Eu Fecho os Olhos e Tudo Vem Postado por Enrique em 12 de julho de 2010
Sinceramente? Eu acho que Paralamas é A melhor banda de rock nacional, do período de “ouro” do rock nacional. (Coloco “ouro” em aspas porque, caracoles, eram os anos 80: provavelmente não era ouro, era só purpurina dourada ou algum efeito toscão do Hans Donner)
E olha que eu não sou daqueles que desfazem da Legião Urbana, que escrotizam o Cazuza, que excomungam o Capital Inicial. Minha educação musical deve muito a um programa de rádio semanal da Rádio Cultura (95,5 MHz) lá de Araçatuba, que só tocava rock nacional durante uma hora. Eu gravava esse programa religiosamente – em fitas K-7, as ancestrais da MP3 – e passava a semana ouvindo elas, esperando o próximo programa. Então eu aprendi a gostar dessa galera toda: Legião, Paralamas, Engenheiros, Capital, Kid Abelha, Titãs (pero no mucho). E sinceramente, vendo a situação atual do rock nacional, por maaais que se fale mal dessas bandas dos anos 80, eles são muito melhores que qualquer Restart ou Cine ou o que for.
(E acabei de perceber que estou defendendo bandas que já passam dos 20 anos de idade. Caralho, tô velho :~ )
Mas o Paralamas SEMPRE teve algo a mais, na minha opinião. Se eu fosse um crítico musical eu usaria um nome bem tchã pra definir esse algo a mais. Algo como “sensibilidade pop”, sabe? Mas eu diria que eles tinham coração e eles tinham alma – sabe essas bandas que você ouve e de repente fica tudo bem? Sabe essas músicas que você não consegue evitar entrar na onda delas? Eles sabiam fazer isso, e cada hit dos caras atingia seu alvo sem perdão. Claro que nada é perfeito, e depois do meio dos anos 90 eles ficaram BEM chatos – tipo o Skank, que depois do supermegafodão “Maquinarama” também perdeu seu rumo. Mas enquanto a magia durou, eles foram a banda mais legal do cenário nacional.
E eu simplesmente não consigo evitar entrar na onda de “Caleidoscópio”. Eu ouvi ela pela primeira vez quando tinha o quê? Nove, dez anos de idade? E nunca mais tirei ela na cabeça. É perfeita, em vários e vários sentidos. Olha só essa introdução – com direito à guitarra rasgando blues, trompetes e o caralho à quatro! A música me pega e me leva embora – “eu quase posso ouvir a tua voz, eu sinto a tua mão a me guiar pela noite a caminho de casa. Se tudo tem que terminar assim, que pelo menos seja até o fim – pra gente não ter nunca mais que terminar…”
(E aí o videoclip tá bloqueado pela EMI para incorporação em outros sites fora do Youtube. PAU NO RABO da EMI, que não saca que quem quer incorportar o vídeo tá fazendo propaganda DE GRAÇA pra banda. Em compensação, achei outro vídeo mais afudê ainda – com participação do Pericos, solo extendido e o cacete. Quando é que esses dinossauros monolíticos dessas gravadoras vão morrer, ó meu Deus?)