Don’t Be a Dick
Postado por Enrique em 19 de maio de 2009Tem uma regra do universo que diz “Não seja um pênis”. Basicamente, se você tiver a oportunidade de deixar a vida de qualquer pessoa que cruzar o seu caminho um pouco ou muito pior, não o faça. “Ah, mas e se…”. Foda-se. Guarde seus “se”s para seu próprio julgamento, você é quem tem que saber quando ser um pênis e quando não ser. Eu sei que não é tão simples assim, e é disso que eu vou falar. Mas, basicamente, não seja um pênis.

Hoje eu acordei chato. Inquieto. Um porre pra mim mesmo. Um monte de coisinhas escrotas no trabalho me lembrou que eu odeio o que eu faço e que não estou fazendo porra nenhuma pra sair de lá, e isso me deixa realmente puto comigo mesmo. Sabe aqueles dias em que você acorda sentindo a magia percorrendo suas veias, sentindo que o mundo é todo seu, que tudo vai dar certo e tudo vai ser legal? Eu acordei o oposto disso. Com vontade de chamar o Gandalf de velho pedega farsante, com a sensação de que deram o mundo para o moleque escroto que me zoava na quinta série, e que tudo vai acabar errado e com adoçante artificial. Grunf.
Tem uma instituição de caridade que liga todo santo mês pra gente lá no escritório, pedindo colaborações. É uma instituição que cuida de crianças carentes que tem câncer, sem ajuda nenhuma do governo, só com doações e trabalho voluntário. O trabalho deles é bem reconhecido na cidade, super necessário e realmente louvável. E todo mês eles ligam lá, e é a mesma mulher que sempre liga, sempre com a voz animada recitando o discurso que ela deve repetir para todas as milhares ligações que faz. Tem dia que tudo está legal, você tem dinheiro na carteira, resolve colaborar sem problemas. É o que eu faço geralmente. Tem dia que você tá sem grana, ou mesmo não quer colaborar, aí dá um motivo e pede pra eles ligarem na outra semana.
E tem dias, como hoje, que a mulher liga e a primeira coisa que você pensa “Que merda, é a mulher da instituição”. E ela começa a falar e você quer que ela pare, você não quer se lembrar que existem pessoas com problemas MILHÕES DE VEZES maiores que os seus, você só quer ficar ali no seu canto. E ela ia falando e eu ia grunhindo em concordância. Aí ela disse “Olha, eu sei que a gente enche vocês, mas é que..” e eu cortei ela e disse “Tudo bem, eu vou colaborar com dez reais”. Ela disse “Muito obrigado, Sr. Enrique!”, genuinamente animada, e tudo que eu fiz foi desligar o telefone.
Assim que o telefone encostou no repouso, eu caí em mim. Que merda. Que merda de criança mimada escrota eu sou. Já imaginou o tanto de merda que essa mulher ouve o dia todo? Imagina o tanto de sapos alheios que ela tem que engolir, de gente cujos problemas não tem porra nenhuma a ver com ela, mas como ela resolveu ligar porque não descontar nela? E ela tá lá pedindo grana pra ajudar crianças que sofrem da doença mais filha da puta que existe, que estariam completamente perdidas se alguém não levantasse a bunda da cadeira e fizesse alguma coisa. A mulher tá lá, fazendo a parte dela. E eu tive a oportunidade de deixar o dia de merda dela um pouquinho melhor, com alguma merdinha de palavra legal que não ia me custar nada, porque quando a gente tem um dia de merda qualquer palavrinha inesperada de apoio já é alguma coisa. E eu disse grunf. Gênio, Enrique, você é um gênio.
Enfim, a moral da história é que…eu fui um pênis. Bem grande e nojento. Não porque eu realmente seja um cara escroto, mas porque na hora eu estava realmente preocupado e entretido com as sujeirinhas que existem no meu umbigo. É, não tem bem uma moral, exceto que..Crianças: não sejam um pênis. É um saco ser um pênis. (Dãã).
(E esse blog anda muito pra dentro. Hora de botar ele pra fora.)
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