Posts de janeiro, 2010

Grandes Piratas de Nossos Tempos – I

quarta-feira, janeiro 27th, 2010

Porque o grande pirata de Piratas de Caribe nunca foi o bom-moço élfico Legolas Whatever, e muito menos o ladrão de cenas favorito das mocinhas do mundo todo, Capitão Jack Sparrow. Não não, senhores, é preciso mais do que trejeitos esquisitos e lápis de olho para se fazer um pirata. Piratas de verdade são feitos de água salgada, de fogo do inferno, de lágrimas de mães, de sangue derramado, de membros mutilados e, ho ho ho, uma garrafa de rum. Em suas veias corre o grogue*, em suas almas…bom, em suas almas não vai nada, porque piratas não tem alma. O pirata de verdade não  teme a morte, e provavelmente já morreu mais de uma vez e voltou do inferno para pilhar, queimar, saquear e roubar, não necessariamente nesta ordem.

É por isso que o verdadeiro grande pirata de Piratas do Caribe é ninguém mais ninguém menos do que Hector Barbossa. Uma salva de tiros de canhão, e uma rodada de rum!

(E além disso ele tinha um macaco zumbi. Chupa essa, Johnny Deep!)

* Receita básica de grogue: querosene, álcool propileno, flavorizantes artificiais, ácido sulfúrico, rum, acetona, tintura vermelha n. 2, scumm, óleo de máquinas, ácido de bateria e/ou peperone. Misture tudo usando suas mãos (nada de liquidificador, maricas!), beba quente.

Olá, Máfia Russa

segunda-feira, janeiro 25th, 2010
  • Aí eu achei um apartamento MÓ-DA-HORA lá em São Paulo, por um preço quase-aceitável (mais sobre isso no próximo tópico), numa rua sossegada, com uma localização MÓ-LEGAL com TUDO por perto…supermercado, banco, lojas variadas, ônibus, e um bar-rock na esquina (show da semana passada: cover do Iron Maiden). Fiz a proposta pro tiozinho da imobiliária, que está esperando o OK do proprietário…o detalhe é que tem mais gente interessada no apartamento, e que haviam até mandado a documentação mas foi rejeitada sabe-se lá porquê. Tô em clima de rezas, preces, promessas, simpatias e articulações místicas variadas pra dar tudo certo.
  • Sobre o preço quase-aceitável: cara, que PUTA diferença entre o preço de aluguéis no interior e na capital. Todos os apartamentos que eu vi estavam na faixa de 700 a 1000 reais, apartamentos de 1 quarto, estilo pocket-quitinete, e nenhum deles era graaande coisa…com exceção do mencionado ali em cima. Lá em Ilha Solteira a gente morava numa casa de 3 quartos, 2 salas, cozinha enorme e quintal do tamanho da casa com 4 pés-de-acerola por 450 reais (rachados em 3 pessoas). Sim, eu sei, são duas situações totalmente diferentes, maaaas…é de se pensar, não?
  • Cêis já viram como são os apartamentos dos hotéis Formule 1 da vida? A idéia é: quarto pra três pessoas, na modalidade “supereconômica”. Eu já vi quartos apertados, mas puta-que-pariu, os caras pegam pesado. O quarto não tem banheiro: tem um armáriozinho com a privada, e um armáriozinho com o box-de-tomar-banho, e a pia fica do lado de fora. É uma cama de casal, com uma beliche em cima dela, de atravessado. Não é por nada não, mas o hotel que eu fiquei durante o show do Iron Maiden e durante o vestiba do Senac saia pelo mesmo preço e era bem mais espaçoso. Tipo, tinha um banheiro dentro do quarto,  um banheiro de verdade. O que os projetistas do Formule 1 tem contra banheiros? “Ah, vamos acabar com essa instituição burguesa, ultrapassada e anacrônica, esses malditos banheiros espaçosos! Dignidade nunca mais!!”. Vai entender…
  • Achei lá na FNAC de Sumpaulo: os contos completos do Sherlock Holmes e a obra completa do Edgar Allan Poe, in engrish, mil e tantas páginas cada um,  por 23 contos cada. Fui obrigado a levá-los na hora porque, porra, é o Sherlock Holmes e o Allan Poe completinhos por menos de 50 pilas.
  • Esse blog anda sendo atacado diariamente por spammers russos. Pelo menos eu acho que são spammers. Todo dia eu abro o blog e vejo que tem uma média de 40 a 50 comentários bloqueados, todos escritos no alfabeto russo, que o akismet bloqueia e apaga automaticamente após um tempo. Eu, curioso que sou, vou lá ver se não tem algum comentário de verdade capturado entre os spams…mas que nada, são todos em russo. Alguns são blocos enormes de texto, outros são cheios de interrogações e exclamações, alguns são compostos de dois ou três caracteres russos. Temo que meu blog tenha se transformado em um ponto de encontro da máfia russa, e que eles estejam utilizando minhas caixas de comentário para organizar suas atividades. Alguém sabe dizer “exijo minha participação nos lucros” em russo por aí?

Quadrinhos e Desenhos Pra Todo Mundo

terça-feira, janeiro 19th, 2010

Eu já mandei vocês irem ler Macanudo? Sim, Macanudo, do Liniers? Porque tipo, é a segunda MELHOR tira sendo feita atualmente. Coisa foda, mesmo, de se tirar o chapéu. Ou de comprar um chapéu e tirar ele, se você não tiver um chapéu. “Ah, mas eu não hablo español”. Não se faça de estúpido, meu filho, faz um esforcinho, pede ajuda pro google translator se o caso for grave, mas vai lá ler. Pelo amor da tua alma, ó infiel.

A primeira MELHOR tirinha, claro, são as do Laerte. (hmmm, singular pra plural num piscar de olho, mas são seis da manhã e a concordância está dormindo). Vão lá no Manual do Minotauro e passeiem pelos arquivos todos. Não se esqueçam de ler Songbook, os Pintinhos, Minha Guerra Mundial e a “incompleta pero insana demais pra ser ignorada, porra, tem o Lenin se pegando com o Trotski” 10 Tiras Que Abalaram o Mundo.  Aaaaah, e olhem o Intercâmbio também.

Essas últimas tiras do Malvados, “Quadrinhos dos anos 10″, estão ficando realmente boas. O Dahmer e seu ótimo/péssimo hábito de deixar a gente inconfortável logo cedo com coisas como “E quando anoitecia, as pessoas praticavam uma forma bizarra de solidão em grupo”. Falando nisso, vocês já leram o “Monumento ao Jovem Monolito“?

Zatanna

Fechando o post matinal, o Hiro desenhou a Zatanna, mais uma de suas Fast Girls. Acho que foi o Pedro quem disse que uma boa maneira de escolher uma namorada é saber se a guria fica bem nas roupas da Zatanna. E…ah vá, não tem como discordar. As Fasts Girls são garotas desenhadas rapidamente pelo Hiro, e são incofundivelmente fodásticas.

Ah…quatro rasgações de seda, e uma chapoletada. Todo santo dia eu dou uma chance, abro o jornal e leio a tirinha, mas não vejo graça alguma. Alguém aí vê graça das tirinhas do Caco Galhardo, ou sou só eu que funciono na frequência oposta ao cara? Coisa mais sem graça da porra…

De Labirintos e Minotauros

quinta-feira, janeiro 14th, 2010

(Jorge Luis Borges é um dos escritores mais fantásticos de que se tem notícia. Ao contrário de outros contistas que focavam sua atenção em personagens, sentimentos e acontecimentos, Borges dedicava-se a brincar com conceitos vários, tais como espelhos, labirintos, infinitudes, probabilidades, identidades, realidades, verdades…como seria um livro que contivesse em si todos os livros já escritos? Como seria viver recluso em uma biblioteca onde existem todos os livros que podem ser escritos, em todos os idiomas, alfabetos e tipos de sinais conhecidos? Como seria olhar através de um objeto que contém todos os pontos do universo?

O texto abaixo é uma brincadeira com labirintos – do mesmo jeito que uma criança pega uma revistinha do Pato Donald e copia os traços para desenhar seu herói, eu peguei o conceito de labirinto e brinquei com ele, tentando imitar alguns dos traços de Borges, tentando contar uma história ao seu estilo. E tal qual a criança desenhando o Pato Donald, pode ter ficado uma bela bosta, mas eu estaria mentindo se dissesse que não me diverti tentando. :D )

O labirinto cretense só possui uma única direção. Em seu interior não configuram-se as bifurcações, os finais falsos, as idas e vindas tão comuns nos labirintos de jardim, tão popularizadas pelas revistas de passatempos. Sempre em frente segue o labirinto, e isso talvez confunda os observadores incautos. Qual o sentido de um labirinto que só segue uma única direção, em que somente anda-se para frente ou para trás, sem bifurcações e sem escolhas, aonde é impossível a perda do senso de direção e de espaço? Como é possível se perder em um labirinto que segue sempre em frente?

Como é possível se perder em um labirinto que segue sempre em frente?

Quando foi a primeira vez que percebi meus lábios formarem esta pergunta? De quem esperava uma resposta? Quando foi que parei de murmurá-la? Durante muitas eras vaguei, durante séculos segui em frente, em frente, sempre em frente, sem nunca chegar ao centro do labirinto, sem nunca encontrar nem a sombra do lendário minotauro que deveria ser morto pelo aço de minha adaga. Eternidades passei caminhando, e num lapso de segundo a fagulha da dúvida se acendeu em mim para nunca mais se apagar, para jamais me deixar sozinho novamente. Frente, frente, sempre em frente, mas…e se eu estivesse voltando? Eras e eras caminhando, eras e eras dormindo e acordando e voltando a caminhar, eras e eras virando-se para trás, eras e eras olhando para o alto, eras e eras de possíveis distrações, de possíveis confusões, de possíveis erros e mudanças de direções. Diante de meus olhos, a pedra fria das paredes do labirinto,  o teto cinza e o chão de terra batida, a penumbra constante que enganava a visão. Seria possível? Bem, tanto maior o período de tempo decorrido, maiores as chances de qualquer coisa ocorrer. Quem iria dizer que eu nunca errei meu caminho? Quem me provaria que eu nunca acordei um dia e comecei a voltar pelo caminho, sem perceber que estava errando? Eu poderia, a partir de agora, escolher uma única direção e segui-la em frente. Eu prestaria atenção, eu tomaria todos os cuidados, usaria de marcas e guias e toda sorte de recursos, eu evitaria de todas as formas o erro.

Em dez ou doze eternidades, me tornei paranóico. Não dava um passo sem revê-lo três ou quatro vezes. Me recusava a olhar para trás  (e todos os meus instintos queriam olhar para trás, me dizendo que eu estava indo pela direção contrária). Queria evitar o sono, queria seguir sempre em frente, queria nunca mais dormir, e continuava querendo até cair no chão exausto e acordar séculos depois, sem ter idéia da direção que estava seguindo.

A sanidade um dia me abandonou finalmente, ignorando todos os meus protestos, rejeitando todos os meus pedidos. Três eras depois ela retornou, por não haver aonde escapar em um labirinto sem direção. Novamente são e eternamente sem direção, abandonei a paranóia e a insegurança que arrastava pelos corredores eternos, assim como rejeitei a idéia absurda de chegar ao centro do labirinto e desmembrar o minotauro. Em frente eu seguiria, sempre em frente, frente, frente, e a frente seria qualquer direção em que eu me movesse. Tanto maior o tempo decorrido, maiores as chances de qualquer fato ocorrer. Quando o tempo necessário tiver se passado, eu finalmente encontrarei o minotauro no centro do labirinto. Nada será dito, nenhuma palavra entre nós será trocada. No chão eu me ajoelharei, e com minha adaga forjada do mais puro aço desenharei um tabuleiro no chão de terra batida.

(…Embora algo em meu peito diga que o tabuleiro já se encontra desenhado, enquanto o adversário aguarda pacientemente pelo meu próximo movimento.)

Estradas pra Lugares Estranhos…ou YAAAYY!

domingo, janeiro 10th, 2010

Alguém mais esperto do que eu já disse que a vida é um adventure game. Você vai juntando itens bizarros, sem saber o que eles estão fazendo ali e sem entender o que o impele a pegá-los todos e guardá-los em seu bolso sem fundo. E aí, de vez em quando, você olha no bolso e vê aquele monte de coisas: a galinha de borracha com uma polia na barriga, a peruca infestada de piolhos, o guia de conversação da língua dos peixes-bois, a caveira falante com ímpetos de dominação global, etc, etc, etc. Mas o que fazer com essa tralha toda? Aonde é que tudo se encaixa?QUAL item eu uso AONDE e depois com QUEM eu falo pra passar de fase? As possibilidades são muitas, é tudo muito nebuloso, nada faz muito sentido até que uma hora…BANG! A coisa toda faz sentido, e é bonito de se ver.

Finalzinho de 2008, eu decidi que não ia mais continuar na engenharia e que iria procurar um trabalho que me interessasse de verdade. A idéia era recomeçar do zero ou quase: juntar grana pra poder largar o emprego e me manter durante um tempo, enquanto eu começava um novo curso e procurava um novo emprego. Nunca foi um plano muito claro, e esse é um dos meus defeitos: meu planejamento deixa MUITO a desejar. Estilo adventure game mesmo, entendem? Juntando idéias, pedaços de planos, possibilidades, conhecimentos randômicos, riscos calculados e nem-tão-calculados-assim. Quanto mais eu tento evitar essa randomicidade toda, mais eu me enfio de cabeça nela. E o mais bizarro…é que funciona!

(Deve ser por isso que meu segundo personagem preferido do Guia do Mochileiro é o Zaphod)

(Deve ser por isso que meu segundo personagem preferido do Guia do Mochileiro é o Zaphod)

E as coisas foram acontecendo. A tal da grana foi sendo juntada (aos poucos, verdade seja dita), pedi demissão lá pelos idos de setembro (mas até eu me mandar efetivamente de Salvador foram uns bons três meses), pensei e repensei sobre o que eu queria fazer da minha vida (cheguei a conclusão que queria ser pirata), prestei vestibular no Senac de Sumpaulo pra saber se conseguiria passar num vestibular, e acabei passando bizarramente e inesperadamente bem. E aí eu saí de Salvador e voltei pra casa com todas essas peças no bolso, sem saber direito o que fazer com elas. Minha idéia inicial era: ótimo, dou conta do vestibular, então em janeiro eu começo a procurar emprego em São Paulo e assim que estiver me estabelecido por lá eu começo a faculdade. Não era bem um plano, era mais um “vamver o que acontece”. Mas aí…

Aí apareceu um EMPURRÃOZÃO, que fez todas as peças se encaixarem de uma vez só. Quarta-feira passada eu fui pra São Paulo fazer matrícula na faculdade, e devo voltar pra lá já na próxima semana (sem ser nessa, na outra) pra ir atrás de um lugar pra ficar. Dia 8 de fevereiro é a primeira aula da faculdade, e o começo efetivo de tudo que eu “tramei” durante 2009. Como diz uma certa moça muito estimada, “YAAAAAAAYYYYYY!!”.

E aqui vamos nós! O frio na barriga é imenso, não sem uma certa parcela de medo e receio…mas a vontade de se jogar e ver no que vai dar é maior, BEM maior. O primeiro passo da jornada é aceitar o chamado, diz Campbell. E eu pedi por esse chamado, caralho, como eu pedi. Agora é questão de ir fundo, aproveitar a chance que me está sendo concedida e dar o melhor de mim. E vamquevamo!

hellboy

Seja Bemvindo, 2010

segunda-feira, janeiro 4th, 2010

E aí eu abri o blog do Neil Gaiman, e lá tinha um vídeo dele no show da Amanda Palmer, minutos após a virada do ano, dizendo alguns desejos e recomendações para o ano que acabava de nascer. “Oras, que ótimo! O sr. Gaiman acaba de me poupar o trabalho de escrever alguma coisa sobre a virada do ano! É por isso que ele é o meu segundo inglês favorito!”

(O primeiro sendo o Terry Pratchett. E se alguém se perguntou “mas e o Sean Connery?”, lembrem-se: ele é escocês)

Mas aí assistindo o vídeo, lembrei que o Neil Gaiman usou o mesmo texto em seu post de feliz-ano-novo do ano passado. E, pra piorar, eu TAMBÉM copiei o texto dele, traduzi e botei no blog na maior cara dura no ano passado. Hmpf.

Mas aí pensando cá com meus botões…2009 foi um ótimo ano. Pensando bem…um Ó-T-I-M-O ano. Cheio de pessoas fabulosas, de conversas incríveis, de novos pontos de vista, de mudanças externas e internas, repleto de epifanias, elucidações, revelações e fichas caindo. Foi um ano engraçado, emocionante, revigorante em vários sentidos…creio eu que o texto do Neil Gaiman foi bastante efetivo. E, vamos combinar, o sr. Gaiman bota pra foder sempre.

Então…porque não? Seja bemvindo, 2010 (E tu já chegou chegando! Daqui alguns dias eu conto mais sobre as novidades!)!

Que seu ano seja repleto de magia e sonhos e de boa loucura.

Espero que você leia ótimos livros, beije alguém que pense que você é maravilhoso, e não se esqueça de criar alguma arte. Escreva ou desenhe ou construa ou cante ou viva de um jeito que só você consegue.

Que seu ano seja uma coisa maravilhosa, em que você sonhe sonhos perigosos e sem limites. Que você crie algo que nunca existiu antes, que você seja amado e que você seja apreciado, e que você tenha pessoas para amar e apreciar em retorno.

E, mais importante (porque eu penso que deveria haver mais bondade e mais sabedoria no mundo) que você, quando necessário for, seja sábio, e que você seja sempre bom.

E eu espero que, em algum lugar do próximo ano, você surpreenda a si mesmo.

~Neil Gaiman