Coisas Geek de um Hobbit Inútil

E não se esqueça da toalha.

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Inverno Has Arrived

  • O inverno finalmente resolveu dar as caras em Araçatuba. “Inverno” é uma palavra beeem forte, se eu for pensar bem. No máximo rola uma semana de frio mediano (nada no estilo serra gaúcha), sempre em julho, sempre coincidindo com a exposição agropecuária da cidade, sempre indo embora justo quando você já estava se acostumando com ele. Mas tá bom, qualquer vestígio de frio é bemvindo no faroeste paulista.
  • Falando na Exposição Agropecuária…caracoles, como tá fraquinha! Costumava ser uma das maiores exposições da região, sempre com shows grandes (note que eu disse grandes, e não bons): duplas sertanejas de sucesso, pagodeiros quando ainda existiam pagodeiros, e uma ou outra banda de rock/pop. Já teve Paralamas, Capital Inicial (na época do Acústica, quando eles re-estouraram), Barão Vermelho…bandas que de outro jeito nunca viriam tocar aqui. E esse ano não tem NENHUMA bandinha de merda de rock/pop, só um monte de tranqueiras. Duplas sertanejas pouco conhecidas, bandas de pagode que devem ter renascido no inferno só pra vir tocar na exposição… A cidade do Boi Gordo (ou Boi Fofo, como diz o Deroco) anda mal das pernas mesmo! oÔ
  • Ontem de madrugada eu assisti o primeiro episódio de Caprica, seriado prequel de Battlestar Galactica, que conta como os humanos inventaram as criaturas cibernéticas que viriam a se rebelar e destruir todas as colônias humanas no início de Battlestar. Achei bem legal, interessante e ao mesmo tempo BEM diferente de Battlestar Galactica. Ainda não me convenceu a colocá-lo na lista de seriados “Pra Assistir Urgentemente”, mas está no caminho. E eles arrumaram uma clone da Zooey Deschanel pra fazer uma das protagonistas! Olhão grandão, franja, carinha de menina, fofinha, etc e tal….e o pior é que eles não tentaram nem disfarçar: o nome da personagem dela é Zoe! O seriado também conta com uma Jodie Foster Genérica, e um Eric Stoltz genérico ( que é o próprio Stoltz, mas ele é genérico por natureza).
  • Agora, digno de nota mesmo é a trilha do Bear McCreary, tanto pro Caprica como pro Battlestar Galactica. É perfeita, fenomenal, de proporções épicas e lendárias – e olha que eu nem tenho saco pra trilhas sonoras. Os temas de ação são caralhais, os temas calminhos tem aquela calma paranóica de que alguma coisa vai acontecer. O cara curte sons orientais, cítaras, tambores tribais e coisas esquisitas…olha, tinha tudo pra dar errado e sair música bunda mole e sem sal. E acontece justamente o oposto – prova disso é essa versão de “All Along The Watchtower”. Já ouviu uma música com cítara soar ameaçadora? Eu nunca tinha ouvido.



“No reason to get excited”, the thief, he kindly spoke
“There are many here among us who feel that life is but a joke
But you and I, we’ve been through that and this is not our fate
So let us not talk falsely now, the hour is getting late

Laerte e o Vento

O que eu acho massa no Laerte é que o cara consegue ler meus pensamentos e traduzir perfeitamente numa tirinha só. Eu conheço um monte de gente que pensa nessas linhas…e nenhuma dessas idéias moribundas me desce, me passa pela garganta. “O homem é o que é e ponto”? E o que é o homem, e como se bota um ponto no que não se consegue nem começar a definir? Como é que se pode dizer que não se muda o mundo, que não se muda o homem, sendo que tudo nesse mundo é mudança – um universo inconstante, uma vida cheia de voltas, com o caos e a criação brincando no quintal (pra citar Paul McCartney). Não consigo enxergar – e nem imaginar – esse mundo aonde o homem é o que é e ponto. O vento entrando pela janela e mexendo em tudo me diz justamente o contrário.

Eu Fecho os Olhos e Tudo Vem

Sinceramente? Eu acho que Paralamas é A melhor banda de rock nacional, do período de “ouro” do rock nacional. (Coloco “ouro” em aspas porque, caracoles, eram os anos 80: provavelmente não era ouro, era só purpurina dourada ou algum efeito toscão do Hans Donner)

E olha que eu não sou daqueles que desfazem da Legião Urbana, que escrotizam o Cazuza, que excomungam o Capital Inicial. Minha educação musical deve muito a um programa de rádio semanal da Rádio Cultura (95,5 MHz) lá de Araçatuba, que só tocava rock nacional durante uma hora. Eu gravava esse programa religiosamente – em fitas K-7, as ancestrais da MP3 – e passava a semana ouvindo elas, esperando o próximo programa. Então eu aprendi a gostar dessa galera toda: Legião, Paralamas, Engenheiros, Capital, Kid Abelha, Titãs (pero no mucho). E sinceramente, vendo a situação atual do rock nacional, por maaais que se fale mal dessas bandas dos anos 80, eles são muito melhores que qualquer Restart ou Cine ou o que for.

(E acabei de perceber que estou defendendo bandas que já passam dos 20 anos de idade. Caralho, tô velho :~ )

Mas o Paralamas SEMPRE teve algo a mais, na minha opinião. Se eu fosse um crítico musical eu usaria um nome bem tchã pra definir esse algo a mais. Algo como “sensibilidade pop”, sabe? Mas eu diria que eles tinham coração e eles tinham alma – sabe essas bandas que você ouve e de repente fica tudo bem? Sabe essas músicas que você não consegue evitar entrar na onda delas? Eles sabiam fazer isso, e cada hit dos caras atingia seu alvo sem perdão. Claro que nada é perfeito, e depois do meio dos anos 90 eles ficaram BEM chatos – tipo o Skank, que depois do supermegafodão “Maquinarama” também perdeu seu rumo. Mas enquanto a magia durou, eles foram a banda mais legal do cenário nacional.

E eu simplesmente não consigo evitar entrar na onda de “Caleidoscópio”. Eu ouvi ela pela primeira vez quando tinha o quê? Nove, dez anos de idade? E nunca mais tirei ela na cabeça. É perfeita, em vários e vários sentidos. Olha só essa introdução – com direito à guitarra rasgando blues, trompetes e o caralho à quatro! A música me pega e me leva embora – “eu quase posso ouvir a tua voz, eu sinto a tua mão a me guiar pela noite a caminho de casa. Se tudo tem que terminar assim, que pelo menos seja até o fim – pra gente não ter nunca mais que terminar…”

(E aí o videoclip tá bloqueado pela EMI para incorporação em outros sites fora do Youtube. PAU NO RABO da EMI, que não saca que quem quer incorportar o vídeo tá fazendo propaganda DE GRAÇA pra banda. Em compensação, achei outro vídeo mais afudê ainda – com participação do Pericos, solo extendido e o cacete. Quando é que esses dinossauros monolíticos dessas gravadoras vão morrer, ó meu Deus?)

Adeus, Frank Sobotka – ou “The Wire” é FODA

I’ll bring you precious contraband and ancient tales from distant lands
Of conquerors and concubines and conjurers from darker times
Betrayal and conspiracy, sacrilege and heresy
And I feel alright – I feel alright tonight…

“The Wire” conseguiu algo que nunca antes um seriado policial conseguiu na história do mundo: me fazer assisti-lo. Na verdade minha teima é com seriados do tipo “um caso por episódio” – com pouco avanço de continuidade, sem uma história central que avance, só com aquela galerinha batuta resolvendo os casos mais difíceis do condado. Nesse perfil se enquadram praticamente qualquer seriado policial, “House”, e até “Arquivo X”. Sabe o que eu queria mesmo? Era assistir só os episódios de Arquivo X que avançam a história principal, e pular toooodos os trocentos episódios que não levam a lugar nenhum. Pensando bem, na internet deve ter uma lista de episódios assim. Vou procurar depois.

(Vai, podem me xingar do que for. “Herege”. “Mala escroto”. “Babaca”. “Noveleiro”. “Seletivo”.)

Enfim: “The Wire” conseguiu passar pelo meu processo de seleção justamente porque tem esse esquema de casos. Na verdade, temos um graaaande caso por temporada – e grande mesmo, cheio de mistérios, tramóias, rabos-presos, dedos-duros, e todo tipo de merda que puder dificultar a vida dos policiais. O foco do seriado é mostrar como a cidade de Baltimore funciona em suas entranhas, e cada temporada mostra uma faceta do submundo da cidade: a primeira temporada fala sobre o tráfico de drogas e os conjuntos residenciais da zona oeste, enquanto que a segunda temporada fala sobre o porto e as pessoas que vivem dele. Não existe um protagonista que move a série – são vários personagens, todos muitíssimo bem trabalhados e bem escritos. Dá pra acreditar que eles existem de verdade: não tem nenhum herói da justiça, não tem nenhum vilão que é a raiz de todo o mal. Não existe aquele clichê de “policial filho da puta e bandido que luta pra sobreviver” e nem o seu irmão gêmeo “policial protetor dos indefesos e bandido sórdido sanguinolento”. Todos tem seus motivos, todos tem seus defeitos, e todos tem uma história pra contar.

Eu terminei a segunda temporada alguns dias atrás – é a que fala sobre o porto. Bom, depois da primeira temporada eu deveria saber logo de cara que tudo iria terminar como terminou. É triste, é deprimente, mas é real – é o que aconteceria na vida real, dadas aquelas circunstâncias. Eu torci até o final pro Frank Sobotka escapar, mesmo sabendo que não tinha como. E o mais foda é ver que todo o sofrimento dele, tudo o que ele fez e toda a merda aonde ele se meteu não serviu pra nada. O final do último episódio é absolutamente foda, com uma música absolutamente foda pra acompanhar – o vídeo taí embaixo pra quem quiser ver, acho que não tem taaantos spoilers pra quem nunca viu a série ou não chegou nessa temporada. Ora bolas, spoilers, que spoilers? Desde o começo é um jogo de cartas marcadas – quem diabo acha que o sindicato dos estivadores tem alguma chance contra a máfia?

Hear the Lamentation of the Women

É fato conhecido que Conan ( o Bárbaro) é o motherfucker original. Antes do Batman tocar o terror e a porrada nos criminosos de Gotham, antes de Samuel L. Jackson encarnar a vingança divina de afro e barba esquisita, o nosso bárbaro cimério já vagava pelos ermos do planeta durante a Era Hiboriana fazendo o que sabia fazer de melhor: esmigalhar seus inimigos, vê-los derrotados diante de seus pés e ouvir os lamentos de suas mulheres. ( E ele fazia isso usando cueca de pelúcia. Eis o segredo do Cimério).

E aí um maluco na internet resolveu compor uma música para um suposto musical do Conan. E claro, não era pra dar certo: Conan e musicais não combinam. Ou não deveriam. Mas ficou FODA pra caralho – com direito a sotaque do Schwarza e letra mais do que épica. Saca só: