Question Everything

Postado por Enrique em 23 de junho de 2009

“A última coisa que Buda disse aos seus seguidores antes de morrer foi: “Questionem tudo e todos”. Bem, na verdade se você for procurar, o que ele realmente falou foi “Sejais lâmpadas de si mesmos” (A maior parte dos tradutores destes escritos realmente gostava dessa linguagem semi-bíblica). O ponto é que, uma lâmpada serve para iluminar o seu caminho no escuro. “Sejais lâmpadas de si mesmos” significa ser o seu próprio mestre, ser sua própria lâmpada. Não acredite em algo porque foi o seu professor, o seu herói, ou até porque foi o Buda quem disse. Procure por si mesmo. Veja por si mesmo, com seus próprios olhos. Seja uma lâmpada você mesmo. Em outras palavras, questione tudo”.

Esse é um trecho do comecinho do livro “Hardcore Zen”, um dos livros mais legais que eu já li. A idéia do autor Brad Warner é explicar o que é realmente o Budismo, sem toda a frescura e linguagem críptica que geralmente acompanham os livros de budismo. A mensagem de Buda na verdade é bastante simples, e como todas as boas-verdades-bastante-simples ela é de fácil compreensão e quase impossível execução. Basicamente tudo que Buda disse pode ser resumido em “Esteja aqui agora”. E o pior é que nós nunca estamos.

Tenho cá pra mim que a gente gosta de colecionar fragmentos. Bom, pelo menos eu adoro. Pedaços de letras de músicas, trechos de livros, conversas interessantes de filmes, artigos interessantes, frases de efeito. Coisas que nossos pais dizem pra gente, que nossos amigos nos contam, que os professores falam na sala de aula, que ouvimos alguém dizer. Todas essas coisas parecem ter sentido, seja porque nos foram passadas como verdades por quem disse, seja porque simplesmente soavam como verdades aos nossos ouvidos. E a gente vai colecionando tudo isso, formando uma colcha de retalhos. E a gente anda por aí com essa colcha, enrolados nela, arrastando ela, indo para todo canto com ela. Lembram do Lino?

O que Buda diz é “faça sua própria colcha”. Não roube os pedaços de ninguém. Procure suas próprias verdades, teste elas através da experiência. Questione o que seus pais te dizem, teus professores, teus amigos, a sociedade, suas músicas, seus filmes, seus livros. E não pare por aí! Questione suas próprias idéias, seus sentimentos, suas verdades, seus impulsos, seus medos, suas dúvidas, suas certezas, suas perguntas e suas respostas. A gente dá um valor danado para o que acontece dentro de nossas cabeças, mas na paior parte do tempo tudo o que temos lá dentro é uma cacofonia dos diabos, uma bagunça dos infernos. São só pensamentos. Não são nem idéias formadas, são só pedaços e retalhos de idéias, que vem e vão. “Mas são meus pensamentos, são eles que formam quem eu sou!”. Será mesmo? Essa é a grande questão que Buda propõe. Quem é você, a bagunça dentro da sua cabeça, ou o que permanece quando todo o resto silencia? Ou a soma disso tudo? Eu não sei, sinceramente.

Dizem que a mente deve ser como a mente de um principiante. “Zen mind, n00b mind”, se quiserem. Um principiante está sempre aberto a aprender e conhecer, porque ele não sabe de nada. Já uma pessoa mais experiente é cheia de preconceitos, fica parecendo uma mula velha quando contrariada. E se tem uma coisa que é verdade nesse mundo é que nós não sabemos de porra nenhuma. Porque nós insistimos que sabemos, é um grande atestado de burrice da humanidade como um todo. Enfim, a idéia é: esteja aberto e pronto pra tudo. A realidade não é aquilo que criamos na nossa cabeça, a realidade simplesmente é. “Ah, veja os flocos de neve, todos caindo no lugar certo”. Porque só existe um lugar certo e momento certo: aqui e agora. O resto é imaginação, é só fumaça e espelhos escondendo a verdade.

( Enfim, fazia muito tempo que eu queria falar sobre Budismo aqui (muito tempo sendo uns 2 anos, pelo menos, desde que li o Hardcore Zen). O que me fez sair da moita foi ler esses quadrinhos fantásticos aqui , que achei nesse post do Dimensão Zero. )

Boddhidharma, zen badmothafucka master

Boddhidharma, zen badmothafucka master

No related posts.

Tags: , , , ,

2 Comentrios to “Question Everything”

  1. camila disse:

    Na verdade deveríamos cultivar nosso lado criança pra sempre. Aquele lado que está sempre disposto a descobrir a vida, sem medo, sem traumas, sem esteriótipos, sem exigências e sem a necessidade de ter aquele carro do ano e parecer “cool” para o resto do mundo.

    A vida assim fica leve, porque fica simples. É na simplicidade, ao meu ver, que encontramos a paz que precisamos e conseguimos nos descobrir de verdade.

    • Enrique disse:

      Exaaaaato! Você consegue resumir em um parágrafo o que eu tento dizer em vinte, chefa! A gente anda por aí carregando uns pesos desnecessários, que a gente carrega sem nem entender por quê. Simplificar ao invés de complicar, isso que deveríamos fazer oÔ.

Leave a Reply