Minha Aventura de Quarta-feira

Postado por Enrique em 11 de junho de 2009

“Welcome to hell” dizia o SMS enviado pelo Omelete, e ele não estava brincando. Ontem eu conheci o dark side de São Paulo, numa véspera de feriado chuvosa em que eu precisava sair de Guarulhos e chegar em Congonhas, rumo à minha casa. A idéia inicial era: chegar umas 4 da tarde em Congonhas, deixar minha mochila no guarda-volumes, ir pro metrô e subir até a Sé pra tomar chopp com o Omelete. Ha, São Paulo em véspera de feriado não tem respeito por idéias iniciais.

Pra começo de conversa, a história de chegar em Congonhas as 4 da tarde foi pras picas. O caminho reto até o aeroporto estava simplesmente travado, então o tio do táxi pegou a Radial pra tentar chegar “mais rápido” lá. (Eu só descobri que estava na radial porque o Omelete mandou sms perguntando onde diabos eu tava, e eu perguntei pro taxista). “Mais rápido” = velocidade média de 10 km/h, mas melhor que ficar parado. Demos uma puuuuta volta, mas foi legal conhecer outros cantos da cidade. São Paulo tem geografia própria: cordilheiras de prédios, rios de carros, vales de concreto, túneis subterrâneos, ilhas verdes no meio da confusão metropolitana. Como será que é morar aqui? Antes eu tinha receio de morar em capitais, mas com um ano me virando em Salvador eu posso dizer que me viraria bem. Eu acho. Enfim.

Cheguei cinco e tanto no aeroporto, já completamente descrente que iria sair de lá. Mas o Omelete tava lá esperando na estação, e what the hell, tá na chuva é pra se foder. E lá fui eu rumo à estação da Conceição. Lá na Conceição eu fiz algo MEGA MASTER CAIPIRA, mas depois eu conto. Enfim, peguei o metrô e…puta que pariu, eu não conhecia metrô lotado ainda. Totalmente compactado em minha lata de sardinhas subterrâneas, segui pra Liberdade (o chopp não dava mais tempo, então a gente ia comer miojo mesmo). Cara, dá umas dez estações até a Liberdade, e a cada estação eu tinha esperança que alguém fosse descer. “Ah, aqui faz conexão com a linha verde, quem sabe…putamerda, essa horda INTEIRA vai entrar nesse vagão?…entraram”. Quando faltavam umas duas estações, eu comecei a ficar preocupado que eu não ia conseguir sair do vagão. Porra, não dava pra se mexer ali, como é que eu ia chegar até a porta? E se eu fosse em direção a uma porta, e a porra da estação só tivesse plataforma na porta do outro lado? E…ai carai, parou na estação, São Conan me dê força pra empurrar todas essas velhinhas, manos, japoneses e estudantes.

Finalmente! Agora eu estava na Liberdade, e eu tinha…uma hora e meia pra comer e sair correndo de volta pro aeroporto >.<. Encontrei o Omelete na saída da estação, e a gente foi pro restaurante de Lamen. A essa altura a chuva já tinha diminuído bastante, mas ainda fazia um friozinho legal…e olha só, a Liberdade fica LINDA nessas condições. Arcos japoneses, lanternas iluminadas, lojinhas e restaurantes típicos ainda abertos, aquele ar de coisa fora do tempo e do espaço. Eu realmente preciso de uma câmera ou um celular com câmera, pra carregar sempre comigo e guardar essas coisas. Mas é claro que as surpresas de sexta ainda não haviam acabado: o restaurante de lamen estava fechado, e lá fomos nós pra outro lugar. “Já comeu bifun? E gyuza?”. Nooops…então vamos lá. Mais voltas pela Liberdade, até chegar em outro restaurantezinho, dessa vez aberto. Lugarzinho apertado mas limpinho e aconchegante, cheio de japoneses tomando sopa e conversando alto (em japonês, claro). Bifun é muuuito gostoso, mas gyuza é realmente especial. Tipo uma trouxinha de massa cozida, com carne temperada com nirá (tipo uma cebolinha japonesa, muuito boa). Comemos, conversamos um monte, tomamos chá (mate, porque nem tudo tem que ser tradicional mesmo num restaurante japa) e fomos embora.

(E eu descobri que aquela avenidona que passa embaixo da Liberdade é a Radial! Muuito legal a ponte com os arcos japoneses vista “de baixo”, parece algo fora do nosso tempo. A Liberdade realmente parece uma cidadezinha à parte de São Paulo.)

De volta ao aeroporto, mais uma surpresa! O aviãozinho da Pantanal não havia conseguido pousar em São Paulo, e foi mandado pra Campinas. E agora todos os passageiros iam ser colocados num ônibus pra Campinas, e de lá a gente iria pra casa (passando por Marília antes). O leitmotiv da sexta-feira foi “Surpresa!” e eu já havia colocado isso na cabeça, então foda-se, vamos esperar e ver no que vai dar. Pra quem achava que ia chegar meia noite em casa, eu acabei chegando 4 da manhã. Mas não reclamo, foi divertido. Conheci o aeroporto de Campinas (arrumadinho e pequeno, legal), fiquei esperando a boa vontade dos operadores de voô pra deixarem a gente ir pra casa, mas no final deu tudo certo.

Em casa, novamente. =D

Um Comentrio to “Minha Aventura de Quarta-feira”

  1. Larri disse:

    Uma vez eu passei 10 horas da minha vida em um aeroporto em johannesburg esperando meu próximo avião. Posso te garantir que não foi uma experiência divertida.

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