Batman: Arkham Asylum
Postado por Enrique em 29 de dezembro de 2009O mundo possui uma boa porção de leis e fatos imutáveis que raramente são botados no papel, mas nem por isso deixam de ser verdade. Uma dessas leis é “Jogos baseados em heróis, filmes e licenças em geral nunca são essencialmente fodásticos”. A própria razão de ser desses jogos meio que impede que eles sejam bons – são jogos feitos pra aproveitar o lançamento de um filme ou o sucesso de um desenho animado, ou então porque algum executivo de alguma editora resolveu se perguntar porque diabos eles não participam mais ativamente da “lucrativa indústria de jogos eletrônicos”. Em resumo, são jogos feitos pra se ganhar dinheiro (não que isso seja errado), feitos na pressa para se aproveitar o sucesso da licença, com executivos gritando sobre como “as pesquisas mercadológicas dizem que os jovens de hoje em dia preferem FPSs online, seja lá o que for isso” enquanto os gamedevs tentam explicar (sem sucesso) que um FPS online do Alvin e os Chipmunks não faz nenhum sentido.
Claro, existem exceções. Mas pouquíssimas exceções espreitam sua lei de origem durante a noite, fazendo-a cagar de medo antes de saltar em sua frente, confundindo-a com sua longa capa negra e cobrindo sua cara de porrada, tudo no mais absoluto silêncio. Mas é claro, nem toda exceção é um jogo do Batman.

E que jogo do Batman, puta que pariu. Pra começo de conversa, a história foi escrita pelo Paul Dini – escritor e produtor de todas as temporadas do desenho do Batman (E de boa parte dos outros desenhos da DC também. E ele também escrevia roteiros pros Animaniacs! Vai dizer, o cara merece respeito). Tudo começa numa noite como outra qualquer, com o Batman levando o Coringa de volta para o Asilo Arkham, após uma tentativa frustrada de assassinar o prefeito. Como um bom cavalheiro, Batman resolve acompanhar o caso antigo até sua cela , provavelmente esperando um beijinho de boa noite. Mas é claro que tudo vai pra bosta: Harley Quinn toma conta do sistema de segurança do Arkham, solta todos os detentos enquanto o Coringa escapa para DENTRO do asilo e se nomeia Chepete (chefedessaporratoda). Só tem um cara macho e maluco o suficiente pra adentrar um sanatório fora do controle, abarrotado de presidiários comuns, malucos de pedra, psicopatas insanos e supervilões em geral, e sair descendo a porrada em todo mundo até botar tudo de volta nos trilhos: o Batman. Se você pensou “ei, isso lembra o gibi Asilo Arkham!”, eu digo: exato! A idéia básica é a mesma, mas enquanto o gibi puxa BEM mais pro lado do terror psicológico, com desenhos do Dave Mckean e o caralho a quatro, esse jogo segue a linha da ação mesmo, parecendo bastante com os roteiros dos desenhos.
Em termos visuais o jogo é impecável, a começar pelo próprio personagem principal. Eles usaram o Batman do Jim Lee como base, que eu particularmente não acho tããão legal…mas porra, é o Batman! Sombrio e enigmático, com a capa negra flutuando atrás dele…duvido que exista alguma pessoa que não passou os primeiros (quem sabe até os últimos) minutos do jogo babando na capa do Batman. Ela flutua atrás dele, se movimenta lindamente quando você pula, rola no chão, se joga pro lado e faz o caralho a quatro. E quando você anda calmamente (porque o Batman é tão foda que ele pode se dar ao luxo de andar calmamente num sanatório infernal), ela se arrasta atrás de você, da maneira mais Batman possível. (E eu acabei de escrever quatro linhas sobre a capa do Batman. É isso aí). Os vilões também estão foda…nada de Coringa baseado no Heath Ledger, aqui temos o Coringão clássico de terno roxo e sorrisão travadaço que aprendemos a amar, odiar e temer. O Croc ficou MUITO legal, gigantesco e medonho. A Hera Venenosa usa uma calcinha de folhas, e isso é tudo que eu preciso falar. A Arlequina é a Arlequina, maluquinha e escrotinha como sempre, e palmas pra dubladora dela. (Ah, uma palavra sobre os dubladores – são os mesmos do desenho! Até o Mark Hammil fazendo a voz do Coringa!).
E o visual do Asilo…puta que pariu. Sabe o tipo de jogo que você perde tempo só olhando os cenários, tamanha a atenção que os caras tiveram com detalhes? O jogo inteiro se passa na ilha do sanatório, que se divide em várias alas…ala de tratamento intensivo, penitenciária, mansão, jardim botânico (construído pra guardar a calcinha de folhas da Hera Venenosa). Sem falar nas áreas externas, que funcionam como hub entre as fases, e as cavernas abaixo da ilha. O cenário é tão lindo e tão foda, que você fica passeando por todas essas áreas, caçando detalhezinhos e referências que os caras colocaram. Tem a exibição de guarda-chuvas do Pinguim, as armas originais da Mulher-Gato, tem a cela do Duas Caras, a cela do Calendário, o prédio das organizações Wayne no horizonte…tem literalmente centenas de coisinhas. (E você ganha pontos ao achar essas referências, com o sistemas de desafios do Charada.)

Sobre o jogo em si…sabe beat-them-up, tipo Final Fight? Sabe Metal Gear? Sabe Metroid? Sabe Prince of Persia (a franquia nova)? Batman pega os melhores detalhes desses jogos, refina eles (na base da porrada, porque é o Batman) e entrega um jogo novinho, quase sem defeitos. De Final Fight ele toma as porradas: nosso amigo Batman senta a mão em 4, 6, 8, 20 inimigos desarmados de uma vez só. É MUITO legal sentar a mão nos caras, e você pode (e deve) usar seus brinquedos como o batarangue e o bat-cabo-de-aço-com-um-ganho-na-ponta pra fazer a experiência o mais dolorosa possível para os inimigos. Tem sisteminha de combos, golpes especiais e etc, nada muito complexo mas bastante satisfatório.
De Metal Gear…cara, o Hideo Kojima a séculos tenta fazer um sistema stealth pro Metal Gear, sem grande sucesso. Os motivos são a) os controles de Metal Gear são uma bosta e b) Depois que você pega armas fodas, o sistema stealth que se foda, eu vou é metralhar todo mundo. Batman resolve isso, com uma mão nas costas…ou melhor, pendurado numa gárgula, de cabeça pra baixo, espreitando os inimigos. Sim, dá pra fazer isso no jogo. A idéia é matar os inimigos sem que eles percebam e sem causar alarde, da maneira mais legal possível…e Batman consegue isso com perfeição. Os controles do jogo são fluidos, bem feitos, intuitivos e fáceis de usar. Um botão pro batarangue, um botão pra usar o cabo de aço e subir nos prédios/gárgulas, um botão pra andar agachado, etc e tal. É fácil aprender COMO fazer as coisas, de modo que você se preocupa mais na estratégia em si (estratégia sendo “como eu faço pra matar todos eles da maneira mais estilosa possível, de preferência deixando todos pendurados nas gárgulas”). O jogo te força a usar esse modo stealth em vários cenários, porque o Batman é especialmente vulnerável contra armas de fogo. Espera, vulnerável não é a palavra…bom, Bruce Wayne desaprova armas de fogo, então ele se recusa a encarar de frente os inimigos que usam essas armas.
De Metroid e Prince of Persia vieram a exploração, também feita com muito esmero. O “mundo” é a ilha do asilo Arkham, dividida em setores como eu já disse ali em cima. Você é livre pra explorar cada setor, conforme você vai “abrindo” eles, avançando no jogo e adquirindo novos itens que te possibilitem chegar em novos lugares. Certas alturas só podem ser acessados com o bat-lançador-de-cabo-de-aço, certas paredes só podem ser quebradas com bombas, etc e tal…o mesmo esquema de exploração popularizado por Metroid, mas que eu não esperava ver num jogo do Batman (e que foi uma ótima surpresa, porque eu pago mó pau pra Metroid). Você também tem um modo “detetive”, habilitado com um botão, que muda a visão do jogo para uma espécie de raio-X-radar-visão-além-do-alcance. Nesse modo, você consegue ver todos os inimigos da fase (mesmo que estejam bloqueados por paredes), bem como as paredes que podem ser quebradas, itens relevantes e tudo mais. É essencial pra explorar o mundo e também para planejar os ataques no modo stealth.

Concluindo: o jogo do Batman é um jogo à altura do Batman. Talvez o jogo pudesse ser um pouco mais longo, e o fato do jogo todo se passar somente no Asilo Arkham faz o mapa parecer pequeno (o que não é verdade, ele é grande se você parar pra pensar), mas são reclamações frescas. E vocês sabem o que o Batman faz com os frescos.
(Não sabem? Ele bota uma roupinha colorida neles, e transforma eles em Robin, ora bolas.)
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Cara, faz um século que eu não jogo nada e nem sinto falta de jogar (acho que Quake e Unreal foram meus últimos contatos com esse mundo dos games #vovó), mas por incrível que pareça deu até vontade de jogar depois de ler esse seu post, hehehe. Deu pra perceber que você quase não é fã…
ha de convir q a luta final contra o coringa é meio chatinha.
Mas o jogo em si é muito massa.
Vai se fude este site, eu tinha escrevido um texto bonitinho e deu erro ao postar. Não vou repetir…
Texto massa, jogo massa…sem mais