The Gaslight Anthem

Postado por Enrique em 30 de abril de 2010

“Assim como Miles Davis, eu fui coagido pelo cool
Talvez seja algo no ar do verão; talvez seja algo na luz da lua
Então dou um beijo nessa pedra, e com ela acerto sua janela
E antes que você mude de idéia, “Miles, strike up the cool!”.”

Certas músicas, elas ficam arranhadas em nossas almas, diz uma música do Hold Steady. Como tatuagens, cicatrizes e marcas de nascença, elas fazem parte de você e estarão ali pra sempre até que desapareçam. É algo fantasticamente fantástico encontrar pessoas que tenham sido arranhadas pelas mesmas músicas que você; tem algo de incrível e bizarro saber que não somos tão únicos quanto pensávamos ser. Entretanto, é algo ainda mais bizarro e incrível e fantástico descobrir uma banda que tenha sido arranhada pelas mesmas músicas que você. Acho que é isso que me atrai tanto em Gaslight Anthem, e me faz pensar que “The ’59 Sound’ tenha sido o disco que eu mais gostei do ano passado.

“E Maria veio de Nashville, só com uma maleta debaixo do braço
E eu sempre desejei meio que ser tipo parecido com o Elvis
E na minha mente tem sempre esses carrões antigos e essas bandas de cowboys foras-da-lei
Eu sempre desejei meio que ser tipo outra pessoa.”

Gaslight Anthem, numa definição simplista porém correta, é punk misturado e calcado e inspirado em Bruce Springsteen. Um crítico disse que o som deles seria o que nós ouviríamos hoje no rádio caso os Ramones tivessem gravado “Hungry Heart” do Springsteen e se tornado a maior banda dos EUA. Não sei se concordo ou não, mas é um pensamento divertido. Gaslight é punk, recheado com os personagens de Springsteen, com seus corações endurecidos e sua eterna busca por redenção, com sua crença na salvação das almas pelo rock’n'roll.

“And now I drive the 101 on the California night.’
And I’m amazed at all the stars beneath that old Hollywood sign
And they waltz, a ballet on the boulevard, to a place we never kept
And I’m not sure if we belong here, if I ever really left or…
If I can go home”

Só as referências ao Bruce Springsteen já me fariam parar para ouvir o que eles tem a dizer, mas não para por aí. Eles citam Tom Petty (Southern Accents!), Counting Crows (Round Here!), Miles Davies (The Cool!), velhas bandas de cowboys foras-da-lei, Elvis, Woody Guthrie…as mesmas bandas e sons e estilos que eu tenho ouvido pelos últimos, sei lá, cinco anos, desde que comecei a me aventurar pelos discos do Springsteen e pelo lado mais bosta-de-vaca do rock americano.
Claro que um monte de referências não faz uma banda. É preciso talento de verdade pra pegar esse monte de coisas e transformar em algo genuinamente seu, que não pareça derivativo ou simplesmente copiado. E Gaslight Anthem bota pra foder, passeando por todos os artistas que citei ali em cima como se os conhecesse desde sempre, fazendo citações sempre que possível e ainda assim fazendo um som totalmente próprio.

“So why don’t you sing to me on this long drive home?
Let the sound of your voice…sway sweet and slow.
As we go down, down, down, from our youth to the ground
We might always be blue…Jackson!”

Enfim, eu disse e disse e disse e não acho que tenha conseguido evocar nada do que as músicas deles me passam. Quando palavras falham…essa música aí embaixo chama-se “Here’s Looking At You, Kid”. Ela me faz sorrir…não porque seja alegre, na verdade porque ela é bem triste: 3 garotas que se foram, 3 histórias que não deram certo, 3 recados descaradamente e deslavadamente falsos (e no entanto, tão verdadeiros). Ela me faz sorrir porque eu já estive lá tantas e tantas vezes. Já tive vontade de mandar esses recados e de dizer essas mentiras todas, e depois sair de cena com toda a dignidade e presença de espírito de um Rick Blaine no final de Casablanca.


Um Comentário to “The Gaslight Anthem”

  1. Thank you for your blog article.Much thanks again. Much obliged.

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