Sobre São Paulo Postado por Enrique em 4 de novembro de 2009
Tem dias que eu digo não; Inverno no meu coração
Meu mundo está em suas mãos; Frio e garoa na escuridão.
São Paulo é fria, é cinzenta, é garoenta, é confusa, é labiríntica, é enorme demais, é perigosa, é lotada, é engarrafada, é maluca, é caótica, é poluída, é suja, é punk. É uma zona, afinal. “E você vai pra lá, praquela poluição toda, praquele trânsito caótico?” me pergunto um dos meus muitos chefes quando eu disse que estava indo embora de Salvador. Sim, eu disse simplesmente. Mas na minha cabeça um metaleiro estilo glam, todo vestido de couro e trincadaço de coca, juntou toda sua energia num grito gutural antes de ter uma overdose fatal:
HEEEEEEEEEEELL YEAAAAAAH!
Como se explica gostar de uma cidade de que se viu tão pouco, de que se conheceu só algumas partes? A perspectiva de quem mora lá deve ser diferente, e aturar todos os problemas de cidade grande da maior cidade grande do Brasil deve fazer bastante gente querer arrumar as malas e fugir pra Birigui. Mas, enquanto estou aqui na minha perspectiva de turista ocasional, é fácil pra mim dizer: eu gosto pra caramba de São Paulo.
Talvez seja a combinação de cinza-concreto e verde-árvore-antiga que me atraiam. Talvez seja o céu cinzento e sempre ameaçando chuva, talvez seja o vento e o frio que me deixam confortável. Talvez sejam os prédios enormes, os casarões antigos, as construções modernas, os labirintos de asfalto, as ruazinhas de cidade de interior encravadas atrás das avenidas gigantescas, as áreas verdes contrastando o cinza dominante, o parque Trianon fazendo de portal para Nárnia no meio da avenida Paulista, os túneis de metrô teleportando milhões de pessoas todos os dias.
Talvez seja a Livraria Cultura da Paulista, com seus três andares e duas sub-lojas de amor e carinho, com seu grande esqueleto de dragão pendurado no teto, com todos os seus livros e gibis e cds e dvds, com seus puffs pra gente se esparramar e esquecer da vida enquanto lê. Talvez seja a Liberdade, com suas lanternas japonesas, com suas lojas de artigos japoneses, quadrinhos japoneses, revistas japonesas, comidas japonesas, coisas inexplicáveis japonesas e tudo mais o que houver de japonês nessa vida, e o melhor picolé de melão do universo conhecido (coreano, porque não são só os japoneses que acertam). Talvez seja a Paulista, com suas calçadas gigantes, seus prédios gigantes, o MASP e suas exposições de mini-fotos, o parque Trianon e as cadeiras de anões e o poste de Nárnia, as livrarias cheias de amor e carinho. A Santa Ifigênia e sua irmã 25 de Março, o Mercadão com seus sanduíches perfeitos de mortadela, o jeitão punk velho de guerra do Centro Velho. Talvez sejam os infinitos lugares legais aonde se comer, talvez sejam os infinitos lugais legais para visitar, para conhecer, para frequentar. É um mundo inteiro para se explorar!
E é claro, explorar um mundo inteiro é muito mais legal quando se tem companhia. Meu primeiro guia de São Paulo foi o sr. Omelete, que veio lá da República do Ovo para se tornar paulistano. O Omelete veio morar com o tio dele em Jaguaré, e para a sorte dele (e minha) o tio é um cara gente boa, super legal, que conhece uns restaurantes SUPER FODAS. A primeira vez que eu fui pra São Paulo ver o Omelete, ele me levou numa cantina cujo nome eu esqueci, numa rua que eu não lembro, mas que tinha uma lasanha que eu jamais me esqueci. Depois disso ele já me mostrou um lugar aonde se faz o maior motherfuckin’ beirute do mundo, já fomos (Omelete, sua esposa dona Bárbara, eu e meu irmão) comer autêntica pizza paulistana na Marguerita, também fomos na Liberdade comer comida japa (é claro)…e na semana passada ele finalmente conseguiu me levar na cantina Nellos, pra comer spaguetti a calabresi e o lendário tartufo. Esse japonês me encheu o saco durante meses falando desse tal de tartufo…porque o tartufo isso, porque o tartufo aquilo, porque eu só conquistei minha namorada por causa do tartufo e blábláblá. E…é, realmente…o tartufo é foda. Bolo, conhaque, sorvete de chocolate, creme de leite, castanhas e uma dose de perfeição. Foda, foda.
E agora, do mês passado pra cá, dona Catarina se tornou minha mais nova guia do universo paulistano. Após algumas tentativas frustradas de se trombar na capital, nós finalmente nos encontramos – na Cultura da Paulista, na seção de Quadrinhos, bem perto de uma pilha gigante de Macanudos do Liniers. A moça da mochila rosa e das piadas certeiras me levou pra passear em vários lugares legais de Sumpaulo: me mostrou a sala de reunião dos anões e o poste de Nárnia no parque Trianon, fomos no MASP e vimos uma piromaníaca francesas e seus filhotes travestidos, um velhote grego que não precisava de Viagra para fazer as ninfas felizes, e um fotógrafo que não curtia gastar com papel de revelação; fomos em um autêntico McDonalds da capital, e depois na FNAC brincar com o bonecão genial do Scrat; e claro, após algumas dificuldades conseguimos ir na padaria derrotar o Terrífico Brownie Filosofal, o doce-cujo-nome-não-falamos-mas-cujo-gosto-é-mó-bom-e-tem-nozes-inteiras-dentro-dele. Marta, mais uma vez, obrigado pelos passeios, pela ótima companhia e pelas dicas de como estragar um sábado à tarde na piscina usando sobremesas do Spoleto. Como diz o nosso amigo Dave Ghrol, “good it is to see you” =).
E…é, por hoje é só.
Que bom ver que você tem aproveitado Sumpaulo, Sr. Hobbit!
Mesmo eu sendo desnaturada e tendo trocado a dura poesia concreta das esquinas por um purgatório da beleza e do caos, sei que Sampa City tem CADA coisa pra se viver! Saudadinhas da Av. Paulista, que é coisa que só tem lá XD
Boa sorte com sua vida mais asfaltada ^^
:****
Domo arigatô, lady Ágata! :********
“Mas na minha cabeça um metaleiro estilo glam, todo vestido de couro e trincadaço de coca, juntou toda sua energia num grito gutural antes de ter uma overdose fatal” hHAHAHAHA
sampa vicia. entra no sangue, causa dependência, é uma merda.
e nunca deixo de me admirar do tamanho, do caos, da doidera que é isso aqui. ok, sou uma caipira nascida em sao paulo, mas mesmo que não fosse, acho que basta ter um mínimo de bom senso pra ficar bobo só com as possibilidades.
e quando a gente cega de aviao naquele mar de prédios infinito? eu piro. (e morro de medo daquela merda sair levando os prédios no peito ou não conseguir parar a tempo naquela pista minuscula de congonhas, mas isso são outros quinhentos. pq todo paulista é meio kamicase, haha.)
seja bem vindo, doidolino.
(e porra, nunca comi tartufo! e passa o endereço desse beirute aí!)
hehe, sao paulo, a terra dos gordinhos estressados porém felizes ^^
Hahahahah, obrigado pelas boas vindas, dona Renata!
Eu fico igual criança quando chego de avião, olhando todos aqueles prédios e ruas e coisas e tal. Adoro! E é verdade, essa cidade vicia.
Ó, o beirute fica no comecinho da Dr. Arnaldo, um quarteirão antes do Cemitério dos Araçás, antes da esquina com aquela avenida que vai dar no Pacaembu. Tem duas hamburguerias nesse mesmo quarteirão, e eu não lembro o nome daquela que eu fui…mas as duas pareciam ser boas, heueehueh. E não, eu não sabia o lugar de cabeça, mas graças ao Google Maps eu consegui achar o endereço ;D.
E continua me passando essas dicas, conforme você for achando/lembrando! Valeu!
ooow, e tem uns passeios turísticos aqui em sampa. tou tentando descobrir se tem buzuza, linha especial, essas coisas. no colégio sao bento, todo domingo, tem missa com canto gregoriano que – pra quem gosta – é bem lindo. claro, inda nao fui. tou me informando. mas qdo tiver o roteiro, passo pra vc tbm
Putz, até que enfim, achei que o blog tinha sido abandonado de vez. rs
Só fui em SP duas vezes, pra ir em shows. Parece ser legal morar aí, mesmo. Quando fui, o máximo que deu tempo de fazer foi ir na galeria do rock e comprar montes de tralhas.
No aguardo da prometida resenha de Backspacer.