Adeus, Frank Sobotka – ou “The Wire” é FODA

I’ll bring you precious contraband and ancient tales from distant lands
Of conquerors and concubines and conjurers from darker times
Betrayal and conspiracy, sacrilege and heresy
And I feel alright – I feel alright tonight…

“The Wire” conseguiu algo que nunca antes um seriado policial conseguiu na história do mundo: me fazer assisti-lo. Na verdade minha teima é com seriados do tipo “um caso por episódio” – com pouco avanço de continuidade, sem uma história central que avance, só com aquela galerinha batuta resolvendo os casos mais difíceis do condado. Nesse perfil se enquadram praticamente qualquer seriado policial, “House”, e até “Arquivo X”. Sabe o que eu queria mesmo? Era assistir só os episódios de Arquivo X que avançam a história principal, e pular toooodos os trocentos episódios que não levam a lugar nenhum. Pensando bem, na internet deve ter uma lista de episódios assim. Vou procurar depois.

(Vai, podem me xingar do que for. “Herege”. “Mala escroto”. “Babaca”. “Noveleiro”. “Seletivo”.)

Enfim: “The Wire” conseguiu passar pelo meu processo de seleção justamente porque tem esse esquema de casos. Na verdade, temos um graaaande caso por temporada – e grande mesmo, cheio de mistérios, tramóias, rabos-presos, dedos-duros, e todo tipo de merda que puder dificultar a vida dos policiais. O foco do seriado é mostrar como a cidade de Baltimore funciona em suas entranhas, e cada temporada mostra uma faceta do submundo da cidade: a primeira temporada fala sobre o tráfico de drogas e os conjuntos residenciais da zona oeste, enquanto que a segunda temporada fala sobre o porto e as pessoas que vivem dele. Não existe um protagonista que move a série – são vários personagens, todos muitíssimo bem trabalhados e bem escritos. Dá pra acreditar que eles existem de verdade: não tem nenhum herói da justiça, não tem nenhum vilão que é a raiz de todo o mal. Não existe aquele clichê de “policial filho da puta e bandido que luta pra sobreviver” e nem o seu irmão gêmeo “policial protetor dos indefesos e bandido sórdido sanguinolento”. Todos tem seus motivos, todos tem seus defeitos, e todos tem uma história pra contar.

Eu terminei a segunda temporada alguns dias atrás – é a que fala sobre o porto. Bom, depois da primeira temporada eu deveria saber logo de cara que tudo iria terminar como terminou. É triste, é deprimente, mas é real – é o que aconteceria na vida real, dadas aquelas circunstâncias. Eu torci até o final pro Frank Sobotka escapar, mesmo sabendo que não tinha como. E o mais foda é ver que todo o sofrimento dele, tudo o que ele fez e toda a merda aonde ele se meteu não serviu pra nada. O final do último episódio é absolutamente foda, com uma música absolutamente foda pra acompanhar – o vídeo taí embaixo pra quem quiser ver, acho que não tem taaantos spoilers pra quem nunca viu a série ou não chegou nessa temporada. Ora bolas, spoilers, que spoilers? Desde o começo é um jogo de cartas marcadas – quem diabo acha que o sindicato dos estivadores tem alguma chance contra a máfia?

2 thoughts on “Adeus, Frank Sobotka – ou “The Wire” é FODA

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