Another Sort of Homecoming
Postado por Enrique em 30 de setembro de 2009- Pra tirar o gato da sacola: em algumas semanas eu estarei indo embora de Salvador. Vou sair do emprego, e correr atrás do que eu quero, seja lá o que for que eu quero. Engenharia definitivamente não é pra mim. “Então o que é pra mim” é a pergunta que não quer calar. Bora descobrir, então.
- “Mas e o que você vai fazer?”. Cada pessoa que me faz essa pergunta, eu respondo de um jeito diferente. A Camila já ouve minha ladainha desde que eu cheguei em Salvador, nem sei como ela ainda me atura. Tem tantas coisas que eu gostaria de fazer, e eu confesso que não sei ao certo pra qual caminho eu vou. Algo me diz “Escolhe um caminho e pula, como você nunca pulou antes. Se entrega, vai com tudo, e o mundo vai te seguir”. Porque a gente vive a vida no rasinho, só sentindo a água nos pés e nunca mergulhando. E eu já pulei tanto pelos outros, sem nunca achar ninguém quanto eu chego lá embaixo, que talvez faça mais sentido eu pular por mim mesmo. E vai ser uma surpresa dos diabos se eu não me encontrar lá embaixo oÔ.
- Quarta passada eu fui pra São Paulo a trabalho, fiquei num hotel na Liberdade que parecia pertencer a máfia coreana, fui praticamente expulso do mesmo hotel sem explicações no outro dia (“não há mais vagas, ordem da diretoria internacional!”), descobri mais regiões de São Paulo que eu não conhecia, conversei com um taxista-ex-mecânico-de-super-motos que me contou vários causos com autêntico sotaque e gírias paulistanas, fui com o Omelete numa casa de hamburguers e comi o maior beirute que eu já vi na minha vida, passeei na livraria Cultura da Paulista (vulgo paraíso), andei pela Liberdade as 11 da noite e não fui abordado por mafiosos coreanos e nem ninjas. É, foi uma viagem divertida.
- Na quinta mesmo eu fui pra casa, atravessando a Grande Planície Paulista de busão. É bom saber que eu vou voltar pra lá, pelo menos por uns tempos. “Mas você vai ver, você não vai conseguir ficar muito tempo aqui, depois que já morou sozinho” disse minha mãe. E eu já sabia que era verdade. Estranho, muito estranho.
- Ontem eu fui pra São Paulo de novo a trabalho. Tava programando passear na livraria Cultura e comer brownie com uma ilustre companhia, mas a reunião atrasou um bocado e acabou não dando certo. Hmpf. Fica pra próxima ;~.
- Nesses quatro dias em casa eu fiz algo que devia ter feito a séculos: voltei a rabiscar. Até o terceiro colegial eu praticamente gastava todo meu tempo livre desenhando, mas nunca dei valor. Achava que não desenhava bem, que não tinha futuro, e nem dava muita bola. Com o tempo, a faculdade e etc e tal, acabei parando completamente. Sabe aquilo de viver no rasinho, que eu disse ali em cima? Se aplica aqui também. Mas a vontade nunca morreu, o desejo que eu sinto de fazer coisas legais, a inveja que eu tenho quando vejo o trabalho de algum desenhista foda, isso nunca desapareceu, apesar de amordaçado. “Ah, isso não é pra mim”. Hmpf.
- Talvez isso se aplique a escrever também. Talvez – não – Com certeza, a hora de mergulhar é agora.
- 2009 é um ano dos bons, em que muito tem acontecido, se não tanto num plano físico, mas talvez mais num plano psicológico. É um ano de pessoas novas, de idéias novas, de novos ventos e novos caminhos. E ao mesmo tempo é um ano de rever o passado, de reconstruir pontes que foram desnecessariamente queimadas, de entender o passado pra fazer direito no futuro. Tem tantas lições no ar que eu fico pensando se estou aprendendo todas, ou pelo menos algumas.
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Cara, é muito difícil tomar decisões drásticas, especialmente no plano profissional. Mas, se não tomá-las, você vai ficar sempre se perguntando “e se…?”.
Boa sorte, em seja lá o que você for fazer.
Valeu, JC! É a velha história do melhor tentar e falhar do que nunca tentar…e uma vida não tentada é um crime.
“O que é pra mim” é uma pergunta ótima. Em algumas áreas, eu sei o que é pra mim. Dei sorte da profissional ser uma delas. Em outras tantas, ainda tô descobrindo. Mas eu acho o seguinte: a gente só descobre “o que é pra gente” depois de descobrir muito “o que não é pra gente”. Uma hora as opções vão acabando, sabe XD
Te desejo muita sorte, muita mesmo ^^
E acho que, de certa forma, “o que é pra gente” pode ser simplesmente pular, e se jogar de cabeça… é uma opção, né? =)
=***
Lady Ágata, a senhorita tem o dom de sempre me dizer, intencionalmente ou não, as coisas mais relevantes e acertadas. Muito, mas muito obrigado! Sobre o pular…sim, eu creio que sim, penso que o caminho seja se entregar completamente a um caminho. Vamos ver aonde eu chegarei com isso!
Acho que você já aprendeu bastante sim com todas as lições que passaram pela sua vida pelos últimos tempos. O foco agora é… encontrar o foco! Maluco, não? Mas é bem assim que acontece e eu sei que você irá encontrar.
Sorte e força, sempre!
E qualquer coisa, chama o Bátima!
Bj
Hahahaha, tem razão, chefa. O foco agora é encontrar o foco! Valeu, por tudo e mais um pouco…e eu não preciso de Bátima qdo tenho a Chefa para me acudir!
=********
Confesso que estou admirada com sua coragem. Hora de buscar a si mesmo, porque não? Por que todo mundo insiste que tenhamos todas as respostas quando mal sabemos amarrar os cadarços?
Deixa pra lá. Em todo caso… boa sorte, rapaz. Vai fundo. Quem sabe não tem um trampolim no final do pulo?
Não é bem coragem, dona Lulu, é mais o coelho branco da Alice na minha cabeça dizendo que o tempo está passando e eu ainda não me achei. Muito obrigado! E sim, um trampolim seria ótimo! Hahahaha
“É tarde!É tarde!É tarde até que arde! Ai ai meu Deus!Alô e adeus!É tarde, é tarde, é tarde!”
É a musiquinha do coelhinho da Alice no desenho da Disney, me persegue desde a mais tenra infância. Espero que o Tim Burton ajude com isso. Mas ó só… tem horas que eu me sinto como aquele sujeito neurado daquele livro do King, Fenda no Tempo (Langoliers). O barulho do maldito cereal no leite é medonho. E a pressa de achar logo o nosso lugar nesse mundo de meu Deus é imensa, como se alguma coisinha lá no fundo onde importa começasse a se manifestar exigindo sua resposta. Quase uma necessidade, não?
Fez muito bem, Enrique! E tenho certeza de que vai se achar rapidinho, e vai valer muito a pena.
Acabei indo na Cultura hoje. E vou guardar o brownie para quando você vier. O Brownie sempre pode esperar.