Posts de novembro, 2009

Da Anti-Sociedalidade Inerente

sábado, novembro 28th, 2009

“É mais ou menos proibido ficar sozinho no Brasil. Somos obrigamos a nos ligar uns com os outros todo o tempo, mesmo diante das coerções da vida urbana. A recusa ao relacionar-se ainda é considerada uma anomalia, uma antipatia ou uma anormalidade. Na rua, quem recusa a conversa fiada é o antipático modelar; em casa, é o doente mental em potencial. Estar “cismado”, ensimesmado, trancado em si mesmo é sinônimo de raiva ou desequilíbrio emocional. (…) Qualquer tipo de isolamento ou de individualização, seja porque a pessoa fala pouco ou porque fica dentro do seu quarto (quando o tem), é tomado como sintoma de que algo não está bem.”

“Agora, por que o brasileiro não lê? Não lê porque não tem educação primária e secundária – e tão pouco universitária – que seja capaz de apresentar o livro de uma maneira diferente. (…) Diria também que a sociabilidade brasileira (os hábitos de relacionamento no Brasil) não conduz à leitura. Ler exige uma certa solidão, um certo silêncio, e isso não é muito fácil de encontrar no Brasil. Nós não somos criados em casas onde temos o direito de ficar sozinhos, em famílias que nos deixem muito tempo quietos. Se você está quieto é sintoma de que tem alguma coisa errada. Então isso não facilita a leitura, convenhamos. ”

Tirado daqui e daqui (leiam a série toda, tem uns pontos de vista interessantes).

Será que isso é verdade?Achei interessante esses pontos de vista quando os li, mas depois pensando vi que não concordo muito com eles.

Sobre a sociabilidade: bom, a princípio é bem verdade que as pessoas te olham estranho quando você diz que não vai sair hoje, que tá afim de ficar em casa vendo seriado ou lendo. Um dia aqui em Salvador uma amiga minha me perguntou o que eu havia feito no feriado prolongado, e eu respondi: fiquei em casa, e li três livros (mó orgulhoso de mim mesmo, por ter dado cabo deles em quatro dias). Ela abriu dois olhões enormes: “Que horror, Enrique!”. E eu dei risada e ela também, diante da diferença gritante entre as personalidades. Porque eu vou fazer o que? Ela prefere sair, é do tipo de pessoa que não para nunca, trabalha, vai na academia, dá aula na faculdade, sai o fim de semana todo. E eu…bem, eu prefiro ficar em casa. Tem livros pra ler, filmes pra assistir, jogos para jogar, coisas pra se ler na internet…minha diversão é essa, é assim que eu prefiro gastar meu tempo livre. Nós dois estamos certos, porque fazemos o que queremos, o que escolhemos. Mas as pessoas estranham quando as suas escolhas são diferentes das delas, isso é fato.

E sobre a “proibição de ficar sozinho”…bom, o fato é que nós, pessoas semi-anti-sociais aprendemos a nos virar com o tempo. Tem dias em que é legal sair, divertido e tal…mas tem dias em que atravessar a porta da rua parece uma coisa mais pesarosa do que atravessar os portões do inferno, e aí você bate o pé e resolve que não vai sair e pronto. E, justamente porque as pessoas estranham essa vontade de ficarmos sozinhos, nós somos obrigados a dispor de mil recursos sujos. “Ah, tô sem grana”, “Ah, tô com dor de cabeça”, “Ah, tô indisposto”, “Ah, eu até queria sair mas meu videogame está carente e precisa de atenção”. Com o tempo você aprende o que funciona e o que não funciona, saca como reverter as situações ao seu favor, acaba virando um especialista em enrolar pessoas. Nos níveis mais avançados, o seu grau de desprendimento social é tão grande que você nem se preocupa mais em enrolar: simplesmente diz a verdade e pronto. As duas pessoas com o menor grau de desprendimento social que eu conheço são o meu irmão e o Larri. Lembro que uma vez eu liguei no Larri pra chamar ele pra ir na pizzaria, e ele respondeu: “Eu até queria comer pizza, mas essa semana eu não estou afim de ver pessoas”. E eu disse tudo bem, porque pô, tem semanas que eu não quero saber de pessoas também. “Que horror!”, podem pensar alguns. Mas a gente nasceu assim, ou ficou assim por sabe-se lá que motivo, e gostamos de ser assim. Não, não é um saco ficar em casa – é massa pra caralho, tem mil coisas legais pra se fazer. Eu não fico mandando ninguém ficar em casa lendo, então porque querem exigir que as pessoas saiam de casa?

Quanto ao “brasileiro não lê porque as pessoas ao redor não deixam”. Discordo. A retórica é bonita: ah, os leitores não florescem em solo brasileiro porque seus compatriotas são muito alegres, muito sociáveis, e não os deixam em seus cantos para que se dediquem a leitura. Bobagem. Quem quer ficar sozinho, fica. Quem quer ler, dá um jeito. E eu conheço vários leitores vorazes que não são NADA ensimesmados, que não param um segundo. Sim, ler exige uma certa solidão, mas quem gosta de ler sabe buscar essa solidão, e consegue entrar nela nos lugares mais barulhentos e cheios de pessoas. Agora, a primeira frase está certa: não se lê porque não tem educação primária, secundária, universitária e tudo mais. Não se lê porque os pais da maioria foram criados sem essa mesma educação, não tem o hábito da leitura e não passaram isso aos filhos. Não se lê porque os livros são caros e as bibliotecas públicas e escolares renegadas pelas autoridades. Não se lê por uma série de motivos bem feios…mas nunca ninguém apareceu para interromper minha leitura, dizendo que eu tava quietão demais. “Aí, larga esse livro, vamo pra balada, véi”.

FAQ

quarta-feira, novembro 25th, 2009

Aonde diabos está o Hobbit?

O Hobbit está em Salvador, após ter passado o fim de semana em Araçatuba montando sua árvore de Natal (que ficou FODA) e tirando sua mudança das caixas de correio pra colocar no quarto.

Ué, cê não ia embora de Salvador?

O Hobbit VAI embora de Salvador…assim que a firma pagar o que devem pra ele =(. Na verdade a firma só liberou os papéis do desligamento ontem, e pelo que ouvi – pelo que o Hobbit ouviu dizer, essa lenga-lenga vai demorar umas duas semanas. Então, o Hobbit tem que ficar aqui em Salvador.

E cê não ia pra São Paulo? Ou já estava lá?

O Hobbit passou duas agradáveis semanas em São Paulo à trabalho, hospedado em um hotel de luxo na Paulista, tudo por conta da empresa. Eu ainda não falei do hotel, né? Cara, tinha BANHEIRA no quarto. Eu tomei banho de BANHEIRA, mãe! Depois eu conto minha saga de moço caipira no hotel de luxo…mas voltando a terceira pessoa, o Hobbit PRETENDE ir morar em São Paulo, e trabalhar e fazer faculdade por lá. Mas isso só na temporada 2010. O season finale da temporada 2009 será em Araçatuba, acompanhado de família, gatos, e da minha árvore de Natal (que ficou FODA!).

Caralho, que rolo…

O Hobbit concorda e admite que a vida dele é um rolo. Mas ele afirma gostar dela. Sim, ele é meio doente mental. Afinal, ele tá falando na terceira pessoa.

Eu tenho que continuar fazendo perguntas? E vou respondê-las eu mesmo, utilizando a terceira pessoa, e fingir que foi o Hobbit quem respondeu?

O Hobbit afirma que sim, e aproveita para dizer que responderá quaisquer perguntas feitas para ele. Ele também aproveita pra dizer que ele fez uma árvore de Natal, e ela ficou FODA!

Você não acha que ficar falando de si mesmo na terceira pessoa é meio idiota?

O Hobbit afirma que falar de si mesmo na terceira pessoa detona um desprendimento de personalidade e realidade intrínseco de pessoas muito inteligentes e/ou muito geniais. Curiosamente, estas pessoas também costumam usar camisa de força e dormir em quartos acolchoados.

Em trilha de paca, tatu caminha dentro?

O Hobbit responde que sim, definitivamente, o mamífero tatu pode eventualmente caminhar dentro da trilha feita pela paca. Não temos registros da ocorrência desse fato, entretanto. Mas, do ponto de vista técnico-biológico-geopolítico, o tatu poderia livremente caminhar na trilha da paca, se ele assim o quisesse.

Uma cor.

Azul.

Uma música.

Coffin Fodder, do Cannibal Corpse. Sublime, sublime.

Uma palavra.

Macanudo!

Qual sua opinião sobre a nova geração de vampiros, representada pelo Edward Cullen?

O Hobbit afirma que seu vampiro preferido é o Vlad, da marcante novela Vamp, interpretado brilhantemente por Ney Latorraca. E o Matosão também era legal, vai dizer. O Hobbit também afirma que prefere o vampiro Bill, da série Dead Until Dark, porque ele é um vampiro caipira sulista, e ele pega a Anna Paquin. E o Hobbit também gostaria de lembrar a todos que já TEMOS um filme de vampiros adolescentes que é centenas de vezes mais legal e mais assistível que Crepúsculo: Os Garotos Perdidos. Tem o Jack Bauer como vampiro; tem o Bocão; tem um Husky Siberiano; tem um pôster do Jim Morrison no covil dos vampiros; os vampiros se chamam Garotos Perdidos, e toda referência a Peter Pan será premiada; tem uma trilha sonora fodona, mesmo para padrões anos 80; quer mais argumentos?

Mais alguma coisa? Ou podemos voltar a falar na primeira pessoa, como pessoas decentes e sem problemas mentais graves?

Quase! Fiquem com uma foto da minha árvore de Natal que, modéstia que se foda, ficou FODA!

Po-po-po-poker Face

sexta-feira, novembro 13th, 2009

“Existe uma linha fina entre uma pessoa genérica dos anos 80 e a Janice do Muppet Show, e a Lady Gaga ousa caminhar nesta linha”. Genial, simplesmente genial XD.

CUIDADO: CONTÉM UKELELES.

Assistam por sua conta e risco. Mas assistam, ela é ótima. E prestenção na camiseta do Haiku.

Blackout

quarta-feira, novembro 11th, 2009

(Blackout é um termo escroto. Apagão também. Eu prefiro adaptar e usar um termo popularizado pelo Sr. K, participante do Nerdcast: Era da Escrotidão. É bem mais ilustrativo, concordam?)

E a gente andava pela Paulista quando as luzes da rua e dos prédios apagaram, todas de uma vez. Iluminados pelos faróis dos carros, ninguém nem deu bola: continuou-se andando, de carro ou a pé, como se fosse esperado, como se fosse normal. Na entrada do metrô, o movimento de pessoas descendo continuava intenso – não deveria ser o inverso? Eu apertei a mão do Omelete, lhe deis as boas vindas ao caos urbano, foi um prazer te conhecer e até a próxima vida. Deixei ele no ponto de ônibus e continuei em direção ao hotel. Exceto pelo escuro, a vida continuava. Pessoas andando, pessoas com pressa, pessoas no celular, pessoas e mais pessoas. Meu pai tá chegando hoje, tem uma reunião aqui amanhã cedo. Não consegui falar com ele – as centrais de celular também caíram. Redes de celular, redes de telefonia fixa, centrais telefônicas, links de internet. É só alguém cavar o buraco certo no lugar errado, fazer cair uma ou doze subestações, e então nossa era digital cai feito conexão discada quando alguém tira o fone do gancho.

E o que se faz quando a civilização entra em blecaute? Corre pra casa? E se a sua casa estiver a 600 km de distância? Vai pra rua, ver a escuridão tomar conta? Assume que a era da escrotidão começou e saí por aí, matando, saqueando, queimando e destruindo, usando uma cueca de pelo de urso ( AC 5 ) e uma espada bastarda +6 (3d8 de dano) ? Os mais românticos provavelmente correrão para os braços de suas amadas, para aproveitar a escuridão para – bem, fazer coisas que se fazem na escuridão. Os paranóicos correrão para suas casas, ou para lugares seguros na impossibilidade de voltar para casa, e esperarão ansiosos pelo fim da civilização – para assistir da janelinha enquanto tudo vai pro saco. Enquanto que nós, fãs do Batman, sabemos que temos um dever a cumprir nessa hora de pânico e terror. “Tonight, we are the law! I AM the law! Let’s ride!”

Batman, em seu momento mais Batman, no Dark Knight Returns

Batman, em seu momento mais Batman, no Dark Knight Returns

(Isso foi escrito ontem à noite no laptop, 11 da noite, ainda sem saber que metade do Brasil também estava sem energia. Hoje cedo eu li no Terra o chefão de Itaipu dizer que o que causou a pane na usina “foi um vento forte”. Então é isso? Um vento forte e tudo para? Que…frágil. A era da escrotidão não está tão longe quanto imaginamos. Melhor mandar lavar a cueca de pelo de urso e polir a espada bastarda +6.)

Polaróides Diários, pt. 1

segunda-feira, novembro 9th, 2009

Enrique: hehhehhe
ok então
cara, vc usa o picasa?
Marcelo: nooops
Enrique: to brincando com ele
ele tem reconhecedor de rostos
Marcelo: ahuahuahauaha
to vendo q o seu trabalho aqui em sp esta sendo bem produtivo
kkkkkkkkkk
Enrique: hauahauahauahuahauahauhauhau
hj tá bom
os técnicos fazendo testes
e eu aqui, só olhando
Marcelo: ahuahauhauha
eh meu…ser chefe eh oooutro nivel
rs
Enrique: siiiim
manda quem pode, obedece quem tem juizo
eu não posso mandar, mas não tenho juízo
Marcelo: ahuahauauhauhuahua
esse frodão eh o nosso orgulho
rs
Enrique: ah véi
eu faço oq posso

Sobre coisas e coisas

quinta-feira, novembro 5th, 2009

Cante, minha russa favorita, cante:

An addiction to hands and feet; there’s a meat market down the street.

  • E aí eu voltei de São Paulo e minha placa-mãe estava queimada. Eu sempre desconecto o computador inteiro quando viajo, inclusive o estabilizador…menos dessa vez ¬¬. Aí toca mandar na assistência técnica pra trocar a placa-mãe, e é LÓGICO que o técnico queria formatar. “Ah, é que o sistema está corrompido, e é bom formatar de tempos em tempos”…foi nesse momento que eu perdi minha fé. Crianças, entendam: formatar é a arma do fraco. Formatar um computador é admitir derrota, é abaixar as armas e desistir da luta. O Batman nunca sequer pensou em formatar os computadores da Batcaverna. O Bruce Springsteen, se fosse nerd, cantaria “No format, baby, no surrender”.
  • Aí eu implorei gentilmente que ele instalasse a placa-mãe e me devolvesse o meu bebê sem formatar. Ele fez isso, ainda bem, mas ele poderia PELO MENOS ter instalado os drivers da placa-mãe, da placa de rede e de som. Eu estaria xingando esse puto até agora se não tivesse o notebook pra salvar minha pele e acessar a internet. E ele não ligou os jacks da frente do gabinete, significando que eu vou ter que aprender a ligá-los na marra. Bom, pelo menos eu aprendo algo novo.
  • Se tudo der certo, se meu chefe não aprontar mais nenhuma gracinha, amanhã é o último dia de escritório…e eu pretendo matar ele pela metade, pra levar minha mãe pra passear no shopping. Desligarei o celular, ligarei o foda-se, já me despedi das pessoas importantes (exceto o Rodolfo, que foi raptado pro Rio Grande do Norte) e semana que vem eu irei pra Sumpaulo cumprir a última semana de trabalho (espero) enquanto minha mãe fica aqui em Salvador. Tenho que aproveitar para ir passear com ela, porque eu sou um bom filho e tal.
  • Quer umas dicas bacanas de livros de ficção científica? O Superfície Reflexiva fez essa listona superfoda. O grande trunfo da lista é evitar os grandes medalhões e focar em livros e autores mais “novos”. Sim, Asimov, Heinlen e Herbert são essenciais, mas não existem só eles no mundo da ficção científica. Tem muita gente boa, nova e um tanto desconhecida (pelo menos por aqui), tem vários livros novos que não ficam devendo nada para os clássicos.

Sobre São Paulo

quarta-feira, novembro 4th, 2009

Tem dias que eu digo não; Inverno no meu coração
Meu mundo está em suas mãos; Frio e garoa na escuridão.

São Paulo é fria, é cinzenta, é garoenta, é confusa, é labiríntica, é enorme demais, é perigosa, é lotada, é engarrafada, é maluca, é caótica, é poluída, é suja, é punk. É uma zona, afinal. “E você vai pra lá, praquela poluição toda, praquele trânsito caótico?” me pergunto um dos meus muitos chefes quando eu disse que estava indo embora de Salvador. Sim, eu disse simplesmente. Mas na minha cabeça um metaleiro estilo glam, todo vestido de couro e trincadaço de coca, juntou toda sua energia num grito gutural antes de ter uma overdose fatal:

HEEEEEEEEEEELL YEAAAAAAH!

Como se explica gostar de uma cidade de que se viu tão pouco, de que se conheceu só algumas partes? A perspectiva de quem mora lá deve ser diferente, e aturar todos os problemas de cidade grande da maior cidade grande do Brasil deve fazer bastante gente querer arrumar as malas e fugir pra Birigui. Mas, enquanto estou aqui na minha perspectiva de turista ocasional, é fácil pra mim dizer: eu gosto pra caramba de São Paulo.

Talvez seja a combinação de cinza-concreto e verde-árvore-antiga que me atraiam. Talvez seja o céu cinzento e sempre ameaçando chuva, talvez seja o vento e o frio que me deixam confortável. Talvez sejam os prédios enormes, os casarões antigos, as construções modernas, os labirintos de asfalto, as ruazinhas de cidade de interior encravadas atrás das avenidas gigantescas, as áreas verdes contrastando o cinza dominante, o parque Trianon fazendo de portal para Nárnia no meio da avenida Paulista, os túneis de metrô teleportando milhões de pessoas todos os dias.

Talvez seja a Livraria Cultura da Paulista, com seus três andares e duas sub-lojas de amor e carinho, com seu grande esqueleto de dragão pendurado no teto, com todos os seus livros e gibis e cds e dvds, com seus puffs pra gente se esparramar e esquecer da vida enquanto lê. Talvez seja a Liberdade, com suas lanternas japonesas, com suas lojas de artigos japoneses, quadrinhos japoneses, revistas japonesas, comidas japonesas, coisas inexplicáveis japonesas e tudo mais o que houver de japonês nessa vida, e o melhor picolé de melão do universo conhecido (coreano, porque não são só os japoneses que acertam). Talvez seja a Paulista, com suas calçadas gigantes, seus prédios gigantes, o MASP e suas exposições de mini-fotos, o parque Trianon e as cadeiras de anões e o poste de Nárnia, as livrarias cheias de amor e carinho. A Santa Ifigênia e sua irmã 25 de Março, o Mercadão com seus sanduíches perfeitos de mortadela, o jeitão punk velho de guerra do Centro Velho. Talvez sejam os infinitos lugares legais aonde se comer, talvez sejam os infinitos lugais legais para visitar, para conhecer, para frequentar. É um mundo inteiro para se explorar!

E é claro, explorar um mundo inteiro é muito mais legal quando se tem companhia. Meu primeiro guia de São Paulo foi o sr. Omelete, que veio lá da República do Ovo para se tornar paulistano. O Omelete veio morar com o tio dele em Jaguaré, e para a sorte dele (e minha) o tio é um cara gente boa, super legal, que conhece uns restaurantes SUPER FODAS. A primeira vez que eu fui pra São Paulo ver o Omelete, ele me levou numa cantina cujo nome eu esqueci, numa rua que eu não lembro, mas que tinha uma lasanha que eu jamais me esqueci. Depois disso ele já me mostrou um lugar aonde se faz o maior motherfuckin’ beirute do mundo, já fomos (Omelete, sua esposa dona Bárbara, eu e meu irmão) comer autêntica pizza paulistana na Marguerita, também fomos na Liberdade comer comida japa (é claro)…e na semana passada ele finalmente conseguiu me levar na cantina Nellos, pra comer spaguetti a calabresi e o lendário tartufo. Esse japonês me encheu o saco durante meses falando desse tal de tartufo…porque o tartufo isso, porque o tartufo aquilo, porque eu só conquistei minha namorada por causa do tartufo e blábláblá. E…é, realmente…o tartufo é foda. Bolo, conhaque, sorvete de chocolate, creme de leite, castanhas e uma dose de perfeição. Foda, foda.

E agora, do mês passado pra cá, dona Catarina se tornou minha mais nova guia do universo paulistano. Após algumas tentativas frustradas de se trombar na capital, nós finalmente nos encontramos – na Cultura da Paulista, na seção de Quadrinhos, bem perto de uma pilha gigante de Macanudos do Liniers. A moça da mochila rosa e das piadas certeiras me levou pra passear em vários lugares legais de Sumpaulo: me mostrou a sala de reunião dos anões e o poste de Nárnia no parque Trianon, fomos no MASP e vimos uma piromaníaca francesas e seus filhotes travestidos, um velhote grego que não precisava de Viagra para fazer as ninfas felizes, e um fotógrafo que não curtia gastar com papel de revelação; fomos em um autêntico McDonalds da capital, e depois na FNAC brincar com o bonecão genial do Scrat; e claro, após algumas dificuldades conseguimos ir na padaria derrotar o Terrífico Brownie Filosofal, o doce-cujo-nome-não-falamos-mas-cujo-gosto-é-mó-bom-e-tem-nozes-inteiras-dentro-dele. Marta, mais uma vez, obrigado pelos passeios, pela ótima companhia e pelas dicas de como estragar um sábado à tarde na piscina usando sobremesas do Spoleto. Como diz o nosso amigo Dave Ghrol, “good it is to see you” =).

E…é, por hoje é só.