sinceramente aprendi muito pouco, vivi menos do que poderia ter vivido, mas acho que se aprendi alguma coisa, foi isso: você é o responsável. Não tem nada escrito, não tem um mapa, não tem linhas guia, não tem sinais, não tem nada. Só tem você, e nos dias legais isso é uma benção e nos dias chatos isso é o pior inferno que você vai conseguir imaginar. Destino é o que eu faço todo dia, é a direção em que estou me movendo, é a soma de dia após dia após dia. E dia após dia após dia começa a se tornar um pé no saco, e tem hora que dá vontade de jogar a toalha, mandar tudo às favas porque a gente não enxerga saída, não obtém retorno, não consegue achar um sentidozinho que seja. E o mundo é um lugar deveras complicado, mesmo sendo mágico e fantástico, não muda o fato dele ser complicado e um tanto assustador. Porque você não tem controle sobre nada, você não tem como prever as pessoas, os fatos, as circunstâncias, o tempo, nada. Fazendo um esforço tremendo, tendo um controle gigantesco e uma força de vontade descomunal, você consegue controlar um fator e um fator somente: você mesmo. No final é tudo que você tem. É sua única arma, sua única ferramenta pra tentar um mundo que no final das contas não está nem aí contigo. Por isso mesmo, mágica é o que você faz acontecer com o seu esforço. É uma mágica suja, falha, cheia de limitações e defeitos, que vem a custa de sangue, súor e lágrimas, mas é a única que existe e a única que vale a pena de verdade. Não existe nada de valor real nesse mundo que não seja fruto dessa mágica. Não existe destino, não tem predestinação, caminho traçado pelos astros, nada. Só existe gente. Gente que se esforça, gente que luta, gente que se arrisca, gente que se fode e gente que, após muita, mas muita merda, se dá bem e consegue fazer acontecer alguma coisa boa. E isso faz valer todo o esforço.
Ciranda, cirandinha
vamos todos cirandar
vamos dar a meia-volta
volta e meia vamos dar!
Por isso senhor Enrique,
entre dentro desta roda,
diga um verso bem bonito
diga adeus e vá-se embora!
(lembrei desta música lendo teu texto… vai entender porque eu só lembrei de brincadeiras de criança lendo isso)