Posts de novembro, 2010

Easy C-

sábado, novembro 27th, 2010

Fazer comédia adolescente é uma arte. Em teoria, qualquer um pode escrever uma comédia adolescente: a história é sempre a mais batida de todas. Escolas, pessoas que se dão bem, pessoas que só se fodem, professores cabações, professores legais, um protagonista espertaralho que só se fode mas está prestes a se dar bem. É tudo mais ou menos parecido – mas as comédias que importam, as que realmente funcionam, são aquelas que te fazem ter 12 anos de novo, pela duração do filme e talvez mais um pouco.

Por exemplo, “Curtindo a Vida Adoidado”, só pra pegar a principal delas. O que John Hughes fazia não era nada demais, mas aparentemente só ele conseguia fazer. Ferris não existe. Ele é um sonho adolescente, ele é quem eu queria ser quando eu tinha 7, 10, 12, 27 anos, o cara legal que mata um dia de aula e acaba indo cantar “Twist and Shout” num desfile. Durante 90 minutos, durante aquele day off eu sou Ferris Bueller e eu sou Cameron Frye, eu sou até mesmo o jovem tio Charlie mandando a irmã do Ferris relaxar. Eu poderia dizer…na verdade eu posso, porque esse é meu blog e eu falo a merda que quiser nele, então eu posso dizer que “Curtindo a Vida Adoidado” é mitológico. É a jornada do herói acontecendo num dia da semana em Chicago, onde a catarse é cantada por John Lennon, e onde a tragédia é uma Ferrari sendo arremessada de um penhasco. Ferris Bueller can’t lose, e nós também não.

“Easy A” poderia ter sido um puta filme legal. Na verdade, “Easy A” é um filme legal, mas não passa disso, infelizmente. Parece que o filme fica o tempo todo pedindo desculpas por suas referências, e fazendo aqueles comentáriozinhos auto-depreciativos. “Haha, este é um filme adolescente, haha, nós sabemos que é um clichê mas se apontarmos o dedo e dizermos que é clichê deixa de ser um clichê, né?”. Rola até uma seleçãozinha de cenas de filmes do John Hughes, com citação e tudo – eu achei legal, mas sei lá. Não tem problema usar referências – todo mundo usa. Mas os caras realmente fodões roubam suas referências, as sequestram na cara dura, sem dó, sem piedade, vestindo tangas de pelúcia e brandindo espadas bastardas, e depois se regozijam ouvindo a lamentação dos referenciados roubados e violentados. O segredo é fazer a referência virar sua – olha lá o Heath Ledger cantando “Can’t Take My Eyes Off Of You” em “10 Coisas Que eu Odeio em Você”. É uma cena roubada na cara dura, mas que funciona perfeitamente – tanto pela falta de vergonha na cara do diretor quanto pelo talento do falecido Coringa.

“Easy A” usa um mundo de referências, mas não consegue roubar nenhuma. Não que o filme não tenha boas idéias – a Emma Stone é divertida, os pais dela ficaram MUITO bons (a mãe dela contando sobre os dias de vadiagem e contorcionismo sexual na escola é um espetáculo), e a piadinha do Tom Sawyer e do Huckleberry Finn foi bem pensada. Mas faltou uma história e personagens com quem se identificar, faltou o toque de John Hughes.

(E é preciso dizer que a Emma Stone é linda, e seria perfeita pra Mary Jane Watson. Eu só queria saber quem diabos escolheu ela pra Gwen Stacy no filme novo do Homem-Aranha – caramba, o cara nunca leu um gibi do Aranha na vida?)

Prece Noturna XVI

terça-feira, novembro 16th, 2010

É tipo um exílio na rua principal. Ao seu redor o mundo gira selvagem como sempre, tudo indo e vindo como deve ser. Mas dentro de ti existe uma calma, um silêncio, e você consegue ver com mais clareza. Alguma coisa lá no fundo começa a borbulhar – como uma resposta querendo nascer, como uma estrada surgindo onde antes havia só caos e confusão. É preciso trazer ela pra fora, arrancar ela das entranhas, fazer ela nascer na porrada – parir nunca é um negócio bonito, nem metaforicamente. Mas nascer é preciso, de novo e de novo, mesmo sem saber, sem entender, sem querer. E é algo que se faz sozinho, por mais que a gente procure ajuda, conselhos, amigos, amores, culpados, inimigos, avanços, atrasos. Só uma pessoa pode atravessar a noite escura, e que São Jung, padroeiro dos eternamente perdidos e dos tolos incuráveis, ajude a nós todos.

Musgas Variadas

quarta-feira, novembro 10th, 2010

Tem uma pasta no meu HD chamado “Musgas Variadas”, que serve de quarto de bagunças para minhas mp3. Acho que eu comecei a jogar músicas nela em 2003, no começo da faculdade, e desde então fui acumulando e acumulando. Ela permanece aparte do resto da “coleção” de mp3 – onde a coleção é organizada em pastas, estilos, artistas e álbuns, a “Musgas Variadas” é só uma pasta sem subpastas e sem frescuras, onde toda sorte de barulho convive entre sim. São músicas que eu baixei porque queria ouvir, ou porque achei um link, ou porque alguém me mandou, ou simplesmente porque brotaram lá – um quarto de bagunças, como eu já disse, define muito bem a situação. Tem de tudo, literalmente. Três versões de Tears of The Dragon. “Maria”, da Blondie. “When Doves Cry”, com as revelações perturbadoras do artista previamente conhecido como Prince. Tem Men at Work cantando Down Under, e tem o Colin Hay cantando a melhor música de sua vida, “Into My Life”. Tem algumas músicas do Cowboy Bebop, tem o tema do Highlander, tem versões de “Chega de Saudade”. Tem o Pearl Jam tocando Trouble em 29 de março de 98, em qualquer lugar (a id3 não diz). Tem diversos covers punk para clássicos do brega americano. Tem a música mais triste do mundo, “Don’t Follow”, do Alice in Chains. Tem as mais melosas do A-ha, “Hunting High and Low” e “Crying in The Rain”. Tem o Monty Python cantando sobre a vida em Camelot. Tem o Iggy Pop dizendo que é um passageiro. Tem Kleiton e Kledir maldizendo a RFFSA. Tem a Nico cantando “I’ll Be Your Mirror”, cortando a alma. Tem algumas músicas do Bad Religion. Tem o Fagner e suas borbulhas de amor à luz da lua. Tem o Weird Al escrotizando o Nirvana, tem o Nirvana escrotizando todo mundo. Tem uma banda chamada “Leningrad Cowboys” tocando um cover estranhíssimo de “Stairway to Heaven”. Tem o Bob Dylan com sua voz estranhíssima dizendo que, se o amanhã não fosse tão distante…Tem o Rei, pedindo um pouco menos de conversa e um pouco mais de ação. Tem o Ari Toledo contando da casinha que ele vai construir pra Rosinha. Tem o Roupa Nova e seu tema para yuppies-frios-e-calculistas, “Coração Pirata”. Tem Scorpions sendo épico, tem o Ricky Martin sendo bicha. Tem os Raimundos explicando como é o be-a-bá lá do sertão. Também tem os Raimundos fazendo cover de Leandro e Leonardo (!). Tem o Caê explicando a caótica gramática do quereres. Tem o Paul Westerberg e seu coração disléxico. Tem o tema da Pantera Cor-de-Rosa. Tem….tem coisa pra caralho.

Cada música puxa algo lá de trás, cada música lembra algo, alguém, um quando e um onde, ou nada disso. Cada música é um pedaço de uma colcha de retalhos, onde eu me enrolo às vezes, que eu sigo arrastando por aí enquanto assovio uma música bem ridícula.

(Jamais confie em quem não ouve músicas ridículas. A vida é curta e besta demais pra perder tempo se preocupando com bom gosto musical. )

A Era dos Trompetes

quarta-feira, novembro 10th, 2010

Houve um tempo – bem breve, algo entre dois e quatro anos – no final dos anos 90 em que o trompete era a lei. A agonia existencial grunge já não colava, as boy bands começavam a dominar o universo pop, uma tal de Britney Spears (versão não-maluca) mostrava toda sua pujança na MTV, e Tony Hawk Pro Skater era o jogo mais legal do Playstation. Enquanto isso, uns punks felizes resolveram que três acordes não eram mais suficientes – era mais preciso mais, era preciso algo que movesse as pessoas, era preciso algo que tocasse corações e almas. Era preciso…trompetes! E assim nasceu a breve porém divertida ska-punk-revival-do-final-dos-anos-90. Liderando ela, bandas como Mighty Mighty Bosstones, Reel Big Fish, Goldfinger… Infelizmente, tão rápida quanto chegou ela foi embora. Nenhuma das bandas emplacou de verdade, o que não significa que não eram boas: simplesmente, o mundo não estava pronto para tantos trompetes.

(Essa é a primeira lista do Grooveshark que eu uso aqui, então não sei se vai dar certo ou não. Quem conseguir ouvir, ou não conseguir ouvir, favor gritar nos comentários!)

Obrigado de novo, Mr. George

sexta-feira, novembro 5th, 2010

De novo e de novo, Saint George. Deu tudo certo lá em Jaú, o próximo exame é só em abril e tudo está bem. Ufa. Valeu! =)

Foto Surreal da Quinta-Feira

quarta-feira, novembro 3rd, 2010
Happy Neil Gaiman is happy

Happy Neil Gaiman is happy

Hay Cosas Que Te Ayudan A Vivir

quarta-feira, novembro 3rd, 2010

Hoje. Aula de Projeto Integrador II. Eu saio do laboratório, pra tirar a água dos joelhos e tomar água. Na volta, vem passando um sujeito altão todo desengonçado, cabelos meio-grisalhos na altura do pescoço, barba por fazer, óculos…e o cara me cumprimenta. Acenei com a cabeça de volta, sem reconhecer o cara. Ué, de onde eu conheço ele? Aí quando eu já ia entrando no laboratório caiu a ficha…cabelão grisalho, óculos, todo esquisitão: só podia ser o Fito Paez!

Pra quem num sabe, o Fito Paez é um cantor/compositor/maluco argentino. Nos anos 90 ele era unha e carne com os Paralamas, mas como eu achava os Paralamas meio chatos nessa época, nunca dei muita bola. Mas aí desde o ano passado eu comecei a ouvir bandas hermanas com mais atenção, e topei com o Fito Paez novamente. E caralho, o cara é MUITO bom, genial mesmo. Algo como as tirinhas do Liniers, só que transpostas pro mundo da música, e com mais guitarras, e com mais pianos…mas o lirismo e o humor leve e certeiro estão lá, sempre presentes.

“Te vi…fumabas unos chinos en Madrid
Hay cosas que te ayudan a vivir
no hacías otra cosa que escribir…y yo simplemente te vi
Me fui…me voy de vez en cuando a algún lugar
Ya sé, no te hace gracia este país…
Tenías un vestido y un amor, y yo simplemente te vi…

Todo lo que diga está de más
Las luces siempre encienden en el alma
Y cuando me pierdo en la ciudad, vos ya sabes comprender
Es solo un rato no más…tendría que llorar, o salir a matar
Te vi, te vi, te vi…yo no buscaba a nadie y te vi”