Coisas Geek de um Hobbit Inútil

E não se esqueça da toalha.

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Meu Maior Trauma de Infância

Eu não lembro ao certo quando isso aconteceu, só que foi em algum lugar entre a terceira série e o começo da quinta. Sim, porque durante essa época eu era o feliz proprietário de um motherfuckin’ Turbo Game CCE, compatível com o Nintendinho 8 bits, e com entrada para cartuchos japoneses e americanos. Eu até hoje não entendo se a CCE realmente podia, ou ao menos tinha autorização da Nintendo para comercializar Nintendos piratas videogames compatíveis com o Nintendinho. Enfim, funfava e isso era tudo que me importava. Meu primeiro videogame da nova geração! Gamepad com setas direcionais, botões A, B, Start e Select! Agora eu poderia jogar todos aqueles jogos fodásticos que eu via naquele programa de videogames da Band! BAH! QUE FODA!

Turbo Game, A MÁQUINA

Turbo Game, A MÁQUINA

Acho que seis meses depois eu estava implorando por um Super Nintendo, e maldizendo o Turbo Game. Enfim, coisas da vida.

Mas voltando ao tempo em questão. Meu pai sempre viajou pra caralho, e era tipo uma OBRIGAÇÃO paterna trazer brinquedos para os pimpolhos. Aí claro que, com o videogame novo, a gente começou a importunar ele para trazer sempre cartuchos de presente. E aconteceu, graças ao destino, do meu pai ir trabalhar em Manaus. Motherfuckin’ Manaus. Motherfuckin’ Zona Franca de Manaus. Paraíso de todas as coisas eletrônicas, livre de impostos, muamba comendo solta, aquela coisa linda de Deus. Diante disso, ficou beeem mais fácil pro meu pai trazer cartuchos pra gente. Claro, todos piratões, mas e daí?

E uma das coisas legais do meu pai é que ele é fuçado. Lê muito sobre um monte de coisas, está sempre antenado em coisas de tecnologia, vive indo na Sta. Ifigênia e voltando com um monte de porcarias. Tipo, cada vez que ele vai lá ele volta com um HD externo novo. Meu velho tem quase 1 tera de HDs externos, que eu não faço idéia do que ele guarda lá (errr…sim, eu também suspeito o mesmo que vocês, não precisar dar opiniões do que ele guarda lá). Enfim, nessa época ele sabia que o JOGO SENSAÇÃO DO MOMENTO era o Super Mario Bros 3.

Super Mario 3, o MAIS MELHOR de todos

Super Mario 3, o MAIS MELHOR de todos

E aí uma bela noite ele chegou, e tinha um cartucho de Super Mario Bros 3 na mala. E ele retirou o cartucho de Super Mario Bros 3 da mala, e entregou para mim o cartucho de Super Mario Bros 3, e eu olhei incrédulo para o cartucho de Super Mario Bros 3, olhei para o meu pai, olhei de novo para o cartucho de Super Mario Bros 3, lágrimas escorreram de meu rostinho juvenil. Eu gostaria muito de dizer que agradeci meu pai, dei-lhe um abraço apertado, agradeci profundamente, e depois prometi um dia dar algo em troca por aquele cartucho tão fodástico. Mas nem – eu saí correndo que nem um nerd estabanado para o meu quarto.

Talvez aí esteja o meu erro. Sim, sem dúvida, aí estava o meu erro.

Sim, porque na minha estabanação eu corri para o meu quarto, tirando o cartucho do pacote, me jogando no tapete, arrancando o cartucho antigo, ligando a TV, colocando o cartucho de Super Mario Bros 3 e ligando o console e babando diante de…diante de…uns quadrados multicoloridos estranhos?

WTF? Reseta o console. Mesmos quadrinhos estranhos. Som bizarro, nada de musiquinha. Ok, reseta o console. Quando minha mão encostava no reset, eu vi a cagada. Eu vi a cagada. Eu vi a cagada. Senhor, eu vi a cagada. EU ENFIEI A FITA DO LADO CONTRÁRIO. Porque vocês, criançada criada no leite com pêra, no ovomaltino, nunca tiveram esses problema! Não tinha travinha igual no Super NES, não era cdzinho ou dvdzinho. No meu tempo dava pra inverter a fita e queimar o cartucho, mano!! E foi essa MERDA que eu fiz!

Sim, não havia dúvida, eu inverti o cartucho. Já quase chorando, eu desliguei o videogame, arranquei a fita e olhei para ela. Talvez ainda houvesse salvação. Fazendo uma prece silenciosa para São Myiamoto, eu dei o clássico ASSOPRÃO milagroso no cartucho e voltei a colocar a fita, dessa vez do lado certo.

E por um instante eu achei que tudo estivesse bem. Por um momento eu achei que São Myiamoto fosse ouvir minhas preces, mas nesse dia eu aprendi que São Myiamoto não é um santo católico bonzinho e legal, mas um deus greco-nipônico sádico e irônico. Porque meus ouvidos ouviam a clássica música do Mario, mas meus olhos…meus olhos só viam METADE da tela. Resetei. Mesma coisa. Sabe-se lá como, a memória do jogo ficou intacta, mas algum bagumelozinho de repassar a imagem do jogo para o console ficou danificado e…e….só aparecia metade da tela do jogo. A metade de baixo algumas vezes, a metade de cima outras vezes. Mas nunca nunca Super Mario Bros 3 completo, puro e intocado.

NÃÃÃÃÃÃOOOOOOO

NÃÃÃÃÃÃOOOOOOO

E esse foi o meu maior trauma de infância. Sniff…

One Comment

  1. Elu escreveu isso em terça-feira, 26 de maio de 2009 às 9:18 pm | Permalink

    Noob.

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