Coisas Geek de um Hobbit Inútil

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Mais dois livros

A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafon – Eu não sou um bom crítico. Realmente não sei julgar quase nada tecnicamente, ainda mais um livro, em termos de escrita, enredo, criatividade, personagens, etc. Talvez “A Sombra do Vento” não seja tão bom assim, mas por três dias eu passeei pela Barcelona pós-guerra junto com Daniel e Férmin, investigando a vida de um escritor misterioso cujos livros foram todos queimados, tateando em busca dos atores de uma história improvável, perseguidos por crimes que nunca cometeram. Por três dias eu mergulhei na vida maravilhosa e trágica de Júlian Carax e seus amigos de infância, conheci a dor de seu amor impossível, testemunhei sua devoção e sua loucura, conheci os golpes de destino que o levaram para tão longe de tudo, até de si mesmo. Há prisões piores que celas, sem dúvida, mas há esperança e há redenção ainda que tardia. Por três dias eu vivi nesse universo, e pra sempre vou querer ler os livros que Júlian Carax escreveu, mesmo que eles nunca tenham existido.

O Continente, volume primeiro de “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo – “Noite de vento, noite dos mortos”. Se eu fiquei por 3 dias em Barcelona com o livro anterior, “O Continente” me fez passar três meses nos campos do Continente de São Pedro, seguindo de perto o nascimento e a saga da família Terra Cambará. Testemunhei o encontro fatídico entre Ana Terra e Pedro Missioneiro ferido à beira da sanga, fugi com Ana Terra para Santa Fé, farreei e guerreei com o Capitão Rodrigo, divaguei com o Dr. Winter sobre as peculiaridades dessa terra estranha, vi Bibiana Terra se transformar em mocinha ingênua em mulher de pedra, sendo o pilar da família por três gerações, vi a Teiniaguá e seu encanto destruidor, vi Licurgo e suas guerras particulares. Vi geração passando e as personagens renascendo, as tempestades de verão dos Rodrigos e Licurgos, a raiva contida e encalacrada dos Juvenais e Florêncios, a força e a resistência de cordilheiras contidas dentro das Bibianas e Maria Valérias. Fascinante, pra dizer o mínimo. E ainda faltam dois volumes e cinco livros para terminar a saga toda!

6 Comentários

  1. Elu escreveu isso em quinta-feira, 2 de julho de 2009 às 9:08 pm | Permalink

    Só tenho duas palavras: Érico Veríssimo. (ponto)

    • Enrique escreveu isso em sexta-feira, 3 de julho de 2009 às 12:00 pm | Permalink

      Mais duas e um artigo: ruleia o mundo. (ponto)

  2. Catarina escreveu isso em sexta-feira, 3 de julho de 2009 às 3:15 am | Permalink

    Não tem nada a ver com o seu post. Mas você conhecia isso aqui:
    http://www.youtube.com/watch?v=oNO6pAJBCs4 ?

    • Enrique escreveu isso em sexta-feira, 3 de julho de 2009 às 12:04 pm | Permalink

      Não conhecia não! Pearl Jam girando no microondas, essa é nova…hahaha, é legal ver eles novinhos, o Mike magrelão, o Stone cabeludão e o Jeff com aquelas boinas esquisitas e estilosas. O clipe “oficial” é mais legal, mas esse também é legal…valeu! ;)

  3. guto escreveu isso em domingo, 5 de julho de 2009 às 7:54 pm | Permalink

    O Arquipélago e O Retrato não empolgam tanto quanto O Continente – que entendo como uma espécie de precursor invisível de Cem Anos de Solidão.

    Mas, evidentemente, não podem deixar de ser lidos.

    • Enrique escreveu isso em domingo, 5 de julho de 2009 às 8:42 pm | Permalink

      “…precursor invisível de Cem Anos de Solidão”…Aaah, eu achei justamente isso! São beeem parecidos em certos aspectos – ambos seguem a saga de uma família, ambos mostram como certos aspectos permanecem geração após geração (mas o Cem Anos faz isso de maneira mais intencional, dá pra dizer que o que move o livro são essas repetições).

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