A Smooth Criminal

Postado por Enrique em 28 de junho de 2009

E aí que o Rei do Pop morreu. Vida longa ao Rei.

Não sejamos hipócritas: nós súditos do Rei do Rock nunca respeitamos muito ele. Sim, é fácil agora tirar lembranças da infância e lembrar que “Black & White” foi um dos primeiros videoclipes realmente l-e-g-a-i-s que eu vi. Ou que eu sabia fazer o moonwalk na terceira série e fazia sucesso nos intervalos da escola por causa disso. Ou ainda que eu ganhei o cd do Thriller de presente do meu pai, e torci o nariz quando vi mas uma semana depois eu só ouvia ele. Ele era bom! Ele era legal! Ele foi relevante, disso ninguém tem dúvidas.

Mas de vários anos pra cá a gente perdeu o respeito. Claro que ele não ajudava – uma cara diferente e cada vez mais estranha quando aparecia na TV, essa mania estranha e possivelmente perversa de abraçar meninos, e a gente também já não ligava tanto pras músicas. No meu caso, eu virei súdito de Elvis e rejeitei e desprezei tudo que fosse (ou parecesse) pop por um bom tempo. Demorou séculos pra que eu percebesse que essas separações entre rock e pop eram imaginárias (e um tanto ridículas), mas todo bom adolescente curte um perrengue, vai dizer. E durante todo esse tempo eu esqueci do Michael. Volta e meia apareciam notícias dele – ele balançando seu filho numa sacada, ele gravando um clipe multimilionário com a irmã, ele endividado até as botinas – e eu ria quando sabia delas. Putz, esse cara já era, dá um tempo. “MJ? Tá falando da Mary Jane Watson-Parker? Ah, sim o Michael Jackson…ele tá vivo ainda?”

Não, não está mais. E agora dá-lhe todo mundo baixando os discos dele (tô baixando o Bad nesse momento), vendo seus vídeos no youtube (42 milhões de exibições de Thriller da última vez que olhei), pensando que ele era estranho mas era legal, e que talvez ele nem fosse pedófilo, vai dizer, era um incompreendido, um maluco. A gente fica gentil com os reis quando eles morrem, não? É fácil, é natural. E mesmo assim, que bando de filhos da puta somos nós.

O Outro Rei morreu. Vida longa ao Rei.

E rezemos pra ele não voltar como zumbi pra se vingar

E rezemos pra ele não voltar como zumbi pra se vingar


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3 Comentários to “A Smooth Criminal”

  1. larri disse:

    Agora q o doido morreu tem gente santificando o cara.

    Ele sem dúvida era bom, mas o q eu realmente vou lembrar dele não é das suas excelentes músicas, mas sim de sua cara medonha deformada pelas zilhoões de plásticas e sua mania de abraçar garotos.

    Talvez não seje culpa dele q a cabeça dele fritou, mas q ele era doido, a isso ele era.

  2. Pedro disse:

    A gente é sempre muito cruel com quem vive e muito condescendente com quem morre. Trituramos esse cara vivo e agora vamos erguê-lo em um pedestal que talvez seja alto demais. Mas tudo isso é irrelevante, porque pra mim o Michael Jackson já tinha morrido há anos. Michael Jackson era aquele gurizinho negro muito foda que cantava bem pra caralho com mais quatro irmãos, aquele cara que saiu em carreira solo e chutou o balde, daí fez o moonwalker (filme) que é uma seqüência intrincada de videoclipes sensacionais.

    O cara deformado que ameaçava jogar crianças da sacada e molestava garotos, esse era outro cara. Esse eu nunca conheci, sobre ele não tenho opinião. Mas esse cara não era o mesmo de quem eu gostava, nem era o Michael Jackson. Era outro.

  3. Cauks disse:

    Eu continuo achando que ele era um louco varrido e absurdamente infeliz.
    Continuo achando abominável esse lance de querer ficar branco, com traços de branco e comprar filhos brancos. Se queria filhos, se seria mesmo por inseminação, pq não filhos dele de sangue e o escambau?
    Sobre a pedofilia, nem sei se acredito. Pq ele era estranho, mas o povo tirava vantagem pra descolar alguns milhões do bocó. E ele caía como um pato. Mas, tb não coloco minha mão no fogo.
    Cheguei a gostar do MJ na época de Beat It e parei por aí. Felizmente, caí nas graças do rock inglês, mas admito que o sujeito era talentoso.
    O que me dá pena (e isso eu sempre falei, mesmo qdo o aloprado tava vivo e aprontando) é que MJ tinha tudo pra ser feliz e não foi. Tinha talento, carisma e dinheiro. Infelizmente, não tinha saúde mental.

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