Maurício de Sousa por 50 Artistas
Postado por Enrique em 7 de outubro de 2009“Não tinha mais volta e você sabia. À sua frente, uma longa jornada rumo ao desconhecido. Não existe mapa para onde eu vou…mas isso nunca me impediu antes.”
A proposta de “Maurício de Sousa por 50 Artistas” – MPS50, pra encurtar – é simples e auto-explicativa: 50 artistas dos quadrinhos nacionais escrevendo e desenhando histórias com os personagens de Maurício de Sousa. Valia qualquer um dos muitos personagens: turma da Mônica, Chico Bento, Astronauta, Horácio, Penadinho…teve até quem se lembrasse do Bugu! É claro que o grande foco foi na Turma da Mônica, e não seria diferente. Mas também não faltaram histórias com o Astronauta ( com ares filosóficos de Surfista Prateado ), com o Chico Bento, e até o Horácio e o Louco se fizeram presentes com histórias legais.
Mesmo que você não goste da Turma da Mônica, vale a pena comprar pra conhecer as novas (e velhas) caras dos quadrinhos brasileiros. Os medalhões estão lá: Laerte abre o gibi, Ziraldo e Gonsales marcam presença, e até o Angeli aparece mostrando um lado desconhecido do Bob Cuspe. Mas o legal mesmo é ver coisas novas, e tem muito artista legal e desconhecido. Gostei muito da arte do Daniel Brandão e sua visão de Mônica e Magali aos cinquenta anos. Julia Bax merece atenção, e o Louco fica muito bom na mão dela. Orlandelli já é conhecidão, mas sempre manda muito bem. Mascaro faz uma das melhores histórias do Astronauta. Fábio Yabu foi quem viajou mais longe,com sua “Dias de um Futuro Esquecido” versão turminha – bem legal! Os dinossauros ficaram ótimos nas mãos de Salimena, e a cara do Horácio é impagável. Otoniel Oliveira lembrou da Marina e do Franjinha. Enfim, muita, muita coisa legal.
Se eu pudesse pegar duas histórias pra representar a obra, eu já sei quais seriam elas. A primeira delas é “A Vida de A”, dos gêmeos Moon e Bá. Quem já conhece os quadrinhos dos dois, já sabe da maestria com que eles misturam imagens e palavras. Tem gente que escreve bem, tem gente que desenha bem, mas não são todos que entendem que quadrinhos não são uma coisa nem outra – a soma das parcelas acaba multiplicando o resultado, as vezes exponencialmente. Moon e Bá sabem disso, e com duas páginas e o mínimo de texto conseguem fazer uma história marcante, única e cheia de significado. (A frase do começo do post foi tirada dela)
“Minha Visão Preferida”, de Vitor Cafaggi (pai do Puny Parker), fecha o livro de maneira perfeita, e deixa a gente como se tivesse visto passarinho verde. Tem certas obras que conseguem capturar mais do que a alma humana: conseguem chegar no coração e arrancar um sorriso de qualquer pessoa. Charles Schulz conseguia isso; os desenhos da Disney e da Pixar conseguem isso; certas músicas, certos livros, certas obras conseguem atravessar as armaduras e as tralhas que carregamos na cabeça o tempo todo, e ressoam lá na parte da nossa alma que sempre será criança. Vitor Cafaggi é um desses artistas: “Minha Visão Preferida” te deixa sorrindo e sentindo saudade do que nunca aconteceu. Esse cara vai longe, fiquem vendo.







Cara, isso foi a coisa mais legal que já escreveram sobre o meu trabalho, em todos os tempos. Muito obrigado!