Posts de maio, 2010

Para o Enrique do universo alternativo

segunda-feira, maio 31st, 2010

Tem essa “teoria” sobre as múltiplas dimensões, sobre os infinitos universos paralelos que coexistem sem se tocar. Tenho cá pra mim que, em um desses infinitos universos paralelos existe um Enrique Camargo Trevelin que não seja tão bagunçado. A mesa dele dura mais do que cinco minutos arrumada, e não tem um campo gravitacional que atrai todos os objetos da casa (prato, caixa de remédio, cotonete, blusa, anúncio de supermercado, etc, etc, etc, etc). Ele não tem papéis espalhados pela casa toda. Ele não suja a cozinha toda pra fazer um mísero prato de macarrão. E mesmo quando ele suja a cozinha, ele arruma ela e fica parecendo que tá realmente arrumada. Ele também arruma a cama antes de ir pra faculdade, e sempre sai no horário porque no dia anterior arrumou tudo o que precisava pra ir pra aula. Esse Enrique também anda sempre com seus documentos, com bilhete único carregado e/ou trocado pro busão/trem/metrô. E ele almoça direitinho todos os dias, não passa no supermercado e compra qualquer besteira pra comer mais tarde, faz janta quase todo dia, não se entope de coca-cola. Ele lembra de todas as datas importantes, de aniversários de amigos e datas comemorativas várias, sabe todos os vencimentos de contas de cabeça e lembra de todos. Não fica procrastinando na internet ou no playstation ou aonde for (porque procrastinação de verdade não exije hora nem lugar!). Ah, e ele também sabe passar roupa direito e não deixa acumular uma pilha de roupas na cadeira e/ou acabarem as camisetas passadas.

Eu sei que os infinitos universos paralelos não conversam entre si, mas mesmo assim eu gostaria de mandar um recado para esse Enrique tão certinho, tão menos confuso e bagunçado do que eu. Caro Enrique do universo paralelo que sabe passar roupa e nunca esquece um vencimento de conta,

VÁ SE FODER, SEU BABACA DE MERDA.

E enfia essas roupas passadas na bunda ¬¬.

(Acho que já escrevi um post parecido. Ou então já li algo parecido, não lembro. Em qualquer caso, mal ae oÔ)

O Inevitável Post sobre o Final de Lost

quinta-feira, maio 27th, 2010

*CONTÉM SPOILERS E RABUGICES VARIADAS*

Mas sabe o que é pior? É que o aviso de *CONTÉM SPOILERS* é até meio imbecil, porque não tivemos reeeealmente muitos spoilers no último capítulo. Caralho, pra dizer a verdade não teve nenhum muito importante, que eu me lembre de cabeça – tirando o Hugo e o Ben ficando pra tomar conta da ilha, que foi a única coisa REALMENTE legal que aconteceu no final, e que me deixou feliz. O final do flash sideways foi…foi mal aproveitado pra caralho. Praticamente metade da última temporada foi dedicada aos flash sideways, que estavam MUITO legais, MUITO misteriosos, MUITO cheios de promessa pra amarrar tudo…eu imaginava as ações do Desmond afetando o outro universo, ou então o Fumaça escondido em algum lugar naquela realidade, ou sei lá, mil possibilidades. Mas aí você descobre que…ah vá, ficou mal aproveitado DEMAIS. Life on Mars trabalhou com essa coisa de vida/morte de um jeito muito melhor, com um final ambíguo simplesmente perfeito. O final do flash sideways ficou nas coxas, com um quê de novela da globo, todo mundo se abraçando no final. “Ah, mas foi legal, foi emotivo, foi bonito”. Foi sim. “E a série é sobre os personagens, não sobre os mistérios da Ilha!”. Sim, claro, eu concordo com isso…tanto concordo que te digo que a série é sobre os personagens, e não sobre os personagens mortos vivendo num limbo de mentirinha. Que se foda o que acontece daqui a sei lá quantos anos num plano incorpóreo. Eu queria saber era o que iria acontecer na Ilha, o que iria acontecer com a Ilha, o que iria acontecer com todos que estavam ali, que viveram ali, que morreram ali. Tanto alarde quanto aos poderes do Desmond, tanto mistério no “momento de iluminação” que ele teve…pra ele só fazer aquilo no final? Tanto medo do Fumaça, pra ele ser derrotado numa briga idiota daquelas? Cadê a forma de fumaça, cadê o jogo entre o bem e o mal? E o sacrifício do Jack tinha que ser tão inútil? E o Sawyer, que cresceu TANTO durante a série, que se mostrou um líder mil vezes melhor e um personagem mil vezes mais interessante que o Jack, quase não fez nada no final. Eu não queria respostas…eu queria ver o tempo-presente na ilha trabalhado de forma melhor. Que a Ilha é a fonte da vida, que é preciso um guardião, que algo realmente mau saiu de lá por causa do Jacob, isso tudo ficou claro. Respostas, eu já as tinha. O que ficou faltando foi mostrar os personagens em seu momento final, nos últimos instantes da saga da Ilha…e isso ficou faltando, substituído por personagens que nem estavam mais vivos. É tipo um filme de cachorro em que o cachorro morre e no final vemos o bichinho correndo alegremente pelo Paraíso.

E vem cá, negro não entra no Paraíso? Tava todo mundo lá, até a Libby…e ficaram faltando o Michael, o Walt e o Mr. Eko. Porra, Lost! Segregação racial póstuma assim, na cada dura??

Sobre o Grunge

terça-feira, maio 25th, 2010

Eu nunca gostei muito de Nirvana: é o tipo de banda que eu ouço uma vez por ano e já basta. Gosto do Nevermind e de uma ou outra música do In Utero, mas é só. Sempre achei Nirvana meio sei lá, e do lado punk do grunge eu sempre achei o Mudhoney mais legal. Porque, porra, “touch me, i’m sick!” é um dos refrões idiotas mais legais já escrito. Indo pros lados do heavy metal, as coisas ficam bem mais depressivas e escuras, porém sujas e pesadas o bastante pra continuarem legais. Alice in Chains, verdade seja dita, é a única banda que toca com o lado escuro da alma que eu gosto de verdade. (Porque eu acho esse lance de lado escuro da alma uma puta viadagem, sejemos francos). Soundgarden é escuro e sombrio também, mas um tanto mais criativo que a Alice acorrentada – tem até uma pegada psicodélica, veja só que foda. De Pearl Jam eu preciso mesmo falar? Falarei de Stone Temple Pilots, que começou plagiando Pearl Jam e a Alice acorrentada descaradamente, mas depois virou uma banda maluca que gravava músicas interessantes quando seu vocalista não estava ocupado tendo overdoses. E preciso confessar: eu demorei 10 anos ouvindo coisas grunge pra descobrir que Screaming Trees é FODA PRA CARALHO, e que a voz do Mark Lanegan é perfeita – perfeitamente fodida, estragada, malcuidada e ainda assim perfeita. E é isso que vocês precisam saber sobre o grunge, senhoras e senhores.

Do Dragão e de seu Nomeamento

domingo, maio 16th, 2010

Aí ontem eu ganhei um dragãozinho de presente da dona Catarina! (Muuuuito obrigado, moça! Adorei!) Ó que simpático:


O nome dele é Zeki e…oi? Hmmm…Olha só o dragãozinho tá dizendo que o nome dele não é Zeki não. Que é uma puta falta de sacanagem um dragão de sua estirpe ter um nome tão bunda-mole, e que ele gostaria de ter um nome mais firmeza. Tipo Glaurung, tipo Smaúg, tipo Fafnir, tipo Nidhogg, tipo Jörmungandr, tipo Tiamat, tipo Fúria da Noite, tipo Pargarávio, tipo…Peraí, Pargarávio, ó pequeno dragãozinho? …Ah tá, é o dragão do poema da Alice, mas Pargarávio não é um nome que inspire muito respeito e…ok, ok, entendi a idéia. Ele quer um nome que evoque a muiteza dos dragões de outrora, que provocavam o terror nas almas dos homens, que deixavam chamas e cinzas em seu rastro, que eram senhores indisputados de seus domínios. Tudo bem que nosso amigo é de pelúcia, tem a cara mais fofa do mundo e seus domínios são, basicamente, minha mesinha de fazer trabalhos. Acho que um nome puny também serviria…ok, ok, nomes grandiosos. Sim, senhorito dragão. Vamos escolher um novo nome pra você, ó puny dragon.
Alguém tem sugestões por aí?

A Arte de Discworld

domingo, maio 9th, 2010

Ontem meu irmão apareceu no Gtalk, mandou um link e disse “Não pergunte, só baixe!”. Rezando pra não serem fotos de garotões suecos nus agarrando garotões suecos nus, eu obedeci – e olha só, era um Artbook do Discworld!!! Fazia alguns séculos que eu procurava algo do tipo pra baixar na internet. No site do Paul Kidby, ilustrador fodástico dos livros do Terry Pratchett, tem várias imagens fantásticas…porém pequenininhas, só pra atiçar a vontade de comprar as memorabilias que ele vende no site. Tem camiseta, caneca, calendário, cartão postal, botton…E os desenhos do cara são geniais, o jeito como ele retrata os personagens do Disco é fabuloso. Eis que ontem finalmente me cai na mão o tal Artbook…e caraaalho, é muito foda! Tem todos os grandes personagens, várias cenas fodas, vários conceitos incríveis, tem textos do Terry Pratchett falando um pouco sobre a criação dos personagens, tem o Paul Kidby falando sobre suas inspirações e etc. e tal…e claro, desenhos, desenhos, desenhos e mais desenhos. Pra quem quiser baixar, o link é esse aqui – ISTO É UM LINK. Pra visualizar é preciso um leitor de CBR – eu recomendo o CDisplay EX – ooou você pode renomear o arquivo pra extensão .rar, descompactar as imagens e visualizá-las no seu visualizador de imagens favorito. E aqui embaixo vai uma pequena amostra do que tem no livro – vale lembrar que eu reduzi todas elas pra caber no post, e os arquivos originais são graaaandes e liiiindos. Foda foda foda…

Alice no País da Revolução da Língua Plesa

sexta-feira, maio 7th, 2010

Aí semana passada eu fui com dona Catarina assistir Alice no País das Maravilhas Tridimensionais duas vezes – já que o filme tem duas versões distintas. A primeira versão, financiada e patrocinada pela CUT, pelo PSOL e Associação dos Metalúrgicos de Piraporinha, tem o grande sindicalista Vicentinho no papel do Chapeleiro Maluco e é um belíssimo conto da luta do proletariado contra as forças opressoras do capitalismo selvagem. O discurso do Chapeleiro-da-Língua-Plesa no castelo da Rainha de Copas é particularmente tocante, capaz de fazer até o José Serra derramar lágrimas. De sangue, claro, porque vampiro de verdade só chora sangue.

Aí não sei porque mas a Marta não gostou dessa versão. Vai entender essas pessoas de direita, que não entendem o papel social que o cinema possui na sociedade…haaaaan. Entããããão…E lá fomos nós de novo assistir Alice em 3D, dessa vez devidamente legendado, em sua versão original, sem intervenções anti-alienantes nem nada. E aí…e aí que essa versão tem o Gato de Cheshire dublado pelo Stephen Fry. Difícil competir com o Stephen Fry dublando o gato de Cheshire. Mals ae, Vicentinho, mas a revolução fica pra outro dia.

“É uma guerra entre o Ruído e o Nada”

sábado, maio 1st, 2010

“Yo no veo otra salida: no quiero pasar la vida sin que la vida pase a través de mí!”.