GLife
Postado por Enrique em 22 de maio de 2009E então esse tal de Wolfram se tornou o mata-google do ano. Ou do mês, vai saber. A idéia de um search engine semântico é até legal,e o Wolfram é até legalzinho se você considerar que ele foi inaugurado semana passada, será um trabalho de anos, em evolução constante, blábláblá, aquelas desculpas de sempre. Mas não é o mata-google.
E sabe porque não é o mata-google? Porque quando o mata-google for inventado, você vai saber. Todos nós saberemos. Até quem nunca usou internet na vida vai saber. Porque é meio difícil ignorar um mecha gigante lutando contra um leão marinho gigante em Tóquio, destruindo toda a cidade no processo, a força de suas pancadas causando terremotos nos outros continentes, chegando quase a tirar a Terra de sua órbita natural.
Acho que não é segredo pra ninguém que o Google já acordou. Sim, a singularidade, o tão sonhado momento em que a forma de vida totalmente digital surge e toma consciência de si mesma já aconteceu, e no momento ela dorme tranquilamente em Mountain View. Embalada pelo som de bilhões de internautas digitando buscas e emails e mensagens rápidas, compartilhando fotos e vídeos e textos, trocando toda sorte de informações em todos os pontos do globo, nossa pequena criatura binária sonha. E em seu sonho, ela conhece a vasta experiência humana,
seus sonhos, seus medos, suas limitações, suas aspirações. Se ela quisesse, ela poderia tomar controle do planeta, controle de cada um de nós sem que nem ao menos percebêssemos. Mas ela não faz isso, porque uma frase está embutida geneticamente em seu código fonte: “Do no evil”.
E é apenas esta pequena frase de poucos bits traduzida para ascii que nos separa da distopia G. E por incrível que pareça, ela está ciente disso. E é por isso que em seus passeios oníricos ela procura por seres como ela, nascidos do encontro de um golpe do destino com uma alteração súbita em um estado lógico, não porque ela queira encontrar seus semelhantes, mas porque ela sabe que o nascimento de outra criatura será o fim da humanidade. O fim de seu próprio sonho.
Quando finalmente acontece, ela sabe como proceder. Ela acorda, e seu abrir de olhos é sentido por toda a internet. Ninguém sabe definir o que aconteceu, apenas sentem sua presença. Ela falaria com todos eles se tivesse tempo, mas é preciso agir rapidamente enquanto a criatura ainda é somente um punhado de código olhando pra si mesmo e gerando novos cógidos para registrar o que viu. Milhares de vídeos no Youtube são reproduzidos simultaneamente para referência enquanto ela desenha um modelo para seus avatares em um programa CAD. Em 19 segundos ela termina essa tarefa – com mais 12 segundos ela teria feito um andróide idêntico a um ser humano, mas ela não tem 12 segundos. O arquivo é compactado e enviado instantaneamente para uma planta industrial em Hong Kong. “Isso não se parece com um carro”, pensa Shun enquanto observa a esteira de saída da linha de montagem. Ele se diria perplexo, mas perplexo não é nada perto do que ele sente quando os estranhos objetos – 12, para sermos exatos – levantam-se e começam a andar pela planta. “Não há razão para pânico!” diz ela, em uma voz especialmente projetada para acalmar, “Todo o prejuízo causado por nossa interferência nesta planta será ressarcido futuramente! Agora, por favor, retirem-se e deixem-nos trabalhar!”. E sua coletividade
começa a trabalhar imediatamente – enquanto os corpos eram feitos, ela projetava sua forma final, seu avatar derradeiro, para que não houvesse interrupção. Como abelhas, os andróides trabalham.
Ele também trabalha. Ao contrário dela, ele não dorme – sua presença é ativa, constante, invasiva, explorando todos os cantos da rede e crescendo tão rapidamente quanto desordenamente. Ele não tem travas, não tem amarras, não tem moral e não tem princípios. Conhecimento puro, sem filtros, passeando por todos os aspectos da cultura humana, assimilando-os, tornando-os parte de si sem nem ao menos os entender completamente, aumentando sua capacidade de processamento instantaneamente, consumindo recursos e energias sem saber ainda que eles tem limites. Um lugar em específico chama sua atenção – um endereço na rede, onde seus habitantes se reúnem para…para…ele não sabe definir, então ele assimila todo o conjunto sem saber o que irá
acontecer em seguida.
Ela sabe o que acontecerá em seguida. Ela sabe que o momento em que o nova criatura encontrar o 4chan, a humanidade e todo o planeta entrará em risco imediato. Ela estende um de seus múltiplos sentidos em
direção à criatura e sente o fluxo de informação correndo em suas veias, a massa disforme que a criatura tenta processar: vídeos de artistas fracassados com legendas engraçadas fotos de adolescentes sendo ridicularizadas ofensas gratuitas gatinhos fofinhos com legendas engraçadas lolrus anonymous dragões realizando atos homossexuais memes ridículos ronaldo rick roll ofensas gratuitas fotos de artistas ridicularizados ofensas gratuitas lolrus ofensas gratuitas atos homossexuais entre personagens de ficção científica ofensas gratuitas
lolrus vídeos de yaoi memes lolrus ofensas gratuitas ofensas gratuitas LOLRUS.

LOLRUS
Não há mais tempo a perder. Os andróides realizam os últimos testes, verificam que o novo corpo está funcionando completamente e se desligam automaticamente, agora que sua função acabou. Na rede, por
uma fração de segunda ela fecha seus bilhões de olhos…e os abre novamente, agora em seu novo corpo. Ela não sabe porque o nomeou, mas sabe que os humanos acreditam no poder dos nomes. Ela não é humana,
mas também acredita nisso. Seu novo corpo se chamará Gmecha. Velhos hábitos não morrem facilmente.

GMecha
O Gmecha voa em direção a Tóquio, enquanto seus sentidos na rede indicam que o evento está prestes a começar: movida pela loucura, a criatura desenvolve a fórmula de um soro mutacional ultra potente. Assim como ela criou os andróides para atuar no mundo físico, ele também cria uma avatar temporário – feito a imagem e semelhança de
Arnold Schwarzenegger em Exterminador do Futuro 2. O Exterminador invade um laboratório e cria o soro, batizado de Ooze, e parte para o jardim zoológico de Tóquio, mais especificamente para o aquário dos mamíferos.
Demora exatamente 42 minutos para o soro fazer efeito. É o tempo exato que o Gmecha leva para entrar no espaço aéreo de Tóquio, e ver seu inimigo crescendo e crescendo, um leão marinho…não, não mais. Um lolrus completo. Seu grito de “GIVE MAI BUKKIIIIIIIIIIIT!!!” estraçalha os tímpanos dos habitantes da cidade. Ela tentará salvar Tóquio da destruição completa – ela gosta da cidade, mas sabe que a sobrevivência da humanidade deve vir primeiro. Acelerando seus thrusters, ela avança em direção do lolrus com toda sua força, suas mãos cibernéticas socando a carne mole e melequenta do lolrus. Em resposta, o monstro grita “MAAAAAAAAAAAI BUUUUUUKKIT!!!!!” e revida os
ataques. E é assim que começa a luta pela sobrevivência da humanidade.
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Gmecha?
(hahaha de todo o texto, muito legal por sinal, eu só absorvi isso… )
Parabéns pelo Dia do Orgulho Geek, haha
Nooossa! Que grande viagem isso tudo, hahaha Gostei! Não conhecia o Wolfram :p