É fato conhecido que existem escritores cruéis, que não tem nenhum resquício de dó por seus personagens. Talvez seja uma maneira de se vingar por cicatrizes do passado, talvez seja sadismo puro e simples…quaisquer que sejam os motivos, tais escritores não tem medo de fazer gato e sapato de seus personagens. Audrey Niffenegger é uma dessas autoras, e pobres coitados de Henry e Clare por serem protagonistas de seu romance “A Mulher do Viajante no Tempo”.
Não que isso seja uma crítica ao livro. Muito pelo contrário, o livro é MUITO bom! Audrey brinca com o conceito de viagem no tempo de maneira magistral, deixando muito escritor de ficção científica no chinelo. Ela nos mostra, através de vários episódios espalhados pelo tempo, a história do romance entre Henry, deslocado no tempo, e Clare, eternamente destinada a o esperar no presente. Falando assim parece algo excessivamente romântico, mas a autora evita essa armadilha e cria dois protagonistas memoráveis, quase que de carne e osso. Henry viaja no tempo absolutamente sem controle, desde quando era criança, visitando lugares familiares ou nem tanto. Em um de seus muitos saltos temporais ele conhece Clare (ou melhor, Clare o conhece), que um dia virá a ser sua esposa no presente. Inicialmente, a menina Clare conhece Henry quando ele já tem 40 e tantos anos; entretanto, o Henry do presente só conhecerá Clare quando ela tiver 20 anos. A maneira como a autora trata e brinca com esses paradoxos é o grande atrativo do livro: pouco a pouco o grande quebra-cabeça da vida de Henry e Clare vai se montando, de trás pra frente e de frente pra trás.
Entretanto, esteja avisado: o final não é para os fracos. Audrey deve ter tomado várias aulas de crueldade com Stephen King. As últimas 100 páginas são lidas numa porrada só, porque você precisa FAZER A DOR PARAR! Nenhum personagem deveria sofrer assim. Sniff.
Depois desse chute nos bagos, eu preciso de um livro com um final polianamente correto. Alguém tem alguma sugestão?
“A Bota do Bode” nunca me decepcionou.
Mas já agora… vc ainda tá enrolando pra ler as Sookies (que têm finais interessantes a partir do terceiro, quer dizer, totalmente previsíveis, até certo ponto, não exatamente felizes, mas satisfatórios). E “The Girl with the Dragon Tatoo” que é desses que tem momentos de lavar a alma depois de crueldades. Depois desse, se vc tiver “culhões” e ler o segundo, vai ter que emendar o terceiro porque o final do segundo deixa o Stephen King parecendo escritor de primário (isto é uma hipérbole, mas é necessária).
Um único comentário: eu quase me acabei de chorar lendo esse livro. Sério. Eu soluçava loucamente, a ponto de minha mãe achar que eu estava passando mal.
Já assistiu aquele episódio de Friends que o Joey coloca “Adoráveis Mulheres” no freezer pq o livro ficou muito triste? Pois é, não cheguei a colocar o livro no freezer (tenho muito carinho por meus livrinhos) mas nunca demorei tanto pra terminar de ler um livro que gostasse tanto.
Apesar de sofrer junto aos personagens, eu não queria saber o que ia acontecer pq sabia que ia ser complicado. Então parava de ler. Mas aí eu queria saber o que ia acontecer pq não dá pra gente ficar se enganando que só pq vc não tá lendo as coisas vão ficar mais fáceis. Então eu voltava a ler hahaha.
O livro é maravilhoso. Gostei muito mesmo e agora está entre os meus favoritos.
Ah, adoro seu blog! ^^
See ya o/
Livros com finais felizes: não trabalhamos, desculpe. Mas vira e mexe eu sugiro Novecentos: Um Monólogo, lá pras bandas utópicas e diluculantes. Você devia ler, se ainda não leu. Certamente vai te cavar um buraco na alma, que é o que bons livros fazem com a gente.
Porque esse negócio de terminar de ler algo e se sentir menos incompleto é para os fracos. Quanto mais despedaçado, melhor.