Excalibur! Postado por Enrique em 30 de abril de 2010
FINALMENTE consegui terminar a trilogia Arturiana de Bernard Cornwell! A saga do não-quero-ser-rei Artur acaba, como era de se esperar, de forma épica e trágica: cheia de batalhas sangrentas, estratégias geniais, traições revoltantes e heroísmos inspiradores. O círculo se fecha contra a britânia, os saxões se unem pra botar pra foder, as tensões entre cristãos e pagões se tornam cada vez mais insuportáveis, e alguém começa a utilizar o conhecimento de Merlin para o mal. Claro que tudo isso só poderia acabar em guerra, e todos vão resolver suas diferenças da forma habitual: na barreira de escudos, com golpes de espada e membros voando pra todo lado! Como diz Sidney Magal em “O Destino de Miguel”: “É putaria do início ao fim! E aí, vocês topam?”.
Uma das coisas mais legais da trilogia é a maneira como Cornwell mostra as personalidades de seus personagens, e como suas qualidades e fraquezas afetam todo o destino do país. A relutância de Artur em tomar o poder e tornar-se Grande Rei, a força e inteligência de Guinevere e sua ambição desmedida, a força e inteligência de Nimue e sua ambição desmedida, a covardia de Lancelot e a honra de Galahad, Derfel e sua alma dividida entre o dever a Artur e o juramento a Nimue e Merlin, as filhasdaputice dos filhos de Artur e do reizinho bostão Mordred.
Como sempre, as descrições das batalhas e dos momentos tensos que antecedem as batalhas são perfeitas: Cornwell faz da barreira de escudos um personagem com vida própria, que nasce e renasce conforme as batalhas acontecem. O cerco à Mynydd Badon é a BATALHA central do livro, a luta final contra os saxões e o momento de redenção de Guinevere, ex-quase-vilã-metida-a-besta e agora gênio-estrategista-e-quase-queen-bitch. Achei um tanto brusco o final dado para Lancelot, entretanto…apropriado, e brutalmente justo. Claro que o cerco não é a luta final do livro, e muita coisa ainda acontece na história. Os capítulos finais são emocionantes, violentos e tristes, e fecham perfeitamente uma história que todos sabíamos que não acabaria bem, mas que seguiria lutando até o fim.

Cara, essa trilogia é excelente. Tenho um carinho especial por ela porque os três livros foram os primeiros que comprei para, digamos, colecionar. É claro que eu já tinha outros livros, mas “O Rei do Inverno” foi o primeiro que guardei com carinho e cuidado na estante. rs
Não lembro de muita coisa, mas pretendo reler um dia.
Em tempo: para mim o ponto mais alto da saga é o segundo livro, “O Inimigo de Deus”.