Bernard Cornwell é um escritor de romances históricos, famoso principalmente pelas Crônicas de Artur, onde ele traz a tona um Artur histórico possível, um líder de exércitos que tenta unificar e proteger a Inglaterra da invasão dos saxões e cristãos. Acho que já disse num post anterior que a série é fantásticamente fodástica – tanto pelos personagens brilhantes e pela maneira “alternativa” de se enxergar o mito Arturiano, quanto pela reconstituição histórica e pelas descrições das batalhas.
Aí, lendo “O Último Reino”, primeiro volume das Crônicas Saxônicas, uma ficha caiu: o Cornwell não faz várias séries que retratam períodos históricos diferentes. Ele faz UMA única série, com vários livros e sub-séries, que acompanham o desenvolvimento de um único personagem através da história: a Parede de Escudos! Quem já leu um ou dez livros dele sabe que a Parede de Escudos é essencial e onipresente no universo de Cornwell. Todo o resto – eventos históricos, tramas políticas, amores, traições, reviravoltas – é mera encheção de linguiça. O que importa de verdade é o momento em que dois exércitos se cruzam, e os líderes gritam desesperados: “FORMA A PAREDE DE ESCUDOS, PORRAAAAAAAAAAAAA!!”. E aí, nesse momento em que a ação começa e a carnificina come solta, é que Cornwell nos faz acreditar que presenciar a participar de uma parede de escudos é a coisa mais foda do mundo! Você lá, segurando masculamente seu escudo (grrr!) junto com os escudos de seus IRMÃOS EM ARMAS (grrr!), encarando o exército inimigo de frente (grrr!), brandindo ao vento sua espada (ou seu machado, maça, foice, rastelo, pedaço de pau que achou na estrada) (grrr!), gritando o nome de Odin (ou Cristo, ou Alá, ou Crom, ou Wando, ou sua divindade favorita) (grrr!) enquanto espera que alguém mais bêbado do que você tome a iniciativa e comece a batalha. É lindo, inspirador, faz crescer cabelo no peito e digo até mais: ler Cornwell dá mó vontade de jogar Age of Empires!
